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Os cuidados na execução do contrapiso flutuante acústico
A execução de um contrapiso flutuante deve ter um projeto bem detalhado, com dados determinando a espessura, o tipo de manta acústica, detalhes construtivos, como juntas de movimentação e posicionamento de armaduras.


Os ruídos de impacto nas lajes dos apartamentos vêm motivando reclamações dos usuários de imóveis. A questão tomou contornos problemáticos em razão da racionalização da construção, movimento surgido nos últimos 10 anos, quando as construtoras começaram a utilizar a laje zero, mais esbelta, conceito emprestado da execução de pisos de concreto industriais, que preveem nivelamento a laser, sem necessidade do uso de contrapisos. Porém, o item começou a ser questionado pelos consumidores, levando muitas construtoras a voltarem atrás pelo mau desempenho acústico resultante dessa solução.

Para tentar reduzir os problemas, várias empresas partiram então para a solução do contrapiso flutuante, executados com uma manta de borracha reciclada ou lã de vidro, lã de rocha, lã de pet, entre outros materiais resilientes, colocada entre o contrapiso estruturado ou não com tela metálica e a laje. Erros e exageros foram cometidos ao se adotar lajes zero. As unidades eram entregues com lajes de até com 7 cm de espessura. Várias construtoras começaram, então, a aumentar as espessuras das lajes, já que os ruídos de impacto aumentam 1 dB para redução de 1 cm na espessura. Mas a solução mais indicada é a adoção dessas bases elásticas que contribuem para o efeito massa-mola-massa.
Norma de Desempenho

Agora, com a entrada em vigor da NBR 15.575, a norma determina que, sob ação de uma máquina de impactos padronizada, atuando sobre a laje, o máximo nível de pressão sonora registrado no ambiente sob a laje não deve ultrapassar 80 dB, o que equivale aproximadamente a uma laje maciça de 12 cm de espessura. As mantas acústicas em geral atendem aos níveis Intermediário e superior determinados pela Norma de Desempenho, com resultados que variam de acordo com a espessura da manta e da estrutura do edifício.

Quanto aos ruídos transmitidos pelo ar, a norma admite um valor mínimo de 45dB. Além disso, como as lajes estão ficando mais esbeltas e mais deformáveis, o contrapiso tem a função de absorver as tensões entre a estrutura e o revestimento. Assentar o revestimento cerâmico diretamente em uma laje sem contrapiso pode resultar em seu destacamento, já que passa a atuar como capa de compressão da laje. O contrapiso, portanto, também tem uma função de camada de amortecimento entre a estrutura e o revestimento.

Ao mesmo tempo, a execução de um contrapiso flutuante não é tão simples como parece, e deve ter um projeto bem detalhado, com dados como a espessura do contrapiso, o tipo de manta acústica (sua densidade e rigidez dinâmica), detalhes construtivos, como juntas de movimentação e posicionamento de armaduras e as características da argamassa.

É necessário observar uma execução rigorosa, pois qualquer contato da laje com as paredes, rodapés e contramarco de portas e componente da vedação vertical pode resultar na transmissão de vibração pela estrutura do prédio , perdendo boa parte do resultado esperado.

Outra recomendação importante é evitar rasgos na manta aplicada, pois qualquer contato entre o contrapiso e a laje, pode invalidar o efeito da base elástica. Nas regiões de emendas é necessário fazer uma sobreposição das mantas de pelo menos 10 cm.
Recomendações para execução de contrapiso flutuante

a) Em primeiro lugar é sempre importante seguir o projeto e levar em conta as recomendações do fabricante de cada tipo de manta.

b) Antes da execução do contrapiso flutuante é necessário proceder a uma varrição completa da laje, pois qualquer pedrisco que ficar entre o contrapiso e a laje serve de ponte acústica, reduzindo muito a característica isolante da manta. (Foto 1)
Foto 1: varrição completa da laje
c) A espessura da manta, geralmente entre 3 mm a 15 mm, varia em função da compressibilidade e densidade do material especificado. (Foto 2)
Foto 2: espessura da manta
d) A manta acústica deve ser colocada sobre a laje antes da execução e posicionamento das mestras e das taliscas. Nunca cortar a manta na região das taliscas. Depois deverá ser feito o sarrafeamento com régua metálica. (Foto 3)
Foto 3: sarrafeamento com régua
e) No encontro com as paredes e outras superfícies verticais, deve ser deixada uma sobra de 10 a 15 cm para garantir a subida da manta até o rodapé. Coloque as tiras de rodapé por trás da manta em volta de toda a parede. O contrapiso acústico não pode ter contato direto com nenhuma parte da estrutura. (Foto 4)
Foto 4: colocar tiras de rodapé
f) Em geral a consistência da argamassa à base de cimento e areia a ser aplicada sobre a manta é semi-seca. Depois, ela deve ser compactada com soquete.
(Fotos 5 e 6)
Foto 5: consistência da argamassa
Foto 6: compactação com soquete
g) É preciso medir os níveis da laje, estipulado um ponto de referência e levando em conta a espessura e planicidade da laje.

h) A argamassa de contrapiso precisa ser aplicada em duas camadas, quando for usada a tela metálica eletros soldada entre elas. É preciso tomar extremo cuidado no momento da compactação para não deslocar a tela de sua posição.

i) Quando a manta é mais rígida, em vez da tela, podem ser usadas fibras sintéticas no traço da argamassa para estruturar o contrapiso. (Foto 7)
Foto 7: fibras sintéticas
j) Depois de terminada a execução da camada superior o contrapiso precisa ser protegido com lona plástica para não perder a umidade para que haja a cura adequada.
Fonte: Pro Acústica
Data de publicação: 25/09/2013