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Poço artesiano: sim ou não?
Antes de decidir por esse tipo de abastecimento, conheça os prós e os contras.
Embora algumas cidades brasileiras, a exemplo da capital paulista, tenham percebido sutil melhora no nível dos reservatórios em função das chuvas de fevereiro e março, a falta d’água não pode mais ser desprezada.

“No ano passado, o estado de São Paulo apresentou o menor índice pluviométrico da história”, afirma Carlos Eduardo Giampá, conselheiro da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), entidade que promove ouso racional do recurso armazenado no solo. A crise hídrica sofrida especialmente na região Sudeste gerou repentina demanda de poços artesianos.

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), o responsável pelas licenças (outorgas) em Minas Gerais, registrou aumento de 53,8% nos pedidos de captação entre 2012 e 2014. De 2013 a 2014, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do estado paulista, marcou evolução de 10% nas solicitações.

“Diante do quadro atual, trata-se de um reforço”, acredita o físico Délcio Rodrigues, vice-presidente do Instituto Vitae Civilis, de São Paulo. “Mas, para resolver de verdade o problema, temos de somar várias fontes. Além do volume das companhias de saneamento e do poço, vale considerar o reúso da chuva”, pondera.

Se, para alguns, o poço artesiano se mostra uma alternativa, outros o veem como a pior solução possível. “Isso por vários motivos. Um deles é transferir às pessoas a responsabilidade do fornecimento, um serviço público pago”, justifica o arquiteto Gabriel Kogan, mestre em estudos de águas urbanas pelo Institute for Water Education da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco-IHE).

“Convenhamos: uma residência ter de buscar água por meio da exploração do subsolo evidencia a incapacidade gerencial dos governos municipal, estadual e federal. O acesso a esse bem figura entre os direitos mínimos do cidadão”, aponta Célio Bermann, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP).

Para ajudar você nessa controversa decisão, ouvimos profissionais, empresas e instituições especializadas e traçamos o panorama a seguir.
Quanto vale investir?
“Eventualmente, essa opção é bem-vinda em construções rurais. Desde que outorgado, o poço pode sair mais barato do que levar a água pelo sistema de abastecimento tradicional”, afirma Gabriel. Para Carlos, uma casa cujo consumo atinge mais de 2 mil m³ por mês justifica o investimento. “Um exemplo são os imóveis de mais de mil m² e com piscina, quadra, sauna etc.”, calcula.
Quanto custa?
De acordo com a Abas, um poço de 100 a 300 m de profundidade na região metropolitana de São Paulo custa de R$ 100 mil a R$ 300 mil. O valor depende de fatores como o tipo de rocha a ser perfurada e é compensado com a economia financeira gerada pelo poço.
“Águas subterrâneas são, em geral, mais em conta do que as das concessionárias”, diz Carlos Eduardo Giampá. Será preciso, por outro lado, pagar os serviços de esgoto e manutenção (esta estimada entre R$ 4 mil e R$ 10 mil por ano).
Quanto tempo leva?
Desde a visita à obra até a construção, um poço na região metropolitana de São Paulo levará, para ficar pronto, de 90 a 120 dias. Tudo depende da demanda na época.
“Nos últimos meses, a procura aumentou até 50%”, conta Carlos, que também dirige a empresa paulistana DH Perfuração de Poços. Entra ainda nesse prazo a liberação pelos institutos locais. Já em Minas Gerais, o Igam estima de seis meses a um ano, de acordo com o porte do empreendimento, o local da intervenção e o uso.
Quem faz o serviço?
Segundo a Abas, o uso racional e a preservação das águas subterrâneas no Brasil padecem de falta de controle e fiscalização por parte dos órgãos governamentais, favorecendo profissionais clandestinos. Só no estado de São Paulo, entre 80 e 90 % das firmas do ramo estão nessa situação. Para melhorar o cenário, a Abas criou um selo que certifica aquela sem condições de atuar dentro das regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
No site www.abas.org.br há uma lista com 12 nomes.
Por onde começar?
O primeiro passo é a contratação de uma empresa perfuradora com registro ou visto no Conselho regional de Engenharia e agronomia de seu estado (Crea) e de um responsável técnico (geólogo ou engenheiro de minas) com atestado de capacidade técnica cedido também pelo Crea e relação de equipamentos em perfeitas condições, entre outros requisitos. Após selecionar a firma e assinar o contrato, serão necessários o recolhimento da anotação de responsabilidade Técnica (ART) junto ao Crea e a obtenção de licença no departamento de águas da região. Não deixe de acompanhar o trabalho e compare o descritivo do que foi proposto com aquilo que está sendo colocado em prática.
Tudo dentro da lei
A norma NBR 12.212 da ABNT determina as condições para a elaboração do projeto de poço de captação do volume subterrâneo para o abastecimento público. A proposta terá de apresentar especificações técnicas de construção; planilha orçamentária de quantidade de serviços e materiais; e croquis construtivos. Com base nos estudos de geologia realizados, o técnico dispõe de dados para detalhamento de acordo com o aquífero existente e a demanda de água para o sistema.
Consumo em perigo
Há quem afirme que, mesmo com o tratamento adequado e todas as licenças de uso, a água proveniente de poço artesiano não serve à utilização humana e pode causar uma série de problemas. “Prefira adotar esse líquido para descarga, irrigação do jardim, limpeza do carro e outras atividades afins da casa”, aconselha Francisco José de Toledo Piza, especialista em saneamento básico e professor da Escola de Engenharia do Instituto Presbiteriano Mackenzie (EE-Mackenzie), em São Paulo. “O consumo de água com chumbo, entre outros elementos, pode ocasionar doenças como câncer”, diz.
Fique atento: em São Paulo, se o poço pretendido se encontra num raio de 500 m de alguma área contaminada, sua exploração fica à mercê da manifestação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Para Gabriel Kogan, o perigo de ingerir água imprópria é o pior dos inconvenientes, mas não o único. “O poço artesiano pode afetar o equilíbrio da bacia hidrográfica, um problema do ponto de vista ambiental”, alerta. Outra questão a se combater são as iniciativas clandestinas se multiplicando pelas cidades. Segundo o DAEE, a falta de autorização submeterá o infrator às penas da lei. Após constatação, o proprietário se sujeita a multas e até a desativação do ponto de captação.
Quanto um poço é capaz de suprir?
Em residências, considera-se o consumo per capita de 200 litros diários. Uma casa de 500 m² e com oito pessoas, piscina e jardim precisa de um volume entre 3 mil e 3,5 mil litros por dia. Mensalmente, gastará entre 90 mil e 100 mil litros. Se a morada possuir um poço que produza mil litros por hora, o mesmo deverá operar entre três e quatro horas diárias. Já num condomínio, calcula-se utilização per capita de 150 litros por dia, o padrão pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Um empreendimento de 170 apartamentos com três moradores cada um exigirá, diariamente,76,5 mil litros e, por mês, cerca de 2,3 milhões de litros. Seu poço terá de oferecer 3 825 litros por hora, funcionando 20 horas diárias.
Regras que asseguram a qualidade da água
Para o consumo humano, esse recurso natural deve atender à portaria nº 2.914 de 2011 do Ministério da Saúde. “Existe uma frequência de análises para cada tamanho de sistema de fornecimento”, explica Francisco.“De acordo com a qualidade do manancial, o trabalho vai desde a simples cloração até o tratamento completo, incluindo floculação, sedimentação, decantação, filtração e cloração.” Mas, segundo Carlos Eduardo Giampá, se for adotado só para lavagem e irrigação, o líquido não requer tantos cuidados. Também é preciso pensar na manutenção, como a limpeza da tubulação.“Sugiro a cada um ou dois anos”, recomenda Carlos.

Poço Artesiano em detalhe
  • Cavalete - Conexões e instrumentos instalados na boca do poço para monitorar sua operação.

  • Cimentação sanitária - Após concluir a perfuração, realiza-se a cimentação do espaço entre as paredes do poço e o tubo de revestimento. Na sequência, faz-se a laje de proteção sanitária para isolamento.

  • Solo - Areia e argila na parte superior da terra.

  • Filtros - Materiais aplicados nas rochas arenosas e conectados aos tubos lisos nos poços construídos nas rochas sedimentares.

  • Aquífero - Rochas que armazenam o recurso natural infiltrado no solo entre grãos de areia, cavernas calcárias e fissuras.

  • Pré-filtro - Trata-se da areia grossa entre as paredes do poço e do revestimento, impedindo a entrada de areia fina no filtro.

  • Laje de proteção sanitária - É construída com 1 m2 de concreto em torno do poço e inclinada do centro para as bordas.

  • Cabo de alimentação - Condutor que interliga a bomba no interior do poço ao quadro elétrico.

  • Tubo de revestimento - Em geral de aço, isola a obra da camada superficial, evitando desmoronamento e possíveis contaminações.

  • Tubulação edutora - De aço galvanizado, PVC ou mangueiras flexíveis, liga a bomba ao cavalete, por onde sai a água.

  • Eletrodos - Protegem a bomba.

  • Bomba submersa - Equipamento colocado no fundo para bombear o líquido.
  • Hora de mudar os hábitos

    Não resta dúvida de que esse precioso volume subterrâneo pode desempenhar importante papel para a segurança hídrica da população, principalmente em momentos de escassez.

    “Porém, não acreditemos em soluções milagrosas. Furar o terreno não resolverá a situação de São Paulo”, afirma Gabriela Yamaguchi, gerente de comunicação do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente. “Os poços até ajudam, mas a prioridade vai em direção à utilização racional, à diminuição do gasto”, acrescenta.

    Não há mais volta: precisamos mesmo mudar de vez a maneira como nos relacionamos com nossos recursos naturais. Na opinião de Délcio Rodrigues, a arquitetura ajudará. “Pensar um projeto que explore diferentes fontes de água é um dos caminhos”, garante.

    Dois prédios em São Paulo contam sua experiência:

    No Condomínio Allegri Tatuapé, na zona leste, o projeto, que aguarda o aval do DAEE, atenderá a 168 apartamentos.“Fizemos três orçamentos e consultamos referências para escolher um nome”, diz a síndica, Ana Paula Queiroz. Os condôminos preferiram chamar um assessor técnico, o qual participou desde a contratação da perfuradora. Já gastaram R$ 98,2 mil sem contar os materiais de obra, como a tubulação de 220 m de profundidade.

    No Condomínio Residencial Maison Jardim do Phoenix, na zona sul, o poço de 143 m de profundidade obteve a renovação de outorga, necessária a cada cinco anos. “Limpamos a tubulação a cada dois anos e meio”, revela o gerente do lugar, Mauro Hayacibara. O poço gera 4 mil litros por hora. Os 220 moradores dos 44 apartamentos também bebem a água. Para isso, a Maxiágua cuida do tratamento, e, mensalmente, a DH Perfuração de Poços a analisa. O custo mensal é de R$ 3,7 mil.
    Fonte: Casa.com.br
    Texto: Dan Brunini
    Data de publicação: 06/05/2015
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