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Pavilhão Ponte Zaragoza na Espanha
Construído sobre o rio Ebro, o Pavilhão Ponte possui três funções: entrada para a Exposição, passarela de pedestres e pavilhão de exposições. Foi concebido e projetado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid, primeira mulher a ser reconhecida com o prêmio Pritzker de Arquitetura.

Esta construção possui um traçado ligeiramente curvilíneo que conecta com formas suaves e contínuas o eixo da avenida da Estação Intermodal com o espaço do Palácio de Congressos no recinto da Expo Zaragoza 2008, atravessando uma pequena ilha.
Desde o começo este foi o edifício com maior desafio construtivo de toda a Expo, pelas dificuldades que apresentava o processo construtivo e pelo fato de que teria que estar terminado em tempo recorde. Este é a única ponte habitada da Espanha e uma das poucas no mundo com esta característica. No seu interior se abriga a exposição “Água, recurso único”.

Com uma superfície total de 7.000 m² e um comprimento de 260 m, este monumental viaduto de pedestres possui uma forma orgânica, trançada, que simula um gladíolo que abre e fecha como os elementos da natureza.

Seu tamanho é variável de 15 a 30 metros de altura e de 8 a 30 metros de largura. O maior vão livre é de 185 m e a secção da ponte tem forma de diamante, sendo composto por quatro “casulos (pods)” que servem como elementos estruturais e recintos de exposição.

A base estrutural da ponte é o aço. Sua cobertura em forma de escamas sobrepostas é gerada por um padrão de placas solapadas, o que permite desenvolver um micro clima interno baseado no fluxo natural do ar. Assim, a envoltura do edifício desempenha um papel fundamental na relação com o entorno e a variabilidade atmosférica
O Pavilhão Ponte esta organizado em 4 elementos principais, ou "casulos" (pods), que funcionam tanto como elementos estruturais quanto espaciais. Seu desenho é resultado de um exame e investigação detalhada do potencial da seção do diamante, que oferece tanto propriedades programáticas quanto estruturais. Como no caso das estruturas tipo arco treliça espacial, a seção do diamante pode distribuir eficientemente as forças ao longo da superfície, enquanto sob a estrutura o espaço triangular resultante pode ser usado como galeria de instalações

A extrusão da seção romboidal do diamante ao longo de linhas curvas em diferentes direções gerou os quatro espaços em formato de casulo do Pavilhão

A superposição e interseção dos elementos atua em níveis específicos: otimiza o sistema estrutural da ponte, criando uma diferenciação natural dos espaços interiores, onde cada casulo corresponde a uma área de exposição diferente.

Interseccionando-se, os casulos se sustentam entre eles e distribuem os esforços nas quatros estruturas espaciais, com uma resultante redução da seção dos elementos estruturais.

Localizado acima do nível máximo de enchente, a Ponte se conecta com as margens num suave plano inclinado. Três dos casulos estão no mesmo nível, e o quarto passa a 1,5m acima criando a intersecção com os casulos adjascentes. Três dos casulos possuem um nível superior (mezanino) suspenso da estrutura que permite visualizar o nível inferior.
Os casulos se acoplan coforme critérios muito precisos visando reduzir ao máximo a seção da ponte, especialmente no setor do vão maior (de 185 m desde a margem direita até a ilha central) e aumentando a seção no trecho de vão menor (85m desde a ilha até a margem esquerda onde acontece a Expo). Assim, um único casulo faz a ponte entre a margem direita e a ilha enquanto os outros 3 se estendem da ilha até a margem esquerda

Esta interconexão dos casulos deu ao projeto múltiplas possibilidades. Os interiores se convertem em espaços complexos onde o visitante passa de um a outro através de pequenos ambientes intermediários que funcionam como filtros. Estas zonas filtram o som e a experiência visual de um espaço expositivo a outro, permitindo uma clara compreensão do conteúdo de cada área. A identidade de cada casulo permanece evidente dentro do pavilhão, funcionando quase como um elemento de orientação tridimensional.

A caracterização dos espaços interiores é uma das principais premissas deste projeto. Cada setor do edifício possui sua própria identidade espacial. Sua natureza varia desde espaços completamente fechados que se focam exclusivamente nos elementos expostos, a espaços completamente abertos com fortes conexões visuais com o rio Ebro e a Expo.

O desenho aproveita a proposta ambígua da idéia inicial, mantendo o aspecto tradicional de uma ponte (aberta ao entorno, sendo o aço seu elemento dominante) combinada a um pavilhão de exposições convencional onde clima e luz são controlados.

Assim dois casulos dedicados a exposição possuem uma envolvente completamente fechada e dois estão revestidos com uma "pele" que permite visualizar a estrutura desde o interior. A maior ou menor permeabilidade desta pele varia conforme a necessidade de proteger os visitantes dos efeitos do sol e calor extremos do deserto aragonês com mínimo custo energético mas sem perder contato visual com o exterior. Assim a envolvente do pavilhão tem um papel essencial definindo a relação da ponte com seu entorno e as variações atmosféricas, como o vento Tramontana que sopra através do Ebro e a força da luz solar em Saragoça.

O desenho das superfícies exteriores do Pavilhão deu origem a uma investigação sobre superfícies encontradas na natureza. As escamas de tubarão são um paradigma fascinante tanto pela sua aparência visual como pela performance. O seu padrão permite envolver curvaturas complexas com um sistema simples de módulos retilíneos. Para o Pavilhão Ponte, este conceito revelou-se funcional, visualmente apelativo e economicamente adequado.

A textura do edifício assume um papel essencial na definição da sua relação com o território e as variações externas. Esta pele de escamas de tubarão é gerada por um complexo padrão de lâminas sobrepostas. Algumas lâminas podem rodar sobre um sistema pivotante, permitindo a abertura temporária ou o fecho de parte da fachada. O padrão de peças justapostas confere ao Pavilhão Ponte uma grande variedade de aproveitamentos de luz natural através dos diversos graus de abertura possíveis: de raios de luz penetrando por pequenas aberturas a intensos poços de luz. As aberturas de maior dimensão localizam-se no nível inferior, em correspondência com o final da ponte, permitindo um maior grau de contacto visual com o Rio e o recinto da exposição.

A pele exterior esta dividida longitudinalmente em dois elementos: um tabuleiro inferior, construído com pranchas curvas de aço, segue uma geometria livre permitida pela flexibilidade do material. No nível mais alto um sistema de revestimento de painéis de concreto reforçado com fibra de vidro (GRC) em varias cores do branco ao preto.

A curvatura do nível superior foi concebida em seções de cilindros subdivididos em 26.500 peças retangulares planas de igual tamanho. Um padrão de triângulos inscrito nos painéis limitou a variação a apenas 10 padrões de corte que combinados com as diferentes de cores do GRC criaram uma coleção de padrões óticos visíveis ao longo da fachada. Internamente, a superfície suave e semi brilhante foi obtida com o revestimento de gesso acartonado com acabamento de resinas epóxi e de poliuretano.

A Construção

Os pilotis de concreto são os mais profundos construídos na Espanha. Os 62.500 elementos metálicos estruturais foram pré-fabricados em 9 oficinas e depois montados em obra.

A seção norte da ponte, composta por 3 casulos, pesa 3.500 toneladas e foi completamente montada numa península temporária construída no rio. A parte sul pesando 2.200 toneladas foi montada na margem sul do rio e depois deslocada, em parte sobre patines e finalmente suspensa até sua posição definitiva por guindaste de 42m de altura, numa manobra bastante complexa considerando a geometria assimétrica da ponte.
Os Apoios

No desenho do pavilhão Ponte prestou-se especial atenção aos pontos de contato entre a ponte e as margens. A estrutura conta com apenas 3 apoios. Para diminuir a interferência com a trajetória do rio, o apoio central foi localizado na pequena ilha que se encontra a uma distância de 2/3 da largura do rio, desde a margem direita. A forma curvada e hidro-dinâmica do apoio localizado na ilha, foi projetado para minimizar o atrito com a correnteza, no caso de uma enchente.

Igualmente, a geometria da seção em forma de diamante do corpo principal da ponte permite que o vento a atravesse quase sem interrupções. O apoio central suporta quase metade da carga da estrutura, com um peso aproximado de 7.000 toneladas. As fundações se apóiam em 22 pilotis dos quais 10 estão na ilha central, 4 na margem direita e 8 na margem esquerda.

Na margem direita, uma cunha de terra suporta o acesso à ponte fazendo com que a entrada se localize por cima do nível de proteção contra enchentes. O desenho da paisagem respeitou os níveis existentes no entorno, destacando assim a forma natural das margens.

Na margem esquerda, o perfil do terreno foi organizado em largas faixas, uma das quais se eleva para cobrir um pequeno edifício que abriga os serviços da ponte. Próxima à ponte uma faixa do terreno entra literalmente no pavilhão trazendo parte do gramado até o interior do espaço de exposição.
A Ancoragem e o Processo de Lançamento

Uma das características técnicas desta obra de engenharia radica na ancoragem da infra-estrutura. Não há na Espanha nenhum outro edifício cuja fundação atinja tanta profundidade: os pilotis atingem 72,5 m de profundidade. Também foi utilizado pela primeira vez no país a "Célula de Osterberg" (O-cell), um método de última geração para verificação de concreto.

Outra das singularidades construtivas do Pavilhão é o processo de lançamento.
Um total de 140m de estruturas com um peso de 2.200 toneladas, que foram construídas na margem, foram deslocadas após prontas num percurso de 125 m até seu local definitivo. Um total de 150 soldadores e montadores, trabalhou durante todo o processo na margem esquerda, enquanto outras equipes realizavam trabalhos no interior e exterior do pavilhão.
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