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Princípios básicos do controle da corrosão na etapa de projeto
Introdução

Corrosão pode ser definida como sendo a degradação de um metal através da reação com o ambiente que o circunda.

Existem três estágios importantes na vida de um componente: projeto, construção e utilização. O controle da corrosão desempenha um papel importante em cada um destes estágios:

A falha de qualquer um destes aspectos do controle da corrosão resultará, possivelmente, na falha falha prematura da estrutura.

O controle da corrosão pode ser feito de vários modos, mas os mais importantes são:

Alteração do projeto;
Modificação do ambiente;
Aplicação de revestimentos de barreira;
Seleção de materiais;
Proteção anódica ou catódica.
Este artigo técnico tratará somente de idéias e conceitos gerais do controle da corrosão através da alteração de projeto.

1 - Evite o contato elétrico entre metais e ligas diferentes

Evite todos os pares bimetálicos possíveis. Não é verdadeiro dizer que a junção de metais distantes na série galvânica provocará problemas de corrosão. Existem inúmeros exemplos de metais ou ligas conectados elétricamente que nunca apresentaram problemas. A corrosão só acontecerá se uma cela galvânica for formada, isto é, se houver dois metais ou ligas situados distantes na série galvânica conectados elétricamente e imersos em um mesmo eletrólito.

Os efeitos galvânicos acontecem quando a diferença de potencial medida (com um multímetro, p.ex.) entre os dois metais ou ligas imersos no mesmo eletrólito particular supera os 0,05 V.

O meio mais comum de se prevenir da corrosão galvânica é intercalar, entre os dois metais ou ligas, um isolante elétrico. Dentre os muitos compostos orgânicos existentes no mercado alguns resistem às altas pressões de contato exigidas em muitas situações. É importante ressaltar que o material isolante não deve ser poroso, pois ele poderia absorver água e propiciar a formação da corrosão por frestas. A utilização de juntas coladas auxilia em muito a prevenção da corrosão galvânica, impedindo o ingresso de eletrólitos2. Algumas vezes é conveniente introduzir uma peça intermediária, que pode ser facilmente substituída ou então
que tenha um potencial intermediário3. Um exemplos desta última situação é o do uso de arruelas de zinco entre parafusos de aço conectando chapas de alumínio.

Outra solução possível é a utilização de pintura. Recomenda-se pintar os componentes mais nobre e os menos nobre. Caso não se possa pintar todo o conjunto, recomenda-se pintar o membro mais nobre do par galvânico (membro catódico); a pintura do membro menos nobre (anódico) pode agravar a situação, pois ela poderá levar ao intenso ataque por pites nos poros do revestimento.
2 - Evite celas de aeração diferencial

A corrosão bimetálica é bastante comum e destrutiva, mas celas de aeração diferencial causadas por diferenças de oxigenação do eletrólito são ainda mais comumente observadas, e costumam causar estragos ainda maiores.
Uma cela de aeração diferencial pode ser desenvolvida em qualquer situação onde a água estiver em contato com uma superfície. Assim, todo cuidado deve ser tomado para se prevenir do ingresso da água em áreas onde ela possa ficar retida por longos períodos. Frestas potenciais devem ser preenchidas com selantes (epoxídicos, poliuretânicos ou à base de silicone); os componentes devem, costumeiramente, possuir furos de drenagem. Permita a ventilação de todo conjunto, para que a água possa evaporar.

Os exemplos de pilhas de aeração diferencial são muitos:

Frestas

Qualquer ponto onde duas superfícies metálicas são separadas por uma pequena distância é uma cela de corrosão em potencial. A umidade entra pela fresta, em muitos casos, por ação capilar. Onde o líquido está em contato com o ar, o oxigênio consumido no processo de corrosão é rapidamente reposto, mas, no fundo da fresta, a água estará empobrecida em oxigênio. O oxigênio do exterior deve se difundir através do eletrólito para atingir o fundo da fresta. Isso costuma ser muito dificultado pelas condições de estagnação do líquido e pela existência de produtos de corrosão que dificultam ou mesmo impedem o deslocamento iônico. Assim, o fundo da fresta é o local onde a corrosão vai se processar.

Frestas são formadas em muitas situações, como por exemplo, atrás de pontos de solda descontínuos, em juntas parafusadas ou rebitadas ou mesmo em chapas sobrepostas.

Sujeiras Depositadas

Sujeiras que absorvem ou mantém água (ou lama), produtos de corrosão, folhas, tecidos e papel, promovem a formação de pilhas de aeração diferencial.

3 - Promova a drenagem e a ventilação
Quando a chuva ou o orvalho umidecem uma estrutura metálica, pontos de ferrugem serão observados após a evaporação da água. Cada gota age como uma cela de aeração diferencial, mas, se a superfície tiver a
oportunidade de secar (isto é, se existir ventilação adequada), a corrosão será limitada.

Problemas sérios podem observados nas partes inferiores das estruturas, onde a ventilação é menos eficiente (a região é protegida das correntes de ar).

4 - Evite o uso de materiais absorventes (feltro, amianto, tecido) em contato com a superfícies metálica

Materiais porosos e absorventes (como por exemplo, lã de rocha, nãotecidos, feltro, etc.) tem sido muito utilizados como isolantes térmicos, isolantes acústicos, etc.. Estes materiais podem absorver água como uma “esponja”, possibilitando a ocorrência de celas de aeração diferencial na interface material absorvente/metal.

Os materiais absorventes de água devem ser evitados em todas as situações em que a umidade relativa do ambiente exceda (costumeiramente) os 60%.
Autor: Fabio Domingos Pannoni, M.Sc., Ph.D.1
Data de publicação: 19/11/2011