Os projetos dos 12 palcos da Copa 2014
A realização da Copa 2014 no Brasil envolverá investimentos de R$ 60 bilhões, dos quais R$ 5,5 bilhões serão em estádios

projetos-copa-do-mundo-2014-1A realização da Copa 2014 da Fifa no Brasil, o principal megaevento esportivo mundial, representa para nosso país uma rara oportunidade e um grande desafio. Oportunidade porque a copa do mundo de futebol envolve 12 cidades-sede (Manaus, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e Brasília), exigirá investimentos de cerca de R$ 60 bilhões em sua infraestrutura esportiva e geral e deverá movimentar cerca de R$ 143 bilhões em negócios, segundo estudo encomendado à FGV pelo Ministério do Esporte.

Nesta edição, apresentamos os 12 projetos de estádios das cidades-sede e das propostas para os seus estornos, projetos esses que seguem obrigatoriamente as regras definidas pelo caderno de encargos da Fifa. Dos 12 estádios, apenas três eram privados - o Morumbi (SP), o Arena da Baixada (Curitiba/PR) e o Beira-Rio (Porto Alegre/RS). Os demais nove estádios são públicos, a serem construídos com recursos governamentais diretos ou por meio de PPP (parceria público-privada), caso de Pernambuco, Salvador e Belo Horizonte. São Paulo é a única capital que ainda não definiu qual será seu estádio para a Copa.
As obras dos estádios estão estimadas em R$ 5,5 bilhões, no total. Essas obras incluem, em boa parte dos estádios, a utilização de pré-moldados de concreto na construção da estrutura ou de parte dela e de pavimento intertravado nas áreas do entorno da arena. Representam, portanto, uma oportunidade de negócios importante para fabricantes de pré-moldados e blocos de concreto, que devem começar a ser mapeadas desde já.

Em outras edições da Prisma, abordaremos as diversas obras de mobilidade urbana (metrôs, trens metropolitanos, corredores de ônibus, VLTs etc.), aeroportos, portos, rodovias, hotelaria, segurança e melhoria de atrações turísticas e urbanísticas, entre outras, que integram a rubrica Copa 2014 e que podem deixar um legado importante ao país, pós-evento.

Conciliar as exigências da Fifa com a necessária sustentabilidade - econômica e ambiental - e, ao mesmo tempo, desenvolver um projeto com grande impacto funcional e desenho contemporâneo foram os desafios que os responsáveis pelo projeto arquitetônico da nova Arena Cuiabá, os escritórios paulista nos GCP Arquitetos e Grupo Stadia tiveram de enfrentar. ''A solução foi conceber um projeto multiuso e flexível, com partes da arquibancada desmontáveis, para adequar a capacidade do estádio às condições de Cuiabá, pós-Copa'; explica o arquiteto Sérgio Coelho, do escritório GCP Arquitetos.

projetos-copa-do-mundo-2014-2A solução desenvolvida pelos autores inclui a demolição do estádio Governador José Fragelli, o Verdão, construído em 1975. Em seu lugar, será erguida a nova arena, que aproveitará parte da estrutura já existente, com a construção de um novo campo de 68 x 105 metros, ao lado do antigo. A flexibilidade da construção permite que o estádio seja erguido com capacidade para 42,5 mil lugares para a Copa, com a previsão de desmontar cerca de 12 mil desses assentos, pós-evento.

O projeto foi concebido com o uso de estrutura pré-moldada de concreto, na modulação 8x8 m. Nas laterais, atrás de cada gol. o anel superior da arquibancada será erguido com estrutura de aço galvanizado e degraus de concreto. A parte metálica da estrutura será feita com perfis parafusados, facilitando a desmontagem pós-copa.

A cobertura do estádio será formada por estrutura de pórticos treliçados, com fechamento em steel deck, camada de isolamento termoacústico e cobertura com membrana impermeabilizante, com elevado índice de reflexão da luz solar, para amenizar as altas temperaturas características de Cuiabá.

A arena foi concebida com diversos itens de sustentabilidade, visando à obtenção da certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design).

As áreas de convivência ficarão no entorno do estádio. O centro de mídia ocupará o ginásio de esportes que funciona do lado externo do complexo. No lado oposto, haverá o setor de lazer com estacionamento, restaurante, choperias e a escalinata, escadaria que servirá de arquibancada para eventos e pequenas apresentações, visando a incentivar o uso do espaço após a Copa.

O grande diferencial urbanístico do projeto é a integração da arena com o entorno, planejada para incentivar a urbanização do bairro Cidade Alta, onde está localizado.

Reportagem: Silvério Rocha - Foto: Divulgação

O Estádio Beira-Rio, casa do Sport Club Internacional, está sendo modernizado com base no projeto arquitetônico do escritório gaúcho Hype Studio, que capacitará o estádio para receber os jogos da Copa de 2014.

projetos-copa-do-mundo-2014-3A obra será realizada em etapas, a primeira delas a construção da cobertura interna. Na seqüência, serão feitas intervenções internas, como a construção da arquibancada inferior, dos camarotes e do centro de mídia. Os pré-moldados de concreto, esclarecem os arquitetos do Hype Studio, serão usados principalmente nas arquibancadas.

A arquibancada inferior será ampliada e eliminada a antiga coréia e fosso, aproximando assim a torcida do campo, que são exigências do padrão Fifa. Toda a volta do anel inferior receberá camarotes e suítes (serão construídas 88 suítes) e os vestiários serão ampliados e reformados. A capacidade do estádio passará de 56 mil para 60 mil lugares, com cadeiras numeradas.

Aprovado no final de 2008, o projeto batizado Gigante Para Sempre compreende, além da reforma do estádio dos colorados, também a modernização do complexo Beira-Rio, incluindo obras de revitalização da orla do Guaíba. A previsão é que esta parte seja implementada mais tarde. Em abril passado, saiu o edital para a obra de duplicação da Avenida Beira-Rio, que dá acesso ao estádio.
Outras intervenções no Beira-Rio são: dois estacionamentos, um deles com altura abaixo da copas das árvores, para preservar a visão da paisagem de um parque no entorno; e do outro lado do complexo, outro estacionamento, sob uma esplanada. A reforma e adequação do Gigantinho, que poderá receber todo tipo de espetáculo. Novos campos e quadras, que funcionarão como estrutura completa para treinamentos.

Reportagem: Regina Rocha - Foto: Divulgação

Localizado às margens da lagoa da Pampulha, o Mineirão compõe, junto com o ginásio Mineirinho e edifícios construí dos por Niemeyer. o complexo da Pampulha, principal ponto turístico de Belo Horizonte. Inaugurado em 1965, é o segundo maior estádio do Brasil, atrás apenas do Maracanã, no Rio de Janeiro.

projetos-copa-do-mundo-2014-4Para a Copa de 2014, o estádio e seu entorno passarão por intervenções complexas, que o transformarão em um dos mais modernos do Brasil. O projeto assegura a preservação da fachada original. tombada pelo patrimônio histórico de Belo Horizonte, e procurará interferir o mínimo possível na paisagem original do bairro, cercado de matas e árvores.

As intervenções no estádio começarão pelo rebaixamento do gramado em 3.5 metros. O setor da geral será demolido e a arquibancada inferior completamente remodelada. Com isso, o ângulo dos degraus será ajustado, eliminando pontos-cegos e interferências na visibilidade do campo.

Para garantir a rapidez de execução e a qualidade do acabamento, a nova arquibancada será feita com pré-moldados de concreto. Serão peças com dois ou três degraus, com largura variável de 1.75 m a 2,55 m, e comprimento variável de 6,8 m a 7,8 m.

"Usaremos pré-moldados em todas as áreas de geometria replicada. tanto no interior quanto no entorno do estádio'; afirma o arquiteto Gustavo Penna, coautor do projeto.

O Mineirão terá uma cobertura complementar à existente, que cobre o anel superior. O fechamento será feito por membranas transparentes de policarbonato, que terão células fotovoltaicas integradas, permitindo que o equipamento gere energia através dos raios solares.

O projeto contempla sistema de aproveitamento de águas pluviais, iluminação e ventilação naturais e recursos de eficiência energética. Com isso, busca conquistar a certificação Leed de construção sustentável.

Entorno

No entorno do Mineirão será construída uma esplanada de 69 mil m2. A idéia é que a superfície, que comportará até 130 mil pessoas, funcione como espaço para shows e eventos. O pavimento inferior terá pé-direito duplo; estacionamento com 3,1 mil vagas e o subsolo também terá espaço para a instalação de lojas, restaurantes e áreas para a realização de eventos.

Reportagem: Rafael Massimino - Foto: Divulgação

Às margens do Dique de Tororó, na capital baiana, o antigo estádio Octávio Mangabeira começa a ser demolido para dar lugar a um moderno equipamento, a Arena Fonte Nova, concebido segundo o padrão Fifa de equipamento multiuso. O projeto arquitetônico é de autoria dos escritórios Setepla Tecnometal e Schulitz + Partner, vencedores de concurso público promovido pelo governo da Bahia.

projetos-copa-do-mundo-2014-5Do antigo estádio, serão mantidas a geometria oval e a abertura sul com vista para o dique, que caracterizam o projeto original dos anos 1940, de autoria do arquiteto modernista Diógenes Rebouças.
A nova arena terá 50 mil lugares cobertos, com três anéis de arquibancada. O primeiro anel de geometria retangular, terá fileiras bem próximas do campo; os superiores, em formato oval, abrigarão 70 camarotes vip, as tribunas de honra e salas de imprensa. A arena contará ainda com restaurante panorâmico, estacionamento para 1.978 vagas, quiosques, elevadores e sanitários, além do Museu do Futebol, lojas e um centro de negócios.

A cobertura será construída por um sistema de raios metálicos tensionados e anéis de compressão, fechados por membranas translúcidas de PTFE.

Segundo o consórcio das construtoras Odebrecht e OAS, responsável pelas obras da Arena Fonte Nova, a previsão é que a grande maioria das estruturas do estádio - pilares, vigas e lajes, e vigas e degraus das arquibancadas - utilize pré-moldados de concreto. Também parte das fundações deverá ser com estacas pré-moldadas de concreto. Estuda-se ainda a viabilidade da pré-moldagem nas contenções internas (peças de até 3,5 m de altura) e nas escadas internas.

Os pilares, segundo o previsto, poderão ter até 20 m de altura, e as vigas, vãos de até 10 m (com seções variando de 20x50 cm a 50x60 cm). As lajes, do tipo alveolar, serão usadas nas áreas de circulação. Apenas os pilares externos da arena e algumas vigas de transição, muito pesados, não deverão ser pré-moldados, em função da logística da obra, que prevê a entrada de gruas de grande porte em etapa mais avançada.

Os degraus e as vigas das arquibancadas serão peças especialmente desenhadas. Para garantir aos torcedores a maior visibilidade possível do campo, os degraus terão até nove variações. A característica oval da arena determinou comprimentos variáveis das peças de arquibancadas, de 3,5 m nos cantos inferiores a até 10 m na área superior central.

Para a produção destas peças será montada uma fábrica de pré-moldados no próprio canteiro da obra.

Reportagem: Regina Rocha - Foto: Divulgação

Localizado no bairro da Água Verde, na região central da capital paranaense, a Arena da Baixada foi construída no início dos anos 1990. Após anos de tratativas do Clube Atlético Paranaense no sentido de modernizá-Ia, deverá ser reformada agora para que possa sediar os jogos da Copa de 2014. O projeto, de autoria da equipe do arquiteto uruguaio Carlos Arcos, enfatiza o partido de bloco único, ortogonal, com setorização bem orientada, para facilitar as circulações no seu interior.

projetos-copa-do-mundo-2014-6A parte principal da obra é a construção do setor sudeste do estádio, que permite a ampliação das arquibancadas. É nesse setor que será implantado o programa especial da arena. Além das novas arquibancadas - executadas com peças pré-moldadas de concreto - para aproximadamente 12 mil pessoas, a sudeste do estádio estarão distribuídos, ao longo de sete níveis, as áreas de imprensa, comissões técnicas, alimentação, tribuna de honra e parte dos camarotes vip.

Do lado oposto, o setor nordeste do estádio será integrado ao ambiente urbano, pela praça de acesso sobre a qual repousa um volume retilíneo, envidraçado, que demarca a entrada principal do estádio. A Arena da Baixada adota o conceito de equipamento de múltiplo uso, e todos os setores receberão instalações comerciais e praças de alimentação.

Ainda para adequar o estádio às exigências da Fifa, e alterando características originais mais apropriadas para um equipamento de práticas olímpicas, as arquibancadas inferiores foram deslocadas para mais perto do campo, e todos os assentos serão numerados.

Também a cobertura (estrutura metálica e de policarbonato) será reconstruída, com o seu travamento feito por meio de treliças espaciais em forma de arco.

Além da conclusão do setor de arquibancadas paralelo ao gramado, está prevista a remodelação da cobertura do estádio, melhoramentos nos acessos e ampliação do estacionamento. O projeto prevê que a capacidade da Arena da Baixada passe dos atuais 25 mil para 42 mil torcedores.

Reportagem: Regina Rocha - Foto: Divulgação

O novo Estádio das Dunas, que será construído no lugar do Machadão, principal campo da capital potiguar, tem como características centrais uma arquitetura que busca o impacto de formas curvas e a flexibilidade em sua capacidade, podendo diminuir cerca de 10 mil lugares, pós-Copa de 2014. Natal será uma das quatro cidades do nordeste a sediar o campeonato mundial de futebol e seu estádio está projetado com capacidade máxima para 45 mil pessoas.

projetos-copa-do-mundo-2014-7O projeto desenvolvido pelos escritórios Coutinho Cordeiro, Felipe Bezerra Arquitetos e Populous - este último responsável pelo projeto do estádio de Wembley, no norte de Londres -, deixará um importante legado para o bairro da Lagoa Nova. Além do estádio, construído com estrutura mista de aço e concreto, serão erguidos dois centros administrativos, para o Estado e a Prefeitura.

A proposta é requalificar toda a área de 45 hectares no bairro. Parte do terreno será vendida a empresas para que sejam construídos hotéis, centro de convenções, shopping center e outros empreendimentos.

Para não se tornar um "elefante branco" - a média de torcedores presentes aos jogos do campeonato potiguar é baixa -, o Estádio das Dunas terá arquibancadas flexíveis, que deverão ser retiradas após a Copa do Mundo. Cerca de dez mil dos 45 mil assentos poderão ser removidos após os jogos em 2014. A arquibancada terá diferentes inclinações para evitar pontos cegos.

Parte dos 45 mil lugares das arquibancadas assimétricas, com diferentes inclinações, será fabricada com perfis metálicos, aparafusados a uma base de concreto, podendo ser retirada. Esse sistema será usado também no Verdão, estádio de Cuiabá.

O estádio está orçado em aproximadamente R$ 400 milhões e o governo estadual deve iniciar em outubro próximo a construção da arena.

Recentemente, o projeto do Estádio das Dunas venceu o prêmio de arquitetura corporativa, em São Paulo e foi coroado como maior destaque do evento.

Reportagem: Rafael Fiuza - Foto: Divulgação

Entre as quatro cidades-sede do Nordeste do Brasil, Castelão é o único estádio que poderá receber a abertura da Copa do mundo de 2014. Palco de inúmeros jogos da seleção brasileira, o Estádio Castelão será o único estádio do Nordeste com capacidade para fazer a abertura da Copa.

projetos-copa-do-mundo-2014-8Inaugurado em 11 de novembro de 1973, o estádio comporta atualmente cerca de 60 mil pessoas e deve ser ampliado para 66.5 mil pessoas até dezembro de 2012, quando a obra deve ser entregue. O projeto conta ainda com a construção, pós-copa, de um complexo olímpico e um centro de compras.

Localizado ao sul da cidade de Fortaleza, no bairro de Passaré, o estádio do Castelão se encontra a 3 km do aeroporto Internacional Pinto Martins.

Parte da estrutura existente será demolida para a construção de tribunas de honra, camarotes, novos vestiários e centro de imprensa, entre outros. O projeto também prevê a criação da praça elevada para acesso ao estádio. A entrada poderá ser feita por todo o entorno do Castelão.

De acordo com o arquiteto responsável pelo projeto do Castelão. Ronald Werner Fiedler, do escritório Vigliecca e Associados, o estádio tem todas as características necessárias para fazer a abertura da Copa, mas dificilmente será o escolhido. "A Fifa nos direcionou a aumentar a capacidade do estádio para estar apto a receber a semifinal, mas a decisão deve ser política'; disse o arquiteto.

Fiedler ainda comentou sobre a construção das arquibancadas restantes no estádio. "No Brasil, ainda não temos tecnologia apropriada para a construção de arquibancadas, porém o sistema pré-fabricado de concreto é. atualmente. o principal instrumento para este tipo de construção".

Com as suspeitas de irregularidades na licitação da reforma do estádio, o início da obra, no valor de R$ 452 milhões, deve ser adiado até a definição do imbróglio judicial. De acordo com a FIFA, a data-limite para a entrega da obra é no último dia de 2012.

Curiosamente, o estádio Governador Plácido Castelo não atingiu o seu maior público com um jogo de futebol. Em 1980, o então Papa João Paulo 11 foi recepcionado ali para celebrar o X Congresso Eucarístico Nacional. Na ocasião, estiveram presentes 120 mil pessoas.

Reportagem: Rafael Fiuza - Foto: Divulgação

Inaugurado para a Copa de 1950 como o maior estádio então já construído, o Maracanã, localizado no bairro homônimo no Rio de Janeiro, passará por extensa reformulação para abrigar os jogos do Mundial de 2014. Um novo setor de arquibancadas, a cobertura completa dos assentos e um plano de revitalização urbanística do entorno são as principais mudanças que entrarão em curso a partir de agosto, mês previsto para o início das intervenções.

projetos-copa-do-mundo-2014-9Seguindo as novas regras de segurança e conforto da Federação Internacional de Futebol (Fifa) , o estádio que já recebeu quase 200 mil torcedores terá sua capacidade reduzida para 70 mil pessoas. A reforma para 2014 mantém a fachada original tombada do estádio, mas prevê a remodelação completa do interior, a começar pela reconstrução do anel inferior de assentos.

A estrutura desta arquibancada adotará geometria elíptica para corrigir curvas de visibilidade e eliminar pontos-cegos.
Será erguida com pré-moldados de concreto. Uma série de peças verticais, de grande dimensão, será encaixada a peças horizontais para caracterizar os degraus.

"Pensamos em utilizar uma estrutura metálica para a arquibancada, mas logo na primeira avaliação técnica vimos que tinha de ser em concreto. Padronização, tempo de execução e custo foram as vantagens observadas'; explica o engenheiro Ícaro Moreno Júnior, presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), responsável pelo projeto e o gerenciamento das obras do Maracanã.

O anel inferior ficará 14 metros mais próximo do gramado que o atual, prolongamento que também poderá ser executado com lajes pré-fabricadas. (A segunda opção é o concreto moldado in loco.)

Os camarotes do Maracanã serão transferidos do terceiro pavimento para dois andares intermediários entre as arquibancadas inferior e superior. Neste local, as 110 cabines terão vista privilegiada do campo, o que favorece a comercialização dos espaços após a Copa.

Outra intervenção complexa será a construção da cobertura, que terá estrutura metálica tensionada e revestimento com membrana de PTFE (teflon).

As obras para a Copa de 2014 começaram em maio. Quatro rampas externas - os novos acessos -, também devem usar pré-fabricados de concreto.

No entorno do Maracanã será reservada uma área de 85 mil m2 para a construção das vilas de hospitalidade, espaços que reúnem convidados e patrocinadores da Fifa. A prefeitura e o governo do estado viabilizaram até o momento 10.771 vagas de estacionamento para a época do Mundial.

Reportagem: Rafael Massimino - Foto: Divulgação

O estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, inaugurado em 1970, dará lugar à Arena da Amazônia, projetada pelo escritório alemão GMP (Von Gerkan. Marg und Partner). O novo estádio de Manaus será erguido pela construtora Andrade Gutierrez e terá capacidade para 44.310 pessoas.

projetos-copa-do-mundo-2014-10"Em Manaus, é fundamental usar o máximo possível de concreto, porque existe uma alta capacidade das empre-sas brasileiras para trabalhar com esse material': Em 2009. a afirmação de Ralf Amann. engenheiro-arquiteto e membro do escritório alemão GMP. já sinalizava: os pré-moldados seriam utilizados no novo estádio da capital amazonense.

Segundo o arquiteto do Grupo Stadia, Renato Costa da Silva, a Arena da Amazônia terá pré-moldados em todas as arquibancadas inferiores e superiores, além de algumas escadas de circulação de espectadores. No entorno do Vivaldão, na esplanada de acesso ao estádio, haverá também a utilização de pisos intertravados. "Isso possibilita a produção da estrutura em paralelo com outros serviços como terraplenagem. fundações'; explica o arquiteto.

Outra vantagem dos pré-moldados na construção da Arena é a precisão dos elementos estruturais e um acabamento mais qualificado. "Eles também minimizam os problemas de retração. da estrutura de concreto. reduzindo a fissuração e aumentando a vida útil da estrutura; afirmou Silva. Em relação à especialização da mão de obra. o arquiteto explica que os profissionais podem ter a mesma formação dos que trabalham em estruturas moldadas no local. ''A produção é repetitiva. O treinamento nas operações especializadas do pré-moldado é bastante rápido'; conta.

Segundo o engenheiro Enrique Marchetti Rios, da Lauro Rios Engenharia. a área de trabalho necessita ser maior, devido ao tamanho das peças. Além disso, é essencial que o canteiro fique próximo à obra.

O motivo da escolha dos pré-moldados é técnica. No caso da Arena da Amazônia isso ocorre, pois há impacto direto no prazo de execução. Silva explica que há um melhor planejamento e a probabilidade de atrasos é menor. "O cumprimento dos prazos torna-se mais seguro e confiável'; disse.

No projeto, cerca de 95% do concreto a ser usado virão da reciclagem da própria demolição do antigo estádio. A Andrade Gutierrez instalará uma míniusina para reciclagem do material, tanto o concreto quanto a argila, que serão retirados durante a demolição.

Reportagem: Diego Salgado - Foto: Divulgação

A nova arena pernambucana será construída em São Lourenço da Mata-PE, a cerca de 20 km do Recife, e é a única entre os 12 estádios brasileiros para a Copa que terá um novo endereço - as outras 11 sedes irão realizar reformas, ampliações ou demolições.

Além disso, há projeto para a construção de uma "cidade" no entorno do estádio, que contará com complexo residencial com nove mil unidades. O custo total chegaria a R$ 2 bilhões e a obra da arena está orçada em R$ 464 milhões. Há grande possibilidade que o governo pernambucano faça uma PPP (Parceria Público-Privada), com prazo de concessão de 33 anos.

projetos-copa-do-mundo-2014-11O projeto do estádio para pouco mais de 46 mil torcedores foi desenvolvido pelo escritório Fernandes Arquitetos Associados. A área de construção é de 130 mil metros quadrados. Segundo o arquiteto Daniel Fernandes, os pré-moldados de concreto provavelmente serão utilizados na construção da arena. "Essa é uma decisão que ainda depende de confirmação do projeto executivo, mas é quase certo que serão usados pré-moldados na arena; se não forem utilizados na estrutura, certamente teremos algo no piso ou vedação': disse.

No entorno do estádio, a previsão é de que sejam usados pisos intertravados ou placas de concreto. Na parte estrutural. se utilizados, os pré-moldados estarão nas arquibancadas da Arena Capibaribe. O sistema também pode aparecer na vedação e no acabamento - talvez nos dois, simultaneamente. Fernandes explica que a escolha desse tipo de sistema construtivo é estritamente técnica e não financeira. 'Às vezes o custo é maior, mas o processo de montagem e o tempo de execução compensam o investimento e o custo-benefício acaba valendo': afirma.

No caso da arena pernambucana, a escolha pelos pré-moldados torna essencial a utilização de uma mão de obra especializada, pois o manuseio e o modo de trabalho são diferentes. Em relação à conclusão do estádio e a possibilidade de uma obra mais rápida, Fernandes avalia que tudo depende de "condições de fabricação e transporte de peças': Segundo o arquiteto, a dimensão do canteiro de obra, que pode ter sua estrutura modificada por conta do tamanho das peças pré-moldadas, ainda não foi definido.

Reportagem: Diego Salgado - Foto: Divulgação

Concebido pelo escritório Castro Mello Arquitetos, o Estádio Nacional foi a ponta de lança da candidatura de Brasília a cidade-sede da Copa de 2014. Mais do que garantir a realização de um dos jogos principais do torneio (as solenidades de abertura ou final), a nova arena foi desenhada para impressionar a comissão de avaliadores da Fifa e sacramentar a escolha da capital.

projetos-copa-do-mundo-2014-12A estratégia, que se provou bem-sucedida, começou com a escolha dos projetistas. A família Castro Mello tem seu nome ligado à arquitetura esportiva há três gerações.

Inaugurado em 1974 no centro de Brasília, próximo ao Eixo Monumental, o Mané Garrincha é bem tombado pelo patrimônio histórico; obras como essa na capital só podem ser alteradas pelo autor do projeto.

Pela nova concepção, o estádio deixa de ser olímpico para se tornar moderna arena de múltiplo uso. O atual nível do gramado será rebaixado 4 m para adequar o ângulo de visibilidade das arquibancadas. Serão erguidos dois anéis de assentos; o nível intermediário será dividido em dois pavimentos com camarotes e cadeiras especiais.

A estrutura do estádio adotará o concreto moldado in loco. A construtora e os responsáveis pela obra não descartam, porém, futura revisão do projeto e a eventual adoção do sistema construtivo com pré-moldados de concreto.

Multiuso

A proposta do governo é que o Estádio Nacional funcione como espaço de usos diversificados, comportando especialmente shows nacionais e internacionais. Projetada pelo escritório alemão von Gerkan, Marg und Partner (GMP), a cobertura foi pensada para atender a essa função.

Ela será estruturada sobre dois anéis metálicos concêntricos que trabalharão sob pressão - uma "tensoestrutura" nas palavras de Eduardo de Castro Mello. A parte externa será apoiada em uma linha de pilares independentes, enquanto o anel interno estará tensionado pela própria membrana de fechamento, que será feita de PTFE (teflon). A previsão é que o campo receba uma cobertura retrátil, com sistema de cabos de aço deslizantes.

O Estádio Nacional também terá vários dispositivos para reduzir o consumo de energia e água do edifício, como equipamentos para armazenagem e reuso de água e painéis fotovoltaicos integrados à cobertura. Sistemas para aproveitar ventilação e iluminação naturais também integram o projeto. A arena pretende receber o selo Leed de construção sustentável na modalidade Silver.

Reportagem: Rafael Massimino - Foto: Divulgação

Fonte:

CBCA / Revista Prisma
Publicação: 27/09/2010

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