Oferta de ações de controle acirra disputa na Usiminas

Cristiane Perini Lucchesi e Ivo Ribeiro

A Caixa dos Empregados da Usiminas contratou o Credit Suisse para vender sua participação na empresa. A fatia é especialmente valiosa, porque inclui a participação no bloco de controle até 2016 e dá direito de veto nas decisões da siderúrgica mineira. O Valor apurou que as ações foram oferecidas à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), à Ternium, braço siderúrgico do grupo Techint, e à Gerdau. As três empresas mostraram interesse no negócio.

Os empregados detêm participação de 5% no capital total e de 10,1% no capital votante da Usiminas. Pelo valor de mercado da empresa ontem, de R$ 25,8 bilhões, a participação seria de R$ 1,29 bilhão. Mas, tratando-se de ações pertencentes ao bloco de controle da empresa, o valor pode passar de R$ 1,5 bilhão.

A venda dessas ações poderá abrir caminho para uma nova configuração societária da siderúrgica, que atualmente tem como principais acionistas controladores Nippon Steel, Votorantim e Camargo Corrêa.

Há, no entanto, um empecilho à entrada de novo sócio: Nippon, Votorantim e Camargo têm direito de preferência na aquisição dessa participação. Podem comprá-la, permanecer com ela ou depois vendê-la ao sócio que considerarem mais adequado entre os interessados.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, os japoneses aceitariam a Ternium, empresa com a qual têm sociedade no México, ou a Gerdau. Há ressalvas no caso da CSN, por causa de divergências na Namisa, que quase levaram à Justiça seus sócios coreanos e japoneses, entre eles a Nippon, donos de 40% do capital. A CSN tem 60% da Namisa, que explora minas de ferro e distribui a produção de terceiros. A Nippon detém 16,2% do consórcio.

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que tem participação de 10,4% no capital votante da Usiminas, mas não está no bloco de controle, teria preferência pela Gerdau, como parte do desejo do governo de criar uma multinacional verde e amarela do aço. A Gerdau, que prepara emissão de ações de até R$ 5 bilhões, poderia comprar a participação dos empregados e seria uma das candidatas a comprar também as participações de Votorantim e Camargo Corrêa.

Fonte:

Valor Online
Publicação: 23/03/2011

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