O novo modelo de contratos de compra e venda de minério de ferro - que passou a ser negociado trimestralmente - e a alta no valor do insumo deverão acirrar a disputa por market share no segmento de siderurgia. As vantagens logísticas e a compra de ativos minerários ficarão mais evidentes e serão trunfos nas negociações, já que reduzem os custos e permitem maior agressividade comercial, segundo os especialistas do setor.
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas) e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deverão protagonizar a disputa no mercado. Para o analista de siderurgia e mineração da Geração Futuro, Rafael Weber, por um lado a CSN possui uma estrutura de custo de produção mais competitiva, mas a Usiminas após a troca de comando deverá trabalhar para recuperar mercado.
"A CSN tem a possibilidade de avançar ainda mais no mercado, já que conta com a produção de minério para se proteger da alta do preço do produto no mercado internacional. A Usiminas, por sua vez, deverá se mostrar mais agressiva já que tem a possibilidade de recuperar mercado. Índices como 1% ou 1,5% farão a a diferença no momento das negociações", avaliou.
A CSN entrará ainda este ano em ritmo de produção de 40 milhões de toneladas de minério anuais apenas na mina de Casa de Pedra (ainda possui a produção da Namisa), enquanto a Usiminas pretende este ano atingir uma produção de 7 milhões de toneladas do insumo siderúrgico. De acordo com o plano de produção elaborado pela empresa, a extração nas minas poderá atingir a partir de 2013 cerca de 29,2 milhões de toneladas anuais.
Em relação aos diferenciais logísticos, a mina de Casa de Pedra ainda se destaca por possuir um sistema integrado de distribuição de sua produção, formado pelo tripé minaferrovia- porto. Por outro lado, a Usiminas investe pesado em ferrovia.
A companhia assinou um acordo de três anos com a Vale S/A no valor de R$ 900 milhões para garantir o escoamento da produção de Ipatinga e o abastecimento da usina com minério próprio.
Com isso, 95% do abastecimento e 60% da escoamento da usina serão realizados por meio do modal ferroviário.
Além do preço, a flexibilização dos prazos e a capacidade de suprimento serão avaliados pelos clientes de forma mais rigorosa. "Com a concorrência mais dinâmica, os compradores não terão mais tolerância com atrasos nas entregas e falta de produtos, como recentemente aconteceu", observou Weber.
Diferente do que ocorreu até o ano passado, os contratos de compra e venda de minério passaram a ter prazo de vigência de três meses, o que poderá provocar reajustes no aço em intervalos semelhantes dependendo do percentual de elevação do insumo. "A tendência é de correção trimestral porque as siderúrgicas não podem absorver o aumento ns custos", afirmou o analista de siderurgia e mineração da SLW Corretora, Pedro Galdi.
Para Galdi, a correção das tabelas do preço do aço praticadas com grandes clientes deverá ser entre 8% e 9%. "A variação de um fornecedor para outro não será grande justamente pela maior competitividade", afirmou. Os grandes clintes são: setor automotivo, que responde por 20,5% do consumo, e construção civil, responsável por 33,4% da demanda.
Fonte:
Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 06/05/2010