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Sistema de transporte BRT
No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, sistema de transporte BRT (Bus Rapid Transit) traz soluções em aço em suas estações e promete reduzir o tempo de deslocamento da população nas cidades
Versão moderna e muito melhorada dos corredores de ônibus, o BRT (Bus Rapid Transit) tem sido uma opção atrativa para muitas cidades. O prazo e custo para implantação e operação do sistema, menores na comparação com outros meios de transporte público de massa, além da possibilidade de aproveitar alguns recursos da infraestrutura já existente, estão entre as principais vantagens desta alternativa.

Em cidades como o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a implantação do sistema de BRT promete contribuir para uma significativa melhoria na qualidade dos serviços de mobilidade urbana.

Parte integrante de um amplo programa de investimentos na infraestrutura de transportes do Rio de Janeiro, a Transoeste foi o primeiro corredor de alta capacidade para BRTs a ser inaugurado na cidade.

A Transoeste beneficiará cerca de 120 mil passageiros por dia e conta com 59 estações ao longo de seus 60 km de extensão.
Cobertura da estação no Rio de Janeiro traz telhas em aço com proteção termoacústica. Abaixo, esquadrias em chapas perfuradas e modo de colocação do telhado propiciam a ventilação natural
"As unidades foram concebidas buscando-se racionalizar a construção, por isso utilizamos estrutura em aço, cobertura feita por telhas de aço com isolante termoacústico e vedações pré-fabricadas, sendo instaladas sobre uma base em concreto em forma New Jersey, que servirá ao mesmo tempo de proteção e fundação", destaca o arquiteto Joze Candido Sampaio de Lacerda, do escritório ZK Arquitetos Associados.

A estrutura metálica é composta por duas linhas paralelas de pilares de aço tubular, os quais ultrapassam a cobertura e recebem tirantes no topo, com vigas em perfil do tipo I, para auxiliar na sustentação.

A cobertura calandrada forma uma grande asa, configurando um elemento formal e funcional marcante da estação. Composta por telhas metálicas, recebeu abertura zenital central para a passagem da iluminação natural. O beiral lateral, que avança 3 m sobre a pista, propicia sombra e proteção da incidência solar. No forro, foram instalados captadores eólicos, que direcionam o vento dominante da região para dentro da estação.

A vedação lateral é feita com painéis termo isolantes revestidos por chapas de aço pré-pintadas e por esquadrias com chapas de aço perfuradas estruturadas em molduras metálicas, que propiciam a ventilação cruzada nas estações. O trecho reservado à parada dos veículos recebeu portas de vidro com proteção solar e acionamento automático.

À noite, a iluminação artificial em painéis e réguas de LED é acionada por sensores.
A cobertura, com estrutura em aço e bordas em curvas variadas, recebeu revestimento de alumínio e vidro. Seu design leve e fluido marca estações da área central de Belo Horizonte

"O objetivo é a execução de um espaço confortável e esteticamente agradável, pois sua inserção repetida em diversas regiões do Rio de Janeiro o torna um marco referencial na cidade. A edificação atende aos conceitos de sustentabilidade, com utilização de iluminação zenital, ventilação natural, sistema de forro mais cobertura, iluminação por LED, e cria um ambiente confortável ao usuário", destaca o arquiteto.

Plataformas pré-fabricadas

A capital mineira, Belo Horizonte, também investiu fortemente na implantação do sistema de BRT. Lá, o projeto recebeu o nome de MOVE e foi configurado por um conjunto de corredores de tráfego articulados entre si nas Avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro I, Vilarinho e na área central.

Para os quatro primeiros, foi desenvolvida uma solução moderna e funcional para as estações de transferência instaladas ao longo dos percursos, que resultou em módulos pré-fabricados, com estrutura executada em perfis de aço formados a frio que depois recebe revestimento metálico.
"Queríamos uma construção limpa, e por isso optamos pela estrutura modular metálica feita em fábrica e apenas montada em campo", informa em nota a Prefeitura de Belo Horizonte.

Cada módulo tem 2,4 m de comprimento e seu conjunto resulta em uma estação de embarque e desembarque com rampas de acesso para pedestres feitas em laje pré-moldada, bilheteria e catracas que permitem o pagamento antecipado da passagem, agilizando o acesso aos veículos. As estações têm sistema de informações sobre o tempo de viagem, chegada e partida de cada linha. Todas serão monitoradas por câmeras de segurança.

Naves na área central

Outras seis modernas estações, mas desta vez na região do hipercentro, chamam a atenção por seu design. Abrigos que mais se parecem naves recebem 135 mil pessoas por dia ao longo de 1,2 km de extensão entre as Avenidas Paraná e Santos Dumont.

No projeto arquitetônico, desenvolvido pela B&L – Beggiato e Leal Arquitetura, a transparência e a leveza são destaques. "Ela foi projetada em forma de curva livre, prevendo balanços em locais estratégicos para proteger o usuário das intempéries no embarque e desembarque. O formato também confere movimento à estação", informa a arquiteta Edwiges Leal, que explica que o aço se faz presente nas fundações, estruturas, pilares, vigas transversais e longitudinais, bem como nas terças e grelhas de sustentação da cobertura. "Usamos esse material por sua leveza, rapidez de instalação e para ampliar os vãos do local. Temos vãos de 12 m e pilares a cada 6 m de forma alternada", diz Edwiges. Os fechamentos laterais são em vidro e a cobertura recebeu revestimento em alumínio composto.
Ficha Técnica

BRT RIO DE JANEIRO

Projeto arquitetônico: ZK Arquitetos Associados (antiga JC&S Arquitetos Associados)
Área construída: 59 estações, de 380 m² cada
Aço empregado: aço laminado A36 250 MPa/perfil I, aço dobrado A26/tubos pilares e perfil U
Volume de aço: 16 t por estação
Projeto estrutural: Leonardo Perazzo
Fornecimento da estrutura de aço: Projetec e MBP
Execução da obra: Odebrecht e Sanerio
Local: Rio de Janeiro, RJ
Data do projeto: 2011
Conclusão da obra: 2014

BRT BH – ÁREA CENTRAL

Projeto arquitetônico e de design: B&L Arquitetura
Área construída: 585 m² (área da plataforma) e 1.082 m² (por estação). São seis estações no total
Aço empregado: perfis soldados tubulares; ASTM A36 nas chapas; ASTM A570 GRC nos perfis dobrados; ASTM A572 GR50 nos laminados; SAE 1020 na barra redonda
Volume de aço: 360 t (estruturas) nas seis estações
Projeto estrutural: MV Projetos via Cosórcio Consol/ Enecom
Execução da obra: Consórcio Tratenge e Cetenco
Local: Belo Horizonte, MG
Data do projeto: maio de 2011
Conclusão da obra: 2014

BRT BH – CORREDORES DAS AVENIDAS CRISTIANO MACHADO, ANTÔNIO CARLOS PEDRO I E VILARINHO

Projeto arquitetônico e de design: Gustavo Penna Arquiteto & Associados
Área construída: 11 mil m² (todas as plataformas)
Aço empregado: aço de maior resistência mecânica e à corrosão
Volume de aço: 28l t em cada estação
Projeto estrutural básico: UFMG/ Prof. Francisco Carlos Rodrigues
Projeto executivo: PI Engenharia
Fornecimento da estrutura de aço: Techneaço e Ralmec
Execução da obra: Constran
Local: Belo Horizonte, MG
Data do projeto: 2012-2014
Conclusão da obra: 2014
Fonte: CBCA - Revista Arquitetura & Aço - Edição 38
Data de publicação: 15/07/2014