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Panorama Mundial do Aço

A produção brasileira de aço bruto em 2010 não atingirá exatamente os mesmos níveis pré-crise, mas, segundo previsão do Instituto Aço Brasil, a recuperação será significativa. Com aumento de 25,1% em relação a 2009, a produção brasileira de aço bruto deve alcançar 33,1 milhões de toneladas este ano. O aumento do consumo aparente previsto é de 24,4%, totalizando 23,1 milhões de toneladas, o que representa desempenho melhor do que o previsto para a indústria mundial do aço. Segundo o World Steel Association, em 2010, o consumo aparente mundial deve ser de 1,2 bilhão de toneladas, o que significa 10,7% a mais do que em 2009. No ano que vem a demanda mundial deve crescer 5,3%.

As previsões do WorldSteel, porém, foram feitas antes dos anúncios de aumento de preço das matérias-primas, como minério de ferro e carvão. Esses movimentos podem, segundo o próprio WorldSteel, influenciar a retomada da indústria mundial do aço. Independentemente disso, a previsão é de que os melhores desempenhos continuem sendo registrados nas economias emergentes. Nos países desenvolvidos a recuperação deve ser mais tímida. Depois do fôlego proporcionado pelos pacotes de estímulos governamentais, as preocupações são como manter o balanço fiscal e evitar pressões inflacionárias.

Qualquer que seja o cenário, a China continua sendo o principal destaque da produção mundial de aço. Enquanto no ano passado o aumento do consumo aparente de aço chinês foi de 24,8% na comparação com o ano anterior, em 2010 esse incremento deve ser de 6,7%, segundo o WorldSteel. No ano que vem, o crescimento deve ser de 2,8%, o que significa que a China terá consumo aparente de 595 milhões de toneladas, respondendo por 45,5% do total mundial.

A Índia, cuja demanda se manteve estável durante a crise, deve ter crescimento de 13,9% na demanda por aço em 2010. No ano que vem, o consumo aparente de aço na Ídia deve ser de 71,6 milhões de toneladas. Saindo dos países emergentes, a situação muda. Nos EUA, o consumo parente de aço caiu 41,6% no ano passado em relação ao ano anterior; deve crescer 26,5% este ano e 7,5% em 2011, o que levará o país de volta ao desempenho de 1991.

A Europa, o consumo aparente caiu 35,2% em 2009, especialmente por causa do colapso no setor da construção civil na Itália e na Espanha. Este ano, o consumo aparente de aço nos países europeus deve crescer 13,7% e, no ano que vem, 7,9%, chegando a 145 milhões de toneladas, voltando aos níveis de 1997. Enquanto o comércio internacional se recupera, a indústria brasileira do aço continua priorizando o mercado interno e trabalhando para manter forte posição exportadora.

Os bons resultados do primeiro trimestre de 2010 confirmam a visão otimista da indústria brasileira do aço, ainda em recuperação depois da crise econômica internacional. Os indicadores mostram o acerto das ações do governo para estimular a retomada do crescimento e equacionar problemas de tributação, logística e burocracia, além de outros.

As importações crescentes participaram em 20% na formação do consumo aparente (vendas internas mais importações de terceiros). Face aos riscos à segurança das construções e de seus usuários, tornou-se permanente a preocupação com a fabricação de produtos em aço com materiais fora da especificação das normas brasileiras. É um quadro que requer atenção e está associado às taxas de câmbio e, em parte, às assimetrias nas condições de concorrência com empresas internacionais.

Fonte:

Infomet / Metalurgia & Materiais
Publicação: 28/06/2010

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