Novo sócio terá desafio de tornar Usiminas mais competitiva

Vários desafios importantes terá pela frente a partir de hoje o novo acionista da Usiminas, a siderúrgica Ternium, uma empresa controlada do grupo ítalo-argentino Techint. O conglomerado da família Rocca é um gigante mundial na fabricação de tubos de aço para a indústria petrolífera e um dos líderes na siderurgia latino-americana.

A Ternium recebe uma empresa com baixo poder de competição no mercado interno de aços planos, para o qual destina quase 90% de suas vendas. É a maior produtora desse tipo de aço na América Latina, mas talvez hoje a de menor rentabilidade.

Os executivos da Techint, que compartilhará o bloco de controle com a japonesa Nippon Steel, terão de trabalhar muito para pôr a Usiminas em outro nível de rentabilidade de forma a justificar porque pagaram R$ 5 bilhões por 27,7% do capital ordinário (13,8% do total) da companhia mineira.

O valor significou um ágio sobre o preço da ação na bolsa, na data do anúncio, em 28 de novembro, superior a 80%.

A Usiminas tem sido castigada por seus elevados custos, o que a dificulta ser mais agressiva na colocação de preços no mercado doméstico que a concorrência. Compete diretamente com a CSN e com ArcelorMittal e desde 2010 com produtos importados da China, Coreia, Ucrânia e outros países. Quem deve estrear ainda este nesse mercado é o grupo Gerdau. Sua fatia de mercado caiu para 32%.

Ao longo dos últimos trimestres, a empresa convive com baixas margens no resultado operacional (Ebtida – lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação). O Ebitda por tonelada produzida baixou de R$ 770 em 2008 para R$ 75 em 2011 (até setembro).

A média da companhia foi 12% no resultado encerrado no balanço de nove meses, já considerando a contribuição da área de minério de ferro. Olhando apenas o negócio aço, verificou-se margem de 3%, ante 61% na mineração, que ainda é pouca expressiva.

A Ternium alcançou 18% de margem Ebtida no mesmo trimestre encerrado em setembro. Analistas que avaliam o desempenho da empresa apontam que ela ainda tem muita gordura nos custos que pode ser cortada, além de buscar de volta muito mercado perdido.

Esses mesmos analistas não mostram nenhum otimismo com o futuro da empresa e já enxergam um resultado ainda pior – de um dígito – no quarto trimestre. A previsão para os três primeiros meses de 2012 também é negativa.

Além disso, os analistas de siderurgia veem a situação de endividamento da companhia, razoavelmente confortável até pouco tempo atrás, ficar mais delicada, com a relação dívida/Ebitda próximo de três vezes ao fim do quarto trimestre. Fechou setembro com 2,5 vezes.

Isso pode levar a nova gestão a buscar alternativas internas, como, por exemplo, a venda de ativos, para reforçar o caixa e garantir fôlego para os investimentos futuros.

Até setembro, a receita retraiu-se 10% sobre o mesmo período de 2010 e o Ebitda, quase 60%, resultado de recuo nas vendas (4,6 mil toneladas em nove meses) e de preços estabilizados.

A empresa tem operado com ociosidade da ordem de 30% em sua capacidade instalada de produção. Está apta a fazer 9,5 milhões de toneladas de aço bruto ao ano, que podem ser transformadas em oito milhões de produtos acabados – desde chapas grossas para navios a chapas ultrafinas para automóveis e geladeiras.

Na sexta-feira, o valor de mercado da Usiminas fechou em R$ 14,6 bilhões. Em 2010, ano da guerra acirrada com aço importado, a empresa obteve receita de R$ 13 bilhões, Ebitda de R$ 2,63 bilhões e lucro de R$ 1,56 bilhão.

A previsão para 2011 mostra retração no desempenho: receita pouco acima de R$ 12 bilhões (alcançou R$ 9,1 bilhões até setembro), Ebtida na casa de R$ 1,3 bilhão e lucro magro – em torno de R$ 300 milhões.

Neste ano, apesar de leve recuperação na receita, para mais de R$ 13 bilhões, e leve melhoria no Ebitda ao longo dos trimestres, a expectativa é de fechar no vermelho.

Fonte:

InfoMet / Valor Econômico
Publicação: 17/01/2012

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