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Chicago: A Cidade das Pontes Móveis
Arquiteta Isabella Leonetti
Chicago sentiu a necessidade de interligar o Norte e o Sul, no início do século dezenove, mas, o problema era como fazer uma ligação que não atrapalhasse a passagem dos barcos e de mercadorias.

Foi assim que, em 1834, Chicago teve a sua primeira ponte móvel projetada, ainda com princípios medievais, mas que, a princípio, resolveu, ou, pelo menos, abriu as portas para novas idéias, pois esta primeira ponte, que era composta por duas folhas que, através de cabos, eram içadas, não resistiram a enchentes, ventos e a neve que se acumula facilmente nesta região.

Então, em 1856, foi construída a primeira "Swing Bridge" - ponte giratória, que se baseava em um novo conceito: toda estrutura era apoiada em um pilar central, e, através de mecanismos, a ponte girava sobre este, permitindo assim a passagem de grandes barcos pelas laterais.

Mas com o dinâmico crescimento do mercado, este sistema não era mais tão interessante: este pilar central começava a criar problemas. Mesmo assim, após o grande incêndio de Chicago (1871), novas pontes com este mesmo sistema construtivo, porém mais robustas, foram construídas.

Em 1891, observa-se uma nova tentativa de usar princípios medievais a "Jack-Knife Bridge" (ponte canivete grande): apesar de não ter mais o pilar central, ainda não era o sistema ideal, pois, devido a várias junções móveis e ao aumento do tráfego, este sistema era muito difícil e caro de ser mantido.

Ainda na tentativa de suprir necessidades da época, em 1894 uma "Vertical Lift Bridge" (ponte suspensa verticalmente) foi construída na Halsted Street, porém esta ainda usava sistema de cabos para içamento. Foi finalmente em 1895 que interesses do rio e da terra foram resolvidos.
Nesta época, Mr.William Scherzer patenteou a "Rolling Lift Bridge", atualmente conhecida como "Double-Leaf Trunnion Bascule Bridge" (ponte suspensa através de engrenagens).

Um novo e revolucionário conceito: o vão é dividido em duas partes que são içadas através de engrenagens localizadas nas margens do rio, liberando assim totalmente a passagem de grandes barcos.

Após muitas pesquisas e estudos, a Divisão de Pontes e Viadutos da Cidade de Chicago concluiu que este era o mais satisfatório sistema para as necessidades da cidade, pois permite que as duas partes da ponte sejam abertas até quase atingir um ângulo de 90 graus.

Isto só é possível porque as engrenagens são interligadas por um eixo, que se encontram no final de cada um dos lados que rotacionam as folhas da ponte com precisão e perfeição.

Quando a ponte está aberta ou está abrindo, todo seu peso se apóia nas engrenagens.
Sendo assim, foi necessário criar uma estrutura de contra-peso em cada uma das margens do rio.

Mas Chicago continua inovando. Em 1920, surgiu a primeira ponte basculante em dois níveis, um para carros e pedestres e outro, o inferior, para o tráfego mais pesado.

Estamos falando da Michigan Avenue Bridge, uma das mais fotografadas do mundo, composta por duas folhas que pesam individualmente reais de 3.340 toneladas, que por sua vez são içadas por quatro engrenagens localizadas em cada uma das margem do rio.

Cada uma dessas engrenagens possui aproximadamente 0,70 m de diâmetro, e, durante a abertura da ponte, suportam urna carga de 800 toneladas.

A operação de abertura e fechamento da ponte é efetuada por uma casa de máquinas no leito do rio, que controla oito motores de 100 CV de potência, um para cada engrenagem.

Sua fundação é composta por pilares de concreto com diâmetros que variam aproximadamente de 0,30 a 2,20 metros, que se apóiam no leito rochoso que se encontra a mais de 30 metros abaixo do nível d'água.
Até hoje a Michigan Avenue Bridge funciona como um relógio silencioso que, em apenas meio ou no máximo três quartos de minuto, se abre ou se fecha.

Lógico que para manter esta maciça estrutura de aço, manutenção é feita constantemente. Além do mais, por exigência do Governo Federal americano, todas as pontes devem se controladas em detalhes a cada dois anos, o que praticamente obriga uma rotina de verificação e manutenção em Chicago.

Apesar deste ser o sistema dominante em Chicago na década de trinta, devido à necessidade de interligar um longo e assimétrico vão, foi projetada e construída uma nova e moderna ponte vertical, que possui o mesmo sistema mencionado acima, porém é composta por uma única folha.
Mas Chicago não parou por aí. Em 1977, constrói a Loonis Street Bridge e, em 1982, a Columbus Drive Bridge, sendo que esta última foi a primeira a ser edificada com uma estrutura formada por caixas de perfis metálicos soldados "Drawbridge", dando assim uma nova linha de desenho às pontes móveis.

Hoje em dia Chicago possui, opera e mantém o maior número do pontes móveis públicas do mundo (mais de 45, sendo que mais de 25 estão localizadas no centro da cidade). Uma delas, a "State Avenue Bridge", considerada um obra de arte, possui uma galeria entre suas engrenagens e a margem do rio.

E o mais fascinante é que elas continuam a funcionar com perfeição, não mais para deixar os grandes navios passarem, mas sim para os veleiros e barcos de passeio dos moradores que "estacionam" seus iates no centro de Chicago em marinas e condomínios com acesso ao lago Michigan.

Devido a esta necessidade, as pontes só se abrem na Primavera e Verão (de Abril a Novembro), e tudo indica que só continuarão a dar o seu espetáculo enquanto existirem barcas que necessitem cruzar o rio Michigan para acessar o Lago.

A abertura das pontes é organizada de forma a tentar evitar ao máximo o transtorno aos motoristas e pedestres. Por isso, durante o período acima mencionado, elas se abrem de dia nas quartas, sábados e domingos, e, de noite, nas terças e quintas.

O sentido da abertura também muda: no começo da estação elas abrem em direção ao lago e no final da estação em direção ao centro.
Apesar de usar um mesmo princípio estrutural, cada nova ponte deve ser totalmente reprojetada para satisfazer as necessidades e estar de acordo com as características específicas do local.

Vale sempre lembrar que a neve e ventos em alta velocidade são fatores muito importantes a serem considerados. Ainda mais porque, com o passar dos anos, técnicas construtivas e de aprimoramento estão constantemente surgindo.

Mesmo assim, neste município, vê-se um passado brilhante e um futuro luminoso, pois estes mais de cento e cinqüenta anos de história de pontes em aço só foram possíveis porque pessoas decidiram romper os obstáculos criados pela natureza, e deixar o homem, o transporte, a comunicação e o futuro continuarem a fazer de Chicago uma grande cidade americana.
Agradecimento especial:
Ao engenheiro S. L. Kaderbek, chefe do Departamento de Transportes e Pontes de Chicago, e à sua equipe.
Fotos e Projetos:
Departamento de Transportes e Pontes de Chicago.
Ano de publicação: 2006