Quando se fala em infraestrutura de transporte para a Copa 2014, a palavra de ordem é integração. Para tal, inúmeras medidas vem sendo projetadas, desde ações para melhoria da qualidade dos meios de transportes nas cidades-sedes até iniciativas quem visam a expansão, e principalmente a integração dos meios.
Ontem, no primeiro dia do Brazil World Cup Transportation Congress, o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, Fábio Bandeira Machado, apresentou algumas propostas para o setor de transportes das cidades-sede da Copa 2014. Confira na matéria a seguir.
As novidades vem em forma de siglas: BRT, VLT e PAC2. A primeira, BRT, faz referência ao Bus Rapid Transit, um sistema que visa agilizar o transporte via ônibus. Também conhecido como VLP (veículo leve sobre pneus), esse meio de transporte coletivo constitui-se de veículos articulados ou biarticulados que trafegam em canaletas específicas ou em vias elevadas. No Brasil, e no mundo, Curitiba é referência quando se fala em VLP e em qualidade de transporte coletivo. “Se as vias de ônibus não tiverem qualidade, as pessoas não vão deixar os carros em casa”, evidenciou Machado. Para operar com qualidade, o BRT ou VLP está plenamente ligado ao PAC 2, programa de apoio a obras de pavimentação e qualificação das vias urbanas.
O PAC 2 vai contar com R$ 11 bilhões para a área de mobilidade urbana destinado a pavimentação e qualificação de vias, principalmente nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.
Outra proposta é implantar o VLT, veículo leve sobre trilho, uma espécie de bonde moderno. É um trem urbano pequeno que opera sobre trilhos e canaletas, a partir de conexão elétrica. Por ser menor, integra-se melhor ao meio urbano já existente. “O VLT vai ser uma crescente no país, pois é um sistema otimizado”.
Mais do que implantar novos modais, a ideia é tornar o transporte no Brasil mais acessível. Para isso, dois conceitos se fazem presentes: acessibilidade e integração. O primeiro visa garantir o alcance de toda a população aos sistemas de transportes, o segundo, além de facilitar o acesso entre os meios, visa também diminuir o número de acidentes urbanos.
As medidas vão atender aglomerados urbanos com mais de 300 mil habitantes. “A ideia é que tudo que venha a se colocar possa ser usado”, afirma.
A surpresa da explanação foi o destaque para a boa e velha bicicleta. De acordo com Machado, o governo pretende investir R$ 500 milhões até 2012 no chamado Bicicleta Brasil, iniciativa que vem ao encontro do princípio de mobilidade urbana sustentável. Atualmente, cerca de 100 cidades apresentam sistemas de ciclovias no país, e o objetivo é aumentar esse número. Os investimentos em ciclovias e ciclofaixas serão não só uma forma de favorecer a bicicleta como meio de transporte, como também integrá-la aos demais. Para isso, a proposta é oferecer segurança aos ciclistas e espaços para esses guardarem suas magrelas. “As pessoas tem que se conscientizar de que andar de bicicleta é tão seguro quanto andar a pé”.
O Brazil World Cup Transportation Congress teve início ontem, dia 25 de agosto, no Hotel Meliá Jardim Europa, em São Paulo. A programação segue até amanhã, 27, com debates sobre as melhorias nos transportes das cidades-sede da Copa do Mundo 2014.
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Publicação: 26/08/2010