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SICPA - Fábrica de Tintas Especiais e Sistemas de Segurança
Os arquitetos do escritório Loeb Capote desenham uma fábrica
cuja área de convivência se abre como uma praça

Uma fábrica com diversos edifícios, abrigos de utilidades e vias que sugerem diferentes rotinas de produção convivendo no mesmo terreno. Há, no entanto, uma peculiaridade: o conjunto de galpões alinhados abre-se para uma praça conformada pelo edifício administrativo e de convivência desenhado por Loeb Capote, em uma implantação que reforça a área verde disponível na gleba e se diferencia de outras plantas industriais.

A Sicpa, fábrica de tintas especiais, existia há mais de dez anos em um terreno no Distrito Industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. A localização não é fortuita: as tintas que são feitas nos galpões servem para tingir um tipo muito especial de papel, o das notas do dinheiro corrente no Brasil, o Real. A escolha pelo bairro de Santa Cruz se justifica pela proximidade com a Casa da Moeda, a alguns quilômetros de distância, e facilita a logística do processo.

Mas essa conveniência criou dificuldades. A necessidade de criar áreas comuns de convivência, por exemplo, foi em parte uma exigência do entorno: apesar do distrito industrial de Santa Cruz ser bastante adensado, não existe oferta de restaurantes e áreas de descanso. Todo o programa teria de ser absorvido pelo complexo.

O tipo de intervenção já é bem conhecido pelo escritório, responsável por desenhar cidadelas industriais para a Natura, Avon (AU 216), Mahle (AU 244) e outras empresas. O desafio foi enfrentado pelo escritório de Roberto Loeb, Luís Capote e seus arquitetos associados, com um projeto que resolveu questões de organização da produção, reforma dos galpões existentes e, sobretudo, um novo edifício administrativo que integra os outros edifícios e cria uma praça de acesso ao complexo.

A fábrica de tintas especiais tinha sua organização espalhada pelo Estado do Rio de Janeiro. A proposta era reunir todos os programas na gleba do bairro de Santa Cruz, o que demandou uma reforma completa dos galpões existentes, e a introdução de edifícios de uso comum, como restaurante, biblioteca, áreas de estar e, principalmente, o edifício administrativo, que traria os funcionários antes instalados alguns quilômetros de distância, na Barra da Tijuca.

A intervenção na área de produção requereu o enfrentamento das condições do solo. "Quando chegamos para vistoriar, as vias de circulação de veículos estavam rebaixadas 1 m em relação à cota dos galpões", explica Roberto Loeb. Demandou-se um restauro do terreno, ao mesmo tempo em que foram modernizadas as alas que já existiam. A equipe do Loeb Capote desenhou uma rua posterior aos blocos existentes, para criar programas de apoio como vestiários.

Esse bloco, uma sucessão de volumes encerrados que se voltam para as partes mais específicas da produção, relaciona-se também com um novo volume instalado na parte posterior, de restaurante e cantina. "Precisávamos dar um jeito de fazer o pessoal da produção alcançar rapidamente o restaurante", diz Loeb, "foi aí que fizemos essas pontes metálicas que integram a parte de vivência com os galpões".

O sistema de pontes passa por diversos setores da produção, numa linguagem que cita as esteiras rolantes que ritmam a serialização fabril. Em vez de carregar tintas ou suprimentos, são as pessoas que circulam nessas passarelas elevadas, resolvidas em delgadas vigas metálicas e sem fechamentos, atuando como varandas que fazem a transição para a área de convivência.
Nesses volumes que interagem diretamente com os galpões de produção e distribuição existentes, o partido geral de Loeb e Capote foi conciliatório: apesar de alguns volumes de abrigos, caixas d'água e até mesmo as passarelas e restaurantes terem uma arquitetura com plástica própria, sua arquitetura se mescla com o ambiente fabril que ali já existia. O único prédio que cria um ruído nessa organização geral é o administrativo, que foi conformado de modo oblíquo ao alinhamento dos outros galpões. "Isso abriu uma praça de chegada ao complexo", explica Loeb, ao analisar a implantação do projeto no terreno.

O novo edifício tem quase 200 m de extensão, e resolve linearmente os postos de trabalho. Esse comprimento longo, em um volume de apenas dois andares, cria um proporção eloquente com o restante do conjunto. A estrutura do prédio é de concreto armado in loco, com cobertura metálica. A principal questão foi o conforto ambiental em uma área demasiado quente e isolada. Assim, uma grande aba de telhas metálicas perfuradas se projetam aproximadamente 5 m para além da laje do primeiro andar, para criar uma zona de sombra no interior.
Adepto do desenho à mão, Loeb diz que a dimensão final da marquise foi resultado dos estudos de insolação de seu projetista, Nicola Pugliese, antigo desenhista de Rino Levi. "É tão mais rápido que no computador", diz.

As decisões para deixar o prédio mais confortável aparecem também no térreo, onde um espelho d'água acompanha todo o edifício, fazendo com que seja implantado em uma espécie de ilha artificial. O acesso, desse modo, acontece por passarelas de estrutura metálica com piso de madeira, como um assoalho elevado.

O edifício tem 15 m de largura e, no térreo, a circulação é avarandada, desenhando um jogo de ventilação forte que, somado à zona de sombra da marquise e ao espelho d'água, cria um ambiente fresco.

A laje de 200 m x 15 m é livre das grandes áreas hidráulicas, como sanitários gerais e circulações verticais, graças a um sistema de volumes plugados no edifício principal, o que garante mais liberdade no layout das salas, além de flexibilidade em uma eventual expansão das partes administrativas. No térreo, dois volumes ficam soltos do edifício principal, no meio do espelho: são os conjuntos de salas de reunião térreas, com acesso pelas varandas, criando a impressão de duas pequenas caixas de vidro ilhadas na composição. A arquitetura é ainda comentada por um painel do artista paraense Cláudio Cretti, feito com cacos de pedras em uma parede na entrada do edifício.
O resultado é uma fábrica na qual as alas administrativas e de produção convivem com uma praça cuidadosamente desenhada pela inclinação do edifício e reforçada pelo paisagismo de Luis Orsini.

O escritório Loeb Capote já desenhou muitas indústrias, sempre com a tarefa de ir além das áreas de produção e criar espaços de integração entre os funcionários da planta. Os modos pelos quais os arquitetos atingem esse objetivo são o que compõem o acervo do escritório, e a variedade de soluções que apresentam fazem com que cada experiência seja digna de atenção.

Na Natura, tratava-se de uma cidadela com volumes distribuídos. Na Avon, um percurso linear por uma marquise. Na Mahle Limeira, produção e administração estavam alinhados criando uma pequena praça. No projeto para a fábrica de tintas especiais, a ideia da praça radicalizou-se, e uma inflexão na implantação do edifício criou uma radical harmonia entre os usos da fábrica em Santa Cruz.

Galeria

Plantas
Implantação Cobertura
Implantação Térreo

Bloco Al
Planta da Cobertura
Planta do Térreo
Planta do 1º pavimento
Elevação 01 sem tela
Elevação 02
Elevação 02 sem tela
3790
Elevação 03 sem tela
Elevação 04
Elevação 04 sem tela
Corte AA
Corte BB
Corte CC

Bloco B
Elevação 01
Elevação 02
Elevação 03
Elevação 04
Corte AA
Corte CC

Bloco D
Planta Térreo
Planta do 1º Pavimento
Elevação 02
Corte A
Corte B
Corte C
Corte E
Corte F

Dados da obra
Área construída: 26 mil m²
Área do terreno: 130 mil m²

Ficha técnica
Arquitetura e interiores: LoebCapote Arquitetura e Urbanismo
Autores: Roberto Loeb e Luis Capote
Arquitetos associados: Damiano Leite, Chantal Longo
Colaboradores: Jenniffer dos Reis, Nicola Pugliese, Francisco Cassimiro, Érica Urbani, Noemí Fernandez, Mariana Pierobon, Ludovica Leone, Juliana Lovato, Maria Carolina Simões, Priscila Cunha, Jimena Veja, Cristina Sin, Estevam Martins, Elisa Felca, Gabriela Torres, Maria Pia Laloni, Karina Loekmanwidjaja, Marina Santos, Thaís Peres, Roberto Bittar, Claudia Oréfice, Cecília Mesquita, Josué Castilho
Estrutura metálica e de concreto: Pinto Rodrigues Engenharia Estrutural
Execução da obra: Construtora Ribeiro Caram

Reportagem: Rafael Urano Frajndlich
Fotos: Leonardo Finotti
Fonte: CBCA
Data de publicação: 12/05/2015
Mais Indústrias
Natura
Concreto, vidro e
estruturas metálicas
caracterizam a obra
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Complexo Nissan
Sistemas de ventilação
e iluminação natural no
projeto sustentável
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Fábrica Ipel
Vidro laminado que
se encaixa no alumínio
pintado de branco
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