O relatório, apresentado ontem pelo deputado Carlos Melles (DEM-MG), prevê a suspensão de repasse de recursos para convênios de 26 obras do governo federal. O bloqueio fica estabelecido até que sejam resolvidos os problemas na obra e que o Tribunal de Contas da União (TCU) autorize.
A proposta de Melles deverá ser votada na segunda-feira, junto com o texto do Orçamento na Comissão Mista de Orçamento Público e Fiscalização do Congresso. O Orçamento, no entanto, só deve ser votado em plenário na terça-feira, último dia de trabalho legislativo antes do recesso parlamentar. Melles é o relator de obras irregulares na Comissão de Orçamento e seu parecer precisa ser aprovado para suspender o repasse.
O relatório foi baseado em uma lista enviada em novembro pelo TCU à comissão recomendando a paralisação de 41 obras. Depois de audiências públicas com empresas e autarquias citadas, como a Petrobras, Infraero e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o relator, em acordo com o tribunal, decidiu pela liberação de 15 obras.
O relator destacou que a estatal que mais apresentou problemas foi a Petrobras. "Antes o Dnit era o patinho feio, com muitas irregularidades. Agora é a Petrobras", comentou ontem. Segundo o deputado, o principal problema é a falta de transparência nos gastos da estatal, com a falta de detalhamento dos custos das obras. Quatro obras da Petrobras apresentaram problemas: a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, o Terminal de Barra do Riacho, no Espírito Santo, a Refinaria Repar, no Paraná, e o Complexo Comperj, no Rio de Janeiro.
Se o parecer de Melles for aprovado, parte dos contratos dessas obras deixarão de receber recursos. As irregularidades apontadas pelo relator na Refinaria Abreu e Lima foram investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, encerrada ontem no Senado.
Na CPI, no entanto, os senadores aprovaram relatório que isenta a Petrobras de irregularidades no caso. Entre as 26 obras com parecer pela suspensão de repasse, seis são do PAC. Fora do PAC, a principal obra que tem parecer pela suspensão do repasse é a ampliação do Comperj.
O relator propõe a suspensão de diversos contratos relativos a esta obra. As irregularidades na obra, segundo técnicos, são semelhantes às identificadas na construção da Refinaria Abreu e Lima. Além da apresentação do relatório com obras com problemas, os parlamentares apreciaram também a nova estimativa de receita para o Orçamento, com aumento de R$ 1,7 bilhão, apresentada pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), relator da receita na proposta orçamentária para 2010. A elevação leva em consideração o aumento da arrecadação da Cofins dentro do Programa de Recuperação Fiscal (Refis), segundo Jucá. Foi a segunda atualização.
No primeiro relatório, apresentado em outubro, Jucá havia revisto a arrecadação federal, ampliando o montante em R$ 14,7 bilhões. Com isso, as receitas primárias líquidas da União totalizarão R$ 726,1 bilhões - 2,3% superior ao previsto no projeto orçamentário. A nova estimativa de receita foi aprovada ontem pelos senadores, com reclamações do DEM, como do deputado Cláudio Cajado (BA), que classificou a peça orçamentária proposta pela União como "fictícia".
Infomet / Valor
Publicação: 21/12/2009