Perspectivas para o mercado de tubos

Abemi acredita no potencial do setor

Entidade destaca quais serão os tubos favorecidos nos principais projetos de infraestrutura no país

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Congregar e representar as empresas de engenharia associadas, exercer a defesa dos interesses coletivos no relacionamento com clientes na representação institucional perante órgãos públicos e na reunião de conhecimentos na busca da competitividade do setor, além de contribuir para o desenvolvimento econômico social do País. Essa é, em linhas gerais, a missão da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), entidade civil, sem fins lucrativos fundada em maio de 1964 por um grupo de empresários que tinha por objetivo conseguir que suas empresas de engenharia e montagem industrial tivessem representatividade junto aos contratantes. Hoje, a entidade conta com 132 associadas e mantém os princípios e objetivos originais, sempre ampliando seus horizontes, formas de atuação e abrangência social, de forma a acompanhar as exigências e prioridades nos parâmetros das transformações das forças do mercado, que vive hoje, simultaneamente, a saída gradual do Estado dos vários setores e a abertura do País às tendências globalizantes.

Para contar um pouco sobre as ações da Abemi e os projetos de infraestrutura endereçados ao Brasil por conta da exploração do pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíadas, o engenheiro civil, Guilherme Pires de Mello, diretor de petróleo e gás da Abemi recebeu a revista Tubos & Companhia, na sede da Techint Engenharia e Construção, onde é o diretor de operações para o Brasil.

 

Tubo: Qual tem sido o papel da Abemi em prol do desenvolvimento do País?

Guilherme: Todas as grandes obras realizadas no Brasil nos últimos 40 anos têm participação direta de empresas associadas à Abemi. A atuação das empresas de engenharia industrial vai desde o projeto e construção das plataformas para exploração de petróleo, instalações industriais de grande porte, ferrovias, rodovias, grandes pontes, estaleiros navais, portos e aeroportos, até a produção de componentes e equipamentos para essas realizações. A entidade tem jogado um papel fundamental no desenvolvimento da indústria de base, por exemplo, com os programas para a formação e treinamento de profissionais especializados.

Como a Abemi analisa o atual cenário de investimentos em projetos de infraestrutura no Brasil para os próximos seis anos?

O setor de engenharia industrial passou por uma profunda crise durante as décadas de 1980 e 1990, em função de mudanças na economia brasileira. De um lado, com a abertura do País às importações, várias indústrias nacionais encerraram ou reduziram suas atividades. Na área governamental, o País sofreu uma completa paralisia de investimentos, o que gerou uma enorme ociosidade nas empresas de engenharia, com a perda de profissionais importantes, que detinham conhecimento técnico e experiência. Por causa disso o Brasil perdeu grande parte da expertise que havia conquistado nas décadas anteriores, a duras penas.

Agora com a retomada dos investimentos do governo, a perspectiva de exploração do pré-sal, e com as obras de infraestrutura que serão necessárias para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, o País passa por um ciclo quase inédito de desenvolvimento e essa tendência deve prosseguir pelos próximos cinco ou seis anos. Um levantamento recente, realizado por empresas interessadas na Copa de 2014, indicou a necessidade de investimentos da ordem de 100 bilhões de reais na renovação de estádios e nas obras de transporte e mobilidade urbana. Em fevereiro deste ano, a agência norte-americana de classificação de risco Standard & Poor’s projetou investimento de até 500 bilhões de dólares no Brasil até 2016, considerando os eventos esportivos, projetos de petróleo e gás e obras de infraestrutura. Então, o cenário é muito positivo e precisa ser aproveitado para fortalecer as cadeias produtivas, formar profissionais e desenvolver tecnologia.

Do montante de investimentos em infraestrutura, destaque quais projetos deverão impulsionar maior demanda de tubos?

Os principais projetos estão ligados à área de óleo e gás, na continuidade do projeto Plangás, numa segunda fase do PAC. E, claro, os projetos de complementação do pré-sal. Nessa mesma linha, outra área para a qual prevemos demanda é a de biodiesel/biocombustíveis, com destaque para o alcoodutos. Hoje, há uma série de projetos de alcoodutos em fase de estudo de viabilidade técnica e algumas empresas estão promovendo associações, entre elas a Petrobras, visando negócios na área. Nesse caso, os tubos que serão requeridos são para escoamento/exportação da área central do Brasil até o porto (Santos, principalmente). Outra área para a qual há alguma previsão de investimentos é a de saneamento básico, o que pode resultar em demanda de tubos tanto para água como para esgoto.

Quais serão os tipos de tubos favorecidos?

Em geral, tubos de aço carbono, e vai existir demanda para tubos com costura e sem costura. Na área do pré-sal, por exemplo, haverá demanda pelos dois tipos: sem costura (áreas de processos) e com costura (escoamento).

Como o setor de tubos deve se preparar para atender a demanda destes projetos?

Na verdade, o setor de tubos já vem se preparando no Brasil. As indústrias, no geral, têm feito investimentos na ampliação da capacidade instalada, melhoria tecnológica do processo de fabricação, o que gera mais qualidade e produtividade, e também na formação de pessoal. É importante citar que a indústria siderúrgica, que é quem fornece material para a fabricação de tubos, caminha na mesma direção: praticamente todas as usinas do País estão ampliando sua capacidade. Fora o movimento de instalação de novas siderúrgicas, o que indica aquecimento na demanda de aço, e o setor de tubos tem muito a ver com isso.

Como o senhor avalia a qualidade de tubos produzidos no Brasil, destacando quais diferenciais são encontrados em relação aos tubos fabricados em outros países?

Os tubos produzidos no Brasil são de primeiríssima linha. A indústria daqui está habituada a padrões rigorosos de qualidade – a área óleo e gás é um exemplo, tem as inúmeras exigências sobre os produtos (tubos de alta pressão), que são atendidas com excelência pelas empresas. O controle de qualidade que temos hoje nas fábricas é, em parte, resultado do esforço das empresas para atender os requisitos dos clientes, como a Petrobras, que é absolutamente exigente nesse sentido.

Quais barreiras ainda devem ser vencidas no setor de tubos para que eles cheguem aos futuros projetos?

Eu diria que um aspecto importantíssimo, não diretamente para o setor de tubos, mas, como conseqüência, para que os projetos efetivamente se tornem realidade, passa pelas barreiras ambientais. Este é um tema muito importante à medida que a passagem do duto demanda áreas que necessitam de uma licença ambiental. Portanto, a viabilização das licenças torna-se fundamental para que estes projetos se desenvolvam e os tubos façam parte deles.

Fato da existência de uma carência de mão de obra especializada capaz de atender a demanda dos projetos voltados para a infraestrutura, quais têm sido as ações da Abemi para reverter este quadro?

Neste aspecto, nós temos trabalhado junto com a Petrobras e o Programa de Mobilização Nacional da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp). Neste trabalho em conjunto, nós temos o plano nacional de desenvolvimento de mão de obra: programa que trabalha desde a mão de obra do profissional de nível médio até o superior.  Com este programa, já conseguimos formar mais de 90 mil profissionais. Este é um trabalho extremamente profissional porque conseguiu envolver universidade e centro de ensinos de todas as regiões do País. Para se ter uma ideia, este trabalho analisou a demanda de cada região, como também o tipo de demanda por tipo de função e, a partir deste mapa, criou vagas nas instituições de ensino locais para a formação dessa mão de obra especializada. Eu diria que este foi um trabalho extremamente focado e os resultados têm sido positivos.

Fonte:

Revista Tubos & Cia – ano VI – edição nº 30
Publicação: 15/09/2010


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