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Versatilidade da Estrutura Metálica
Normalmente empregado em obras rápidas, sistemas estruturais metálicos ganham espaço no mercado com maior demanda por canteiros limpos e sustentáveis.

A preferência de projetistas e construtores brasileiros pelo concreto ainda é muito forte, mas gradualmente as estruturas metálicas ganham espaço em seus empreendimentos. O preço do sistema construtivo ainda inviabiliza a realização de muitos projetos, mas algumas novas demandas do mercado nos últimos anos impulsionam a procura pela tecnologia.

A rapidez de execução sempre contou pontos a favor do uso desse sistema construtivo. Recentemente, no entanto, tem crescido o apelo ecológico das estruturas metálicas, procuradas pelos construtores que buscam reduzir a geração de resíduos em suas obras. "Trata-se de um material reciclável, industrializado, que nos leva a um menor desperdício na obra", acredita o arquiteto Newton Massafumi Yamato, sócio do escritório Gesto Ambiental.

Um dos preconceitos que sempre pairou sobre os sistemas construtivos industrializados (e, portanto, sobre as estruturas metálicas) era o de que eles limitavam a liberdade de criação dos arquitetos. Hoje o mercado garante a flexibilidade necessária aos projetos com perfis de diversas geometrias e dimensões - conformados a frio, laminados, soldados, tubulares, entre outros -, soluções de encaixes e de fixação de peças.

Além disso, quando se vai elaborar um projeto de arquitetura, deve-se considerar desde o início o sistema construtivo que será utilizado. "Já vi muita gente que desenvolveu o projeto inteiro e só depois testou a viabilidade de fazê-Io em estrutura metálica", afirma o arquiteto Francisco Spadoni, do escritório Spadoni + Associados. "Nesses casos, provavelmente a solução não será economicamente viável."

Parte da explicação para a ainda baixa utilização dos projetos em aço no Brasil é a de que os projetistas não têm conhecimentos aprofundados sobre a tecnologia. Na opinião de arquitetos, construtores e representantes da indústria, tanto estudantes de arquitetura quanto de engenharia têm pouco contato com as especificidades do sistema construtivo durante a graduação. Naturalmente, quando chegam ao mercado, acabam não explorando as vantagens das estruturas metálicas. O arquiteto Roberto Inaba, membro do CBCA (Centro Brasileiro de Construção em Aço), destaca o esforço da entidade em disseminar informações técnicas aos profissionais do setor. "Nos últimos anos, publicamos 23 revistas, 17 manuais técnicos, realizamos três cursos a distância e eventos como a Vila do Aço, que apresenta casas e prédios com uso de sistemas construtivos metálicos", afirma.
Debate

Flexíveis, rápidas, mas nem tão populares.

Arquitetos e fornecedores se reuniram em mesa-redonda promovida por AU para discutir o desenvolvimento das estruturas metálicas no Brasil
O concreto ainda é o material mais utilizado no Brasil na execução de estruturas. Como disseminar a estrutura metálica no País?

Fernando Ottoboni Pinho - O aço no Brasil ainda é um problema cultural, que nós precisamos combater com informação. Um dia, a pessoa passa por um terreno onde não há absolutamente nada. Pouco tempo depois, passa pelo mesmo local e vê um edifício de pé. Aquilo chama sua atenção, ela vai se interessar, pesquisar a tecnologia. Quando precisar construir com rapidez seu próprio empreendimento, vai procurar aquele sistema construtivo porque traz os resultados que ele espera.

Francisco Spadonio - Concreto no Brasil se desenvolveu porque não precisa de muita ciência para um operário fazer aquilo. O aço, porém, depende de uma indústria sofisticada, precisa de funcionários especializados para trabalhar com a tecnologia.

Newton Massafumi Yamato - A questão da sustentabilidade na construção é uma tendência. Nesse aspecto, é importante a gente lembrar que o aço é reciclável e não perde suas características, seu desempenho como material. Ter isso em mente é importante para que os arquitetos possam fazer suas opções em um determinado projeto.
No Brasil, qual a disponibilidade de projetistas e de mão de obra especializados nesse sistema?

Pinho - Encontrar o profissional adequado tem sido um problema, mas a Abcem e o CBCA criaram o Guia Brasil da Construção em Aço, que é uma espécie de "páginas amarelas" do segmento.

Ele ainda está em uma versão pequena, mas vamos chegar, em pouco tempo, a uma versão mais completa. A publicação traz contatos de profissionais especializados em construção metálica e está regionalizada. A versão impressa é atualizada de tempos em tempos, e a eletr6nica, permanentemente.

Roberto Inaba - De fato, uma obra com estrutura metálica exige uma qualificação um pouco diferente, mas não mais sofisticada. O processo de produção de uma obra de estrutura metálica é diferente daquele de uma convencional. Em uma obra industrializada não é o construtor, o dono da obra, que vai contratar a mão de obra, comprar o material e colocar no canteiro para ver sua obra sair. A execução da estrutura é, obrigatoriamente, terceirizada. É preciso uma mão de obra especializada para fazer a montagem, mas a responsabilidade pela contratação da mão de obra não é do contratante, mas do fabricante da estrutura metálica.
O que é necessário saber para projetar com o sistema?

Spadoni - Existe uma especificidade do uso da tecnologia. É preciso ter um conhecimento da indústria, dos perfis, como você vai trabalhar essa estrutura em relação às vedações. Quando falamos em arquitetura, falamos da construção, da concepção do espaço e de uma imagem final, ou seja, a questão formal, estética. Quando o arquiteto está desenhando, ele necessariamente tem que conhecer o material e a estrutura com que está trabalhando. Porque trabalhar com uma estrutura de concreto, que pode ser moldada, é diferente de trabalhar com o aço, que tem outro sistema de construção. Você deve dominar o processo construtivo, que talvez seja mais preciso do que aquele em concreto. Essa é a grande diferença para o arquiteto, essa é a informação que nós precisamos.

Pinho - A arquitetura do aço é diferente da arquitetura do concreto. Ela exige que se entenda o detalhe, como é que cada elemento se junta para compor o todo.

Luis Claudio Dagnese - Quando você faz o projeto em concreto, não se preocupa com a inviabilidade de execução de uma determinada viga ou coluna. Geralmente é possível fazê-Ias. Quando você olha para o aço, é diferente. O perfil tem um determinado comprimento. Se você quiser um vão maior, por exemplo, dá para fazer, mas será necessário realizar uma soldagem.

Inaba - As pessoas têm que ter informação, ninguém escolhe nada sem conhecer. E a gente percebe que em arquitetura em aço existe muito desconhecimento. Muitas vezes o arquiteto, o engenheiro ou o próprio construtor não conhecem o material, não sabem com quem comprar, como aquilo funciona, as empresas que executam o sistema. Eu acho, inclusive, que temos que levar mais informação para dentro das universidades, onde a quantidade de informação transmitida sobre estruturas metálicas é muito pequena, se comparada com outros sistemas construtivos convencionais. Mas é verdade, também, que as pessoas têm que querer conhecer a tecnologia.

Carlos Caspar - Se as obras da copa forem feitas com seriedade, teremos uma grande oportunidade de uso da estrutura metálica. E isso deve fazer com que os arquitetos que não dominam o tema se interessem por ele.
Não há formação de mão de obra se não houver demanda. Se não houver demanda, não dá para convencer um jovem a estudar estrutura metálica.
Como é a penetração do sistema em projetos de habitação popular?

Inaba - A Usiminas está participando da obra de um conjunto habitacional popular do programa Minha Casa, Minha Vida. Já estamos no terceiro edifício. Entre 2002 e 2005, também participamos do programa Lar CDHU, em que fizemos 203 edifícios para a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) de São Paulo. Todos os edifícios construídos, cerca de quatro mil unidades habitacionais, estão na região metropolitana de São Paulo. Mas sua disseminação está relacionada com decisões de governo: a partir do momento em que não descriminarem o aço, teremos meio e oportunidade de desenvolver a tecnologia no segmento.

Luiz Tadeu L. Mariutti - O governo precisa alavancar o setor habitacional, principalmente o popular. Assim teremos mais oportunidades de crescer no segmento.

Spadoni - A habitação é o cimento da arquitetura, é o cimento da construção. Quando você consegue entrar na habitação, é possível difundir essas tecnologias.

Inaba - Recentemente, a CDHU lançou um concurso de arquitetura para seus empreendimentos habitacionais.
No entanto, as propostas deveriam se basear apenas no sistema construtivo com blocos estruturais. Nós questionamos isso junto à CDHU, argumentando que, fazendo isso, ela direciona seus empreen-dimentos para essa tecnologia.

Spadoni - Eu me inscrevi nesse concurso em três categorias e não sabia disso. Quando percebi, eu não entreguei nenhum dos projetos porque minhas propostas não atendiam às exigências do edital. Isso é o fim da picada! Se você quer fazer algo em grande escala, precisa agregar uma tecnologia industrializada que atenda a essas de mandas. Assim, precisa oferecer várias opções tecnológicas que as atendam.
Fonte: Revista AU - Arquitetura & Urbanismo - Novembro 2010
Reportagem: Silvana Maria Rosso
Fotos: Divulgação Usina
Data de publicação: 15/12/2010