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Cor e Proteção em superfície de aço
Galvanização e pintura adequadas podem evitar a corrosão das estruturas metálicas
Em ambientes pouco agressivos recomendam-se o uso de primers e acabamentos alquídicos, por exemplo. Em casos onde há necessidade de alto desempenho, o ideal são os planos a base de tintas epóxi e acabamentos poliuretanos.

É sabido que muitas estruturas metálicas têm se mantido em pleno uso ao longo do tempo, mesmo quando expostas a condições adversas. A ponte inglesa conhecida como Ironbridge, construída em 1779 no Condado de Shropshire, na Inglaterra, é um exemplo. Encontra-se em perfeitas condições mesmo depois de 230 anos. Aqui no Brasil, alguns exemplos emblemáticos também confirmam a durabilidade do material, como o viaduto localizado no km 95 da Rodovia Presidente Dutra que marca a entrada ao município de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. As treliças metálicas da Linha Vermelha, no mesmo Estado, são outro.

Mas, atualmente, o mercado dispõe de uma gama variada de recursos tecnológicos que permitem longevidade às estruturas em aço.

Segundo o engenheiro Fabio Domingos Pannoni, consultor da Gerdau e Ph.D em revestimentos e proteções metálicas, o sucesso de uma proteção depende basicamente de três fatores: da qualificação correta conforme a agressividade do ambiente, da escolha de um sistema de proteção normatizado e do detalhamento do projeto. No caso específico de edificações, o assunto passa pelo âmbito estético e chega ao funcional, visto que a especificação da correta proteção é tão importante quanto a indicação da cor para cada tipo de uso. Vale lembrar que o aço submetido a ambientes internos de uma edificação apresenta um risco de corrosão insignificante, aliás, não é necessária proteção. Por outro lado, uma estrutura exposta a um ambiente agressivo requer proteção definida de acordo com a vida útil planejada para a estrutura. Os sistemas mais comuns são a pintura e a galvanização a quente.

O arquiteto Roberto Inaba, da Usiminas, destaca que, exceto os aços COS-AR-COR, que sob determinadas condições podem ser utilizados sem pintura, os demais requerem algum tipo de revestimento contra os efeitos da corrosão atmosférica. “A estrutura aparente pode eventualmente não receber proteção desde que não esteja exposta a ambientes com condições muito severas”, diz.

O uso da estrutura em aço aparente e sem pintura depende da análise prévia do local e das condições de utilização, sendo imprescindível ciclos alternados de molhamento (chuva e umidade) e secagem (sol e vento). Também é recomendado que o aço esteja exposto a atmosferas que contenham substâncias químicas que favoreçam sua formação, como o dióxido de enxofre ou anidrido sulforoso (SO2), somente assim haverá a formação da camada de pátina capaz de inibir o processo corrosivo.

Óxidos provenientes de laminação (carepa), resíduos de óleo, graxa e respingos de solda devem ser totalmente removidos de modo a permitir a perfeita formação dessa pátina, processo que, em geral, leva de um a três anos até se completar. Locais onde há a estagnação da água devem ser evitados. Contudo, se isso não for possível, o ideal é que as estruturas recebam a proteção apropriada a esse tipo de condição.

Revestimentos metálicos

Existem dois métodos usuais de aplicação de revestimentos metálicos à base de zinco sobre as estruturas de aço: galvanização a quente e metalização. A galvanização a quente, também conhecida como galvanização a fogo, é um processo de aplicação de revestimentos de zinco a componentes de aço ou ferro fundido por meio da imersão do componente em um banho de zinco fundido. A simplicidade do processo o torna vantajoso em relação aos demais.

Principais vantagens da galvanização a quente

1. Custo: Possui custos muito competitivos quando comparados a outras formas de proteção especificadas na proteção do aço. o custo de aplicação de revestimentos que requerem mão de obra intensiva, como a pintura, por exemplo, tem acrescido valores superiores.

2. Baixa manutenção: Mesmo nos casos onde o custo inicial da galvanização a fogo é maior do que revestimentos alternativos, o sistema apresenta menor custo de manutenção ao longo da vida útil do componente (estrutura).

3. Vida longa: A expectativa de vida de revestimentos galvanizados aplicados sobre componentes estruturais excede facilmente os 50 anos em ambientes rurais, atingindo de 20 a 50 anos na maioria dos ambientes sujeitos à agressividade.

4. Preparo superficial: A imersão em ácido como pré-tratamento garante a limpeza uniforme das superfícies de aço. Em contraste, revestimentos orgânicos tradicionais devem ser aplicados sobre superfícies limpas com jato abrasivo e inspecionadas. Adicionalmente, a aplicação de revestimentos orgânicos é limitada em termos de condições ambientais e umidade relativa, na época da aplicação.

5. Aderência: O revestimento obtido através da galvanização a quente está ligado metalurgicamente ao substrato de aço.

6. Contaminação ambiental: O revestimento não é tóxico e não contém substâncias voláteis.

7. Velocidade na aplicação do revestimento: Um revestimento protetor é aplicado em minutos e não depende das condições climáticas. Um sistema de pintura tradicional pode levar vários dias

8. Proteção uniforme: Todas as superfícies de um componente galvanizado a fogo são protegidas internamente, incluindo rebaixos, cantos-vivos e áreas inacessíveis.

9. Proteção de sacrifício em áreas danificadas: O revestimento de sacrifício fornece proteção catódica às pequenas áreas de aço expostas à atmosfera, como poros e riscos. Diferentemente dos revestimentos orgânicos, pequenas áreas danificadas não necessitam de retoques; a corrosão sob o revestimento não é possível quando se utilizam revestimentos de sacrifício.

Pintura como forma de proteção
Na elaboração de um sistema de pintura devem ser considerados dados como: o meio ambiente e sua agressividade, o tipo de tinta, a sequência de aplicação, o número de demãos, as espessuras, o tipo de aplicação, além, é claro, as condições de trabalho a que estará submetida à superfície. O preparo inicial da superfície também é fator determinante para o desempenho do revestimento.

De acordo com Reinaldo Richter, diretor superintendente da WEG Tintas, um dos primeiros passos é realizar uma boa limpeza das áreas que serão tratadas e pintadas. “Após isso, escolhemos o tratamento de superfície mais adequado. Atualmente, o mais recomendado, por questões técnicas e objetivando a longevidade das estruturas, é o jateamento abrasivo”, explica.
O tipo de pintura normalmente depende da funcionalidade das estruturas. Caso seja um ambiente pouco agressivo (por sua localização e utilização) recomendam-se planos de pintura de baixo custo (primers e acabamentos alquídicos, por exemplo). Em casos onde há necessidade de alto desempenho, pode-se usar planos a base de tintas epóxi e acabamentos poliuretanos. “Também é importante lembrar que em estruturas de geometria complexa, normalmente há a indicação de pelo menos duas demãos de produto. Isto minimiza as falhas de aplicação e de certa forma, aumenta a confiabilidade ao cliente final”, acrescenta Richter.

Quanto ao controle de qualidade dos acabamentos, pode ser visual (principalmente estético) ou ainda através da avaliação de características mais técnicas, como ensaios de aderência, utilização de produtos certificados e padrões visuais de jateamento abrasivo são alguns exemplos que garantem vida mais longa às tintas. “Se falarmos apenas do acabamento, há alguns equipamentos, mas pouco utilizados visto que medem névoa, cor e alastramento da tinta. Mas isto normalmente é feito de forma visual”, afirma Richter.

A durabilidade depende diretamente do tratamento de superfície utilizado e da escolha do plano de pintura. Alguns podem ter durabilidade acima de 25 anos, dependendo do local da obra e utilização. Já a manutenção deve ser adequada ao plano utilizado. Se o plano tiver tintas a base de zinco, por exemplo, para sua manutenção deve-se utilizar outras linhas de produtos.

No galpão, estruturas aparentes em aço galvanizado receberam pintura branca apenas por determinação estética

Há também manutenções em sistemas alquídicos onde são necessários o uso de conversores de sistema. Lembrando que a manutenção é muito importante e quase sempre feita por meio do tratamento de superfície com ferramentas manuais e mecânicas, sendo que a tinta também deve ser especificada prevendo a utilização disso. Vale frisar que o principal problema em pinturas é quanto a sua utilização e danos mecânicos causados. Nestes casos, a manutenção imediata é imprescindível para a durabilidade do revestimento.
Considera-se, para todos os sistemas de pintura descritos acima, limpeza de superfície mínima padrão ss 2 ½. todos os sistemas descritos são sistemas de alta durabilidade (> 15 anos).
Fonte: ABCEM - Revista Construção Metálica – Edição 112
Ano de publicação: 2013