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Cobertura Metálica curva
Uma curva, um marco

Com apenas uma curva singela - um gesto que domina a composição - Carlos Bratke inscreve mais um marco silencioso, firme e seguro na paisagem paulistana
Uma generosa cobertura metálica amarela, em curva, destaca a mais recente interferência de Carlos Bratke na cidade, o edifício Brigadeiro I, erguido no final da Avenida Brigadeiro Luis Antonio, próximo à Avenida São Gabriel, bairro do Itaim, zona Sul de São Paulo. A grande peça metálica parte da lateral do edifício, formando um beiral que protege a fachada envidraçada e desce em curva para o lado oposto, até tocar suavemente o solo. Com uma linguagem simples, criativa e desafiadora, o arquiteto faz do edifício uma nova referência para a região, uma das mais valorizadas de São Paulo atualmente.

O terreno, de apenas 900 m2, deveria ser ocupado por um imóvel destinado a aluguel, de uso único e de alta qualidade. Logo de início, o arquiteto teve de contornar as várias restrições legais relativas à ocupação e altura da construção às quais a região está submetida. Três órgãos interferem no local: a prefeitura, pela Sehab (Secretaria de Habitação), o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo), e o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), uma vez que a área está incluída na região dos Jardins, tombada pelo Patrimônio. Como no local a legislação só permitia que se construísse uma vez a área do terreno, ou seja, 900 m2, e mais a mesma área para o subsolo, o edifício poderia ter uma área construída de 1.800 m2, e mais 68 m2 que não seriam computados, por estar destinada aos equipamentos necessários ao funcionamento do edifício, como os geradores.

Bratke explica que, pelas normas da prefeitura, o prédio poderia encostar nos limites do terreno até a altura de seis metros. Depois disso, deveria ter um recuo obrigatório de três metros de cada lado. No entanto, pela regra do Conpresp, a construção só poderia chegar ao limite do terreno em um dos lados, mantendo do outro lado um espaço livre de três metros. "Então, para poder seguir as normas, criei a grande curva da cobertura", explica o arquiteto.

O edifício, com dois subsolos, dois andares e mezanino, tem estrutura mista, executada em aço e concreto moldado in loco e protendido. O fechamento da fachada recebeu silicon glazing (vidro encapsulado em silicone), e os demais alvenaria com aberturas envidraçadas. O uso de concreto protendido propiciou lajes com 12 m de vão, livres de colunas. O cálculo estrutural do concreto foi elaborado pelo engenheiro Aluizio d'Ávila, e a estrutura metálica do mezanino e da cobertura pelo engenheiro Flávio d'Alembert.
D'Ávila utilizou um sistema inovador de vigas e pilares. Em vez do sistema convencional de viga e pilar, ele optou por duas vigas com o pilar no meio. Essa técnica, além de resolver muito bem a protensão, evitou que a viga ficasse muito alta, por conta da passagem dos cabos protendidos. Além disso, conseguiu diminuir a estrutura da viga e gastar menos concreto. Nas lajes de cobertura, para permitir maior flexibilidade, a estrutura, o ar-condicionado e as calhas eletrolíticas para fiação foram deixados aparentes. Como as lajes receberam piso elevado, o usuário pode optar pela colocação da fiação no teto ou no piso. O piso, do tipo monolítico, é composto de fôrmas de plástico preenchidas com argamassa especial, e pode facilmente ser cortado para passagem da fiação. O piso monolítico dispensa o contrapiso, uma vez que a massa usada na colocação das fôrmas regulariza o nível da laje.
O ar-condicionado usado é o chamado VRV (Volume de Refrigerante Variável), regulável por ambiente, que consome menos energia e seu custo, que já foi muito alto, hoje está bem mais acessível. O vidro usado nas fachadas é atérmico e levemente reflexivo para evitar o excesso de isolação. O paisagismo foi feito pelo irmão do arquiteto, o também arquiteto Roberto Bratke, e exibe piso de placas de ardósia enferrujada e árvore.
De acordo com Bratke, o empreendimento foi, de certa forma, uma aventura para os investidores, pois a região é ocupada prioritariamente por clínicas médicas e laboratórios, e não se sabia ao certo se um novo tipo de uso seria bem aceito. No entanto, o negócio mostrou-se extremamente rentável e o edifício foi alugado, ainda durante a construção, para um escritório que emprega 200 funcionários e atua na área de organização de eventos para empresas de propaganda.
Ficha Técnica

Obra: Edifício Brigadeiro I
Cliente: Construtora Bratke e Collet
Área do Terreno: 900 m2
Área Construída: 1.868m2
Projeto: 2008
Conclusão da Obra: 2009

Projeto de Arquitetura: Escritório Carlos Bratke Arquiteto
Projeto Estrutural (Aço): Projeto Alpha Eng de Estrutura - Flavio d' Alembert
Contrução: Construtora Bratke e Collet

Fornecedores

Ar Condicionado: Thermoplan Engenharia Térmica
Instalações Elétricas e Hidráulicas: Soeng Construção Hidroelétrica
Elevadores: Atlas Schindler
Estruturas Metálicas: Construmet Construções Metálicas
Telha Metálica: Tuper - Filial Telhas e Perfis
Forro do Deck de Madeira: 2FF Comércio de Madeira
Forro de Gesso: Rocco Barros Molduras
Caixilharia: Algrad Esquadrias e Fachadas Especiais
Louças de Metais: Deca
Fonte: Revista AU – edição nº 188
Data de publicação: 20/10/2010
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