Mercado siderúrgico interno aquecido anima analistas

Com a demanda aquecida no mercado interno, as perspectivas para as empresas siderúrgicas são positivas ao longo deste ano. Tanto que as ações das companhias do setor encontram-se na lista de preferências dos analistas. "O cenário de atuação para as empresas siderúrgicas é de forte recuperação de vendas no mercado local. Contudo, entendemos que a normalização de negócios no mercado externo ainda não ocorrerá no curto-prazo, já que ainda existe um excesso de oferta de aço no exterior", destaca o estrategista chefe da SLW Corretora Pedro Galdi.

Mesmo diante do cenário externo ainda em recuperação, principalmente quando o assunto é preço, as perspectivas para as siderúrgicas são positivas. A demanda interna de aço vem crescendo, o que compensou, em boa parte, a queda das exportações do produto no período mais agudo da crise internacional.

É preciso lembrar ainda que a demanda interna foi a responsável pela decisão das siderúrgicas instaladas no país de acionarem altos-fornos desligados durante a crise e aumentar a sua produção. "O segundo semestre será um período de forte demanda, caso não haja nenhum desastre internacional, que provoque uma retração das economias. O setor caminha para um novo ciclo positivo", destaca Galdi.

Duas grandes instituições, Bradesco e HSBC também trabalham com boas perspectivas de crescimento, o de siderurgia e de mineração. "Permanecemos confiantes em relação à recuperação global, apesar das recentes medidas para conter a expansão monetária em diversas nações, como China, EUA e Brasil. Elevamos nossa exposição aos setores siderúrgico e de mineração, além de aumentar o peso de commodities na carteira", afirma a equipe de análise do HSBC no relatório de recomendações de abril para os clientes.

Preços

Recentemente as empresas siderúrgicas começaram a anunciar aumento de preços para seus produtos, já que está ocorrendo aumento do valor dos insumos de produção, como no caso do minério de ferro e carvão. A sinalização é que estas empresas aumentem seus preços entre 10% e 15% neste mês e um novo reajuste desta magnitude ocorra a partir do segundo semestre. "Os clientes da indústria deverão negociar tais aumentos. Haverá uma pressão grande", diz. Como os preços do aço no Brasil estão acima do mercado internacional, deve aumentar a concorrência diante da importação de produtos siderúrgicos.

Nesta quarta-feira, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, declarou que as siderúrgicas já anunciaram às montadoras aumento no preço do aço, na esteira de reajustes próximos a 100% no minério de ferro, um dos insumos mais importantes da cadeia. De acordo com o executivo, o impacto no custo de produção de carros dependerá das condições de negociação e das estratégias de produção de cada montadora. Ele lembrou que a negociação se dá de forma individual. Alguns aumentos de preços de produtos siderúrgicos já chegaram aos fornecedores de autopeças.

Recomendações

Na carteira recomendada por Pedro Galdi para o mês de abril estão listadas as ações de duas empresas: Gerdau e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). "Aguardamos uma melhora substancial no cenário de atuação da Gerdau para os próximos trimestres. No Brasil e países vizinhos é esperada uma forte evolução das vendas físicas nos próximos trimestres, promovido pelo aquecimento das atividades de construção habitacional", afirma o estrategista.

Ele complementa que, no Brasil deve-se ainda destacar as medidas de redução de tributação para a indústria automobilística e material de construção e os eventos que irão ocorrer nos próximos anos, com destaque para a continuidade dos investimentos no PAC, Olimpíadas, Copa do Mundo, que trarão impacto positivo para a empresa.

Já na América do Norte, a expectativa é de melhora gradual, sendo que neste segundo trimestre, é esperado que o presidente Obama lance o pacote de estimulo a economia, focada em infra-estrutura, o que poderá determinar uma recuperação nos volumes vendidos por suas unidades naquela região.

Sobre a CSN, Galdi diz que, além de se beneficiar do novo modelo de contrato para minério de ferro trimestral, a empresa anunciou que aumentará seus preços de produtos siderúrgicos entre 10% e 15%, o que irá lhe proporcionar forte evolução de margem Ebitda no segundo trimestre.

Divisor de águas

O ano de 2010 também será marcado como o divisor de água no modelo contratual entre as grandes siderúrgicas e as grandes empresas de mineração. "Até o ano passado e por 40 anos consecutivos, existiam duas formas de contrato de compra/venda de minério de ferro, o mercado à vista e o contrato anual", explica Galdi. O mercado à vista que até 2008 se mostrou pequeno em relação ao outro modelo, mudou em 2009,quando as siderúrgicas chinesas se recusaram a aderir ao contrato anual, já que o preço do minério de ferro no mercado à vista havia registrado forte queda com a crise econômica.

"A Vale comunicou que grande parcela de seus clientes aceitou uma mudança no modelo contratual, que passa de anual para trimestral, com base no preço médio do mercado à vista do trimestre anterior. O novo modelo começa agora em abril e irá durar até junho de 2010, com um preço que estimamos tenha sido negociado entre US$ 100 e US$ 110/tonelada", resume.

Fonte:

Infomet / Monitor Mercantil
Publicação: 08/04/2010

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