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Estação Vila Prudente de Metrô
Espaço e luz são os principais elementos que definem e valorizam a arquitetura da estação Vila Prudente do metrô de São Paulo, que prestigia o uso de estruturas metálicas.
As estações de metrô mundo afora costumam ser uma atração à parte, visto que muitas delas são obras arquitetônicas incríveis, com design diferenciado para tornar a experiência de ir e vir dos passageiros ainda mais atraente e agradável. Quem passa por lá muitas vezes não sabe que está pisando num espaço projetado e construído por renomados profissionais e escritórios de arquitetura, mestres em mesclar beleza e funcionalidade.

E, para gáudio e orgulho dos brasileiros, grandes obras como essas, de uns tempos para cá, começaram a proliferar por aqui também, notadamente trazendo o aço como elemento diferencial nas construções desse tipo. Em funcionamento desde agosto de 2010, a estação de metrô Vila Prudente é um exemplo claro e destacado dessa proposta de enriquecimento da paisagem urbana. Localizada na av. Prof. Luiz Ignácio de Anhaia Melo, está implantada junto ao Terminal de Ônibus SPTrans (Expresso Tiradentes) e estação Vila Prudente da Linha 15 Prata – monotrilho do metrô SP, que iniciou sua fase de teste em agosto do ano passado, permitindo a integração ônibus- metrô-monotrilho. Todos os três equipamentos urbanos de transporte foram desenvolvidos pela Luiz Esteves Arquitetura.

O corpo da estação é constituído de dois poços circulares com diâmetro de 40 metros cada um e em parte justapostos, distribuindo os quatro níveis principais: nível acesso / térreo, mezanino para bilheterias e bloqueios, intermediário para salas operacionais e sanitários públicos, circulação de acesso às plataformas e nível plataforma. As plataformas estão localizadas parte dentro dos poços e parte em túneis independentes para cada via executados pelo sistema NATM (New Austrian Tunnelling Method). A estação possui ainda um poço para saída de emergência ligando por escadas o nível plataforma ao térreo. As salas técnicas estão localizadas na superfície junto ao acesso, configurando uma edificação independente.

Os dois poços circulares servem à implantação dos equipamentos de circulação vertical como escadas rolantes e fixas, elevadores e aos equipamentos de controle de acesso, bilheterias e às salas de apoio operacional. Todo este conjunto de equipamentos e espaços se constituem em uma estrutura independente dos poços, construída após a conclusão dos mesmos. O poço Norte apresenta abertura total para o exterior, enquanto o poço Sul foi parcialmente fechado no nível térreo em função da proximidade com a av. Prof. Luiz Ignácio de Anhaia Melo.

Cobertura metálica

Mas o destaque e verdadeiro diferencial da estação Vila Prudente é que ela é a primeira do metrô de São Paulo a ter iluminação natural em quase toda a sua extensão. A cobertura dos dois poços é constituída de estruturas de aço em forma de grelha e vidro. A adoção de vidros autolimpantes e de proteção solar permitem uma transparência permanente, com baixa manutenção e alta luminosidade com pouca incidência de calor.

A escolha da estrutura metálica foi determinante para vencer o grande vão, conforme explica o arquiteto Thiago Pontes, que participou do desenvolvimento dos projetos de arquitetura, paisagismo e comunicação visual da estação: “Não conseguiríamos essas dimensões com outros materiais.
Além disso, a estrutura metálica é um material que conversa sempre com a caixilharia dos vidros”, pontua, acrescentando que em uma estação subterrânea a possibilidade de levar luz e ventilação naturais até os níveis mais profundos, permite um maior conforto aos usuários além dos aspectos de sustentabilidade, com redução de iluminação artificial e ventilação mecânica. “Já no nível da rua, adoção de estruturas de aço e vidro permitem maior transparência e leveza a edificação”, O arranjo das estruturas internas permite a entrada de luz natural até o nível plataforma a 21 metros de profundidade. As amplas aberturas para o exterior permitem ainda ventilação natural em grande parte da estação. Os acabamentos internos da estação se caracterizam pelo despojamento formal, basicamente concreto aparente, aço inox, estruturas de aço na cor branco, vidro e pastilhas cerâmicas revestindo os blocos internos de alvenaria.
Estrutura circular

O projeto da cobertura da estação Vila Prudente adota o conceito de grelha estrutural circular dividida em duas partes por uma calha retilínea de concreto, que cria dois círculos de tamanhos diferentes. As duas partes da cobertura estão apoiadas na viga-calha de concreto, por meio de uma ligação rotulada, e em barras de aço inclinadas – com o formato de pé de galinha – fixadas nos pilares de concreto aparentes. O círculo maior também se apoia na parede circular de concreto da estação, enquanto o menor está em balanço de cerca de seis metros.

“O sistema de apoio foi concebido a fim de permitir que a estrutura se movimente de acordo com as cargas a que está submetida: dilatação devido à temperatura e deslocamentos em função das cargas gravitacionais e de vento”, destaca Thiago Pontes. As cargas se distribuem pelas placas de vidro da cobertura, depois são levadas às terças (as vigas de menor altura), em seguida são lançadas nas vigas principais (as de maior altura), que constituem as grelhas, e só então distribuídas nos apoios e pilares. No total são oito pilares, que convergem de quatro em quatro para um mesmo ponto na outra extremidade, que são os dois pilares de concreto.

Para a vazão da água, rufos foram fixados mecanicamente nas bordas da cobertura, que foi executada com uma leve inclinação voltada para a área central, onde está a viga-calha. Esta, além de apoiar a parte linear da cobertura, tem a função de distribuir a água de chuva. “A estrutura metálica da cobertura foi executada e produzida com aço ASTM A36 e recebeu o acabamento de pintura de proteção contra corrosão e epóxi na cor branca. Os perfis de aço foram calandrados para vencer a curvatura. Para conclusão do projeto foram utilizadas 250 toneladas de aço”, finaliza o arquiteto da Luiz Esteves Arquitetura.
Dados do projeto

Nome do projeto: Estação Vila Henrique Pontes e Paula Miranda
Construtora: Andrade Gutierrez
Local: São Paulo-SP, Brasil.
Data de início da obra: 02/2008
Área do terreno: 7.920,00 m²
Data de conclusão: 05/2010
Área construída: 19.129,63 m²

Empresas e projetistas
Projetos de engenharia:

Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto e CJC Engenharia e Projetos
Coordenação: Orlandina Teixeira Gonçalves Frade – Figueiredo Ferraz
Estruturas metálicas: Roberto Romani e Guilherme Magossi Rodrigues – Figueiredo Ferraz
Estruturas em aço: Forte Metal

Reportagem: Marcus Frediani
Fonte: CBCA / Revista Siderurgia Brasil
Data de publicação: 28/04/2015
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