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Esquadrias Bank Boston
Aguenta até furação

Por exigência do cliente, esquadrias do bank Boston foram projetadas para suportar cargas de vento semelhantes às de furacões. Para garantir rapidez, quantidade e qualidade, a produção foi feita no próprio canteiro.

Com 110 m de altura de uma arquitetura recortada ás margens do rio Pinheiros, é possível imaginar as cargas de ventos a que é submetida a nova sede do Bank Boston, em São Paulo. E, de fato, os 32 mil m² de esquadrias e outros elementos da fachada foram projetados e executados para agüentar ventos equivalentes a furacões.

Mas o prédio não foi feito assim porque esperam que a capital paulista se torne rota de tormentas. O motivo de tamanho cuidado maior do que o exigido pelas normas brasileiras partiu do contratante. Com escritórios em 19 países, o grupo conta com uma relação de procedimentos construtivos padrão. Assim, a sede paulistana foi obrigada a ter o mesmo desempenho construtivo das demais que, aí sim, sofrem com furacões. Por isso, o Bank Boston paulistano suporta ventos de até 250 km/h, mas só 150 seriam suficientes para suportar os ventos da região do rio Pinheiros.

De qualquer forma, a exigência fez com que a Hochtief elaborasse um planejamento especial para montagem e colocação de esquadrias de alumínio. Antes das obas, Bank Boston já havia adquirido uma câmara de ensaios de protótipos de fachadas-cortina com altura útil de 9,7 mil mm, largura útil de 5 mil mm, profundidade de 1,5 mil mm e capacidade de simular ventos de até 324 km/h. A medida evitou que os testes de esquadrias tivessem de ser realizados no exterior. O mesmo não ocorreu com os ensaios de silicone de vedação, feitos em Atlanta, nos Estados unidos.

Mas a dificuldade não estava apenas em produzir uma esquadria que se encaixasse nas normas do banco norte-americano, mas em garantir a montagem das peças em escala, já que 22 mil m² da fachada são de vidro. Por isso, foi escolhido o sistema unitizing, em que o fabricante da esquadria monta uma verdadeira planta industrial dentro do canteiro.

Assim, cada esquadria foi produzida com vidro duplo ( duas lâminas de 6 mm com câmara de 12 mm) de baixa emissividade e isolamento termoacústico incorporado, sendo posteriormente içada para o pavimento. “Isso permitiu que fizéssemos até 80 peças de 2,90 x 1,80 m/dia”, conta o engenheiro André Glogowsky, presidente da construtora. Assim, a janela chegava pronta à laje, limitando a instalação à preparação das ancoragens e acoplamento das esquadrias.

No canteiro, o sistema de transporte vertical, que chegou a contar com três gruas e dois elevadores, também foi feito de forma a acelerar a execução da fachada. O sucesso da experiência motivou a Hochtief a empregar o método unitizing para as esquadrias em outra obra, o edifício Comendador Yerchanik Kissajikian, as Avenida Paulista. “Essa obra abriu uma nova opção tecnológica para nós”, comenta Glogowsky.
A fachada do Bank Boston conta com 22 mil m² de vidros duplos de baixa emissividade
Outros sistemas

Logo que a construção da nova sede do Bank Boston em São Paulo começou, já se anunciava como uma das obras tecnologicamente mais avançadas do Brasil. E isso não era referência apenas às esquadrias. “É um edifício muito sofisticado, especial em vários sentidos”, afirma Glogowsky.

Com mais de 74,6 mil m² de área construída, o Bank Boston conta com fundações de sapatas e estacas raiz, estrutura com concreto de alto desempenho entre 35 e 60 MPa, o que permitiu vãos típicos de 21 m com adição de gelo para controle de temperatura, isolamento acústico com lã de rocha com densidade maior que a do projeto norte-americano e condicionamento de ar com carga de 1,7 mil T.

Superfachada

O sistema da fachada, que se entende por 22 mil m², é utilizado. Dessa maneira, os painéis de fachadas são içados por um guindaste já com os vidros, e o isolamento térmico e acústico colocados. Basta preparar as ancoragens nos andares e acoplar os painéis modulares. Conseguimos produção de até 60 m² de fachada por dia, contabiliza Teodoro. Os painéis vão de laje a laje, possuem altura de 4,30 m e foram dimensionados para suportar os tufões americanos. Os testes de resistências á ação do vento foram realizados com pressão 50% maior que o exigido pela norma brasileira, mas o cliente desejou esse coeficiente de segurança, completa. As placas de vidro que compõem os painéis unitizados possuem a tecnologia low-e ( baixa emissividade), que barra a entrada de uma considerável carga térmica sem reduzir a transmissão luminosa. Porém, como a insolação excessiva poderia prejudicar o conforto visual dos ocupantes, foi colocada uma tela de sombreamento que permite entrar somente a claridade necessária.

O granito para constituição das fachadas ventiladas, originalmente especificado pelos projetistas americanos, teria de ser importado dos Estados Unidos e Zimbábue. O Cliente optou por materiais nacionais, já que o Brasil possui mais de 300 tipos de rochas. O granito Branco Ceará e o Preto São Marcos, provenientes respectivamente do Ceará e da Paraíba, foram escolhidos para a fachada. Tanto na jazida como no fornecedor foram alocados fiscais para controlar a qualidade das placas. A fixação foi feita com acessórios em aço inoxidável 304, e as cantoneiras junto ao concreto foram fixadas com inserts metálicos importados da Alemanha, posicionando no momento da concretagem dos pilares. O sistema metálico de fixação é o mais moderno em termos de segurança, desempenho e durabilidade, além de formar um colchão de ar atrás das placas, contribuindo para o conforto ambiental do edifício, opina Paulo Flório Giafarov, consultor da DGG Assessoria.

Cuidado com o Barulho

Para combater o ruído médio de 65 dB na cidade de São Paulo, o projeto de acústica especificou isolamentos de lã de rocha com densidades maiores que o previsto no projeto americano. A proteção de lã de rocha evita a passagem de som entre os andares, introduzindo-se a isolação entre a estrutura e os elementos das fachadas. Na caixilharia foram empregados vidros duplos, com câmara de vácuo interna. As três máquinas de ar-condicionado, de 1,6 MW (454,5 TR), receberam tratamento acústico. A colocação de alto-falantes nos forros proporciona uma sonorização mais uniforme nos andares.

Já o auditório não podia receber interferências maiores que 30dB. O projeto arquitetônico é pós-moderno, ou seja, emprega materiais lisos e é mais reverberante que absorvente. O tempo de reverberação, de 1,5 segundo, é um pouco alto. É inadmissível para salas de concerto, mas aceitável para salas de conferência, compara Alexandre Sresnewsky, consultor de acústica.

Nessas conferências, é comum os espectadores comentarem os assuntos entre si e esse ruído não pode atrapalhar a palestra. O projeto compreende o emprego de lã de rocha por cima do forro, tapete no piso e poltronas almofadadas. Aplicamos elementos refletores só no forro e absorvedores nas paredes e no fundo, para evitar o retorno do som explica Sresnewsky.
Paisagismo
Área de plantio: 5.950 m²
Área de piso: 3.878 m²
Espécies: 197 árvores de 50 palmeiras
Volume de terra sobre a laje do piso térreo: 6.000 m³
Acesso de automóveis: 1.137,35 m²
Acesso de pedestre: 545,46 m²
(pedra Goiás, mosaico português, pedrisco solto, pontes e passarelas de madeira)
Espelhos e cursos d’água : 1.530 m²
Praça do auditório: 275 m²

Por exigência da multinacional que contratou a obra, boa parte dos projetos do Bank Boston foram elaborados inicialmente por escritórios norte-americanos, mas tiveram adaptações brasileiras.
Ficha Técnica

Incorporação: Bank Boston
Gerenciamento: US Equities Realty
Construção: Hochtief
Projeto Arquitetônico: SOM e Júlio Neves
Projeto Estrutural: SOM e Ruy Bentes
Projeto e instalações: Flack + Kurtz e Soeng
Projeto de ar-condicionado: Engetherm
Projeto de impermeabilização: Proassp
Projeto de fixação de fachadas: GMM
Paisagismo: Isabel Duprat
Projeto de interiores: Paola Rosellini
Projeto de iluminação: Esther Stiller
Consultoria de fundações: Consultrix
Consultoria em granito: DCG
Projeto acústico: Sresnewsky
Consultoria em fachada ventilada: Bernie Gandras e Peter Muller
Terraplenagem: Engeterra
Explosão em rocha: Arcoeng
Estrutura: Hochtief
Instalações elétricas e hidráulicas: Temon
Ar-condicionado: Air Conditioning
Sistema de automação e controle: Ansett
Controle de acesso: Tyco
Elevadores: Atlas Schindler
Impermeabilização: Denver
Piso elevado: Tate
Forro: Hunter Douglas Armstrong
Granito: Moredo
Vidros: Guardian
Caixilhos de fachadas: Algrad
Silicone de vedação das janelas: Dow Corning
Projeto de Caixilhos: Kawneer
Controle tecnológico: Concremat
Concreto: Polimix Betonbrás
Fôrmas e escoramentos: Peri
Gesso acartonado: Knauff
Colocação de gesso acartonado: Walltech
Elevador cremalheira: Alimak
Marcenaria: Dabol
Louças: Deca e Celite
Porcelanato: Eliane
Fonte: Revista Téchne
Autor: Ubiratan Leal
Data de publicação: 23/11/2010
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