Praticidade do "drywall" é descoberta por quem reforma ou constrói a própria casa.
A rapidez e a praticidade das paredes de gesso acartonado, o drywall, estão caindo nas graças de quem quer reformar ou construir. É que o sistema - inicialmente adotado apenas por construtoras - permite que se levante uma parede em apenas quatro horas e, o melhor, sem quebra-quebra. Trata-se de uma tecnologia de montagem, que tem como estrutura perfis metálicos, sobre os quais são encaixadas as chapas.
- Como meu apartamento tem paredes de drywall, já conhecia bem o sistema. E, quando resolvi fazer um quarto para minha filha, essa opção foi natural. Os operários começaram a montagem às 8h e ao meio-dia a parede estava de pé. E o preço foi equivalente ao de alvenaria - conta a publicitária Cristina Kerr, ressaltando, entretanto, que na hora da obra sentiu um pouco de aflição. - É que é tudo tão simples que dá aparência de fragilidade.
A fonoaudióloga Carolina Brito foi além. Construiu os três quartos no segundo andar da cobertura onde mora, no Leblon, com drywall. Paredes externas e telhado prontos, as divisórias foram erguidas em uma semana:
- Minha escolha foi feita pela praticidade, já que não podia sair de casa para realizar a obra, e pela possibilidade de ter uma planta mais flexível. Qualquer alteração que eu queira fazer mais tarde será resolvida sem estresse.
Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas de Drywall, o mercado nacional do material cresceu 9,4% de 2003 para 2004. E a expectativa para este ano é de uma alta em torno de 15%.
- Dentro deste mercado, o que mais cresce são as pequenas obras e reformas. Não temos uma pesquisa segmentada, mas a percepção é de que a média é superior a do crescimento nacional como um todo. Com mais informações, os preconceitos sobre esse material estão caindo por terra - diz Carlos Roberto de Luca, consultor-técnico da entidade.
Luca acrescenta que este ano serão realizados 41 seminários sobre o sistema no país. A associação faz ainda um trabalho intensivo com corretores para que eles tirem dúvidas de quem compra imóvel. É que, apesar de a tecnologia ter dez anos de Brasil, há muito desconhecimento sobre ela. Entre as construtoras, entretanto, o drywall ganha espaço. Na Gafisa, é usado em 50% a 60% das obras.
- É uma tendência sem retorno, largamente adotada nos EUA e na Europa. E que foi fundamental para fazermos projetos mais flexíveis - diz Mário Rocha, diretor de Operações da Gafisa, em São Paulo - SP.
Diretor-executivo da Modular/Parceria Engenharia, especializada na montagem de drywall, Raphael Câmara espera um aumento da demanda de 25%, via construções indIviduais e reformas:
- Em 2000, eram três prédios no Rio com paredes de drywall, hoje são 40. Com isso, as pessoas estão conhecendo mais o produto e suas facilidades.
Embora esteja satisfeita, Cristina diz que há vizinhos que reclamam da acústica do gesso acartonado:
- Eles se queixam que ouvem os moradores dos apartamentos ao lado. Eu, particularmente, nunca ouvi nada. A acústica, aliás, é um dos problemas do sistema. Há quem, entretanto, garanta que as paredes de gesso funcionem melhor como isolante do que as de alvenaria:
- Problema de acústica só se for por má execução da obra: o colchão de ar que fica entre as placas de gesso funciona como um amortecedor do som - afirma Salvador Duarte, gerente de Marketing da Lafarge Gypsum, fabricante de drywall.
- A boa performance acústica do sistema já foi provada em testes de laboratório - acentua Marcella Carvalhal, gerente de Marketing da Klabin Segall, uma das primeiras construtoras brasileiras a usar o gesso acartonado.
Rapidez: Uma parede de 12 metros quadrados. feita em alvenaria, leva cerca de 48 horas para ficar pronta para pintura. Em drywall, quatro horas.
Desperdício: Obras feitas com chapa de gesso têm até 5% de perda. Na construção tradicional, a taxa chega a 30%.
Acústica: Há muitas reclamações sobre vazamento de som de uma unidade para outra. Mas especialistas afirmam que uma parede com uma chapa de drywall de cada lado do perfil metálico tem isolamento de 38 decibéis (igual ao de uma de tijolo); e que paredes entre imóveis, nas quais se usa chapa dupla, o isolamento é de 45 decibéis Cna de alvenaria, de 41 a 42 decibéis).
Flexibilidade: As paredes de gesso acartonado dão mais flexibilidade ao projeto. Como são mais leves (22kg por metro quadrado, contra 120kg da alvenaria), podem ser instaladas independentemente de vigas, o que reduz em 10% os gastos com fundações.
Peso: São necessárias buchas, pregos e parafusos especificas para prender qualquer coisa ao drywall. Eles são fáceis de encontrar, mas mais caros do que os convencionais. Em caso de prateleiras, suporte de TV s, em que há peso, é preciso fazer um reforço na parede, com estrutura de madeira, instalada entre as chapas.
Preço: A necessidade de mão-de-obra especializada acaba encarecendo o serviço, o que, entretanto, é compensado pela agilidade da execução. Considerando ainda o menor desperdício, segundo especialistas o custo fica equivalente ao da construção convencional.
Informaçoes: Informações sobre fornecedores de materiais. cursos e seminários podem ser obtidas no site da Associação dos Fabricantes de Chapas de Drywall (www.drywall.org.br).
CBCA
Jornal O GLOBO - Seção "MORAR BEM" - 24 de abril de 2005