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Construção em aço: NAVE - Núcleo Avançado em Educação
Ensinar o futuro

Em proposta genuinamente urbana, centro de ensino incorpora em sua arquitetura a mesma linguagem digital que é base da proposta pedagógica oferecida no local.
A filosofia que pautou a criação do Núcleo Avançado em Educação (NAVE), uma iniciativa do Instituto Oi Futuro em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, é a de que vídeos, jogos, e até mesmo meios ainda não inventados pela Tecnologia da Informação, podem se transformar em ferramentas de disseminação de conhecimento e de aprendizagem valiosos para a formação de jovens. Por isso, mais do que uma escola pública para estudantes do Ensino Médio, o local dedica-se à pesquisa e à produção de cultura digital. Ali, os alunos têm a possibilidade de aprender sobre programação multimídia, jogos e roteiros para web, geração de conteúdos para TV digital, entre outros. O espaço funciona, ainda, como um centro de pesquisas e desenvolvimento de soluções pedagógicas inovadoras.

Para abrigar tantas atividades era preciso criar um espaço físico compatível com a proposta educacional arrojada. Concluído em 2008, o trabalho ficou sob responsabilidade dos arquitetos Gustavo Martins, Ana Paula Polizzo e Marco Milazzo, do Ateliê Oficina de Arquitetos, que já haviam realizado outro projeto com vocação educacional semelhante para o mesmo instituto - o Centro de Ensino Experimental Cícero Dias (AU 151), concluído em 2006 em Recife, PE.
Na unidade fluminense, que tem capacidade para atender até 600 jovens, a área de implantação interferiu de forma contundente no desenvolvimento do conceito arquitetônico. O local, em meio a um trecho densamente ocupado do bairro da Tijuca, compunha-se de um bloco com dois edifícios pré-existentes, onde já funcionava o Centro de Distribuição de Linhas Telefônicas da Oi. Apesar da escola, o setor deveria ser mantido no local, o que impôs aos arquitetos o desafio de conciliar dois usos aparentemente incompatíveis: o extenso programa escolar e as áreas técnicas e operacionais da empresa de telefonia.
Para viabilizar o plano, o primeiro passo foi compreender o sistema de uso das áreas do Centro de Distribuição - que necessariamente deveriam permanecer isoladas - e dispor de um sistema próprio de circulação e acesso.

A etapa seguinte foi ocupar os espaços vazios com a escola, criando um sistema independente de usos e circulações. Isso foi feito principalmente pela inserção de um edifício escada, constituído de estrutura de aço e revestido por uma camisa de placas de chapas de aço galvanizado.

O elemento oferece diversos graus e nuances de transparência. Além disso, conecta os andares ocupados pelas instalações da escola, atendendo às necessidades de acessibilidade e fluidez. Uma antiga escada interna e três elevadores foram mantidos, complementando a adaptação.

A manutenção da fachada branca do antigo prédio art déco dialoga com o aspecto contemporâneo da estrutura metálica dominante nas novas instalações educacionais
Em clara referência às atividades realizadas no local, a fachada foi transformada em uma intervenção de arte urbana com a inserção de um painel de 18 m x 18 m, que veste parte do edifício pré-existente e que é substituído periodicamente.

Tanto a circulação quanto a organização do programa tiraram proveito do desnível do terreno. As áreas de acesso de alunos, funcionários da escola e do público se concentram no primeiro e segundo pavimentos, uma vez que o térreo, elevado a 1,23 m, é ocupado pela Central da Oi.

O primeiro pavimento foi reservado às áreas para atendimento, direção, sala de professores, refeitório, cozinha, serviço e manutenção. A 4,19 m de elevação em relação à entrada principal, este andar pode ser acessado também por uma rua lateral, onde estão entrada de serviço, área de carga e descarga e espaço para funcionários.

Subindo um nível, chega-se à área de laboratórios e ao auditório, que tem capacidade para 119 pessoas, e é acompanhado por um espaço para exposições. Mais acima, no 30 e no 40 pavimentos, distribuem-se as salas de aula. Há ainda uma cobertura ocupada por quadra poliesportiva e que, posteriormente, contará também com vestiários.

Internamente, os ambientes se configuram como grandes espaços vazios ocupados por volumes, que carregam consigo seu uso específico. Como contêineres visualmente descolados da estrutura original, essas estruturas reforçam a distinção entre o novo e o antigo.
Nas salas de aula, as aberturas, a ocupação do espaço por volumes e o aproveitamento de sistemas mecânicos de condicionamento de ar existentes acabaram exigindo do projeto um cuidado mais apurado com a acústica. As paredes laterais das salas receberam material isolante. Já o forro recebeu sanca em gesso acartonado em todo o perímetro, em modulação com placas de alumínio. "Como queríamos que os alunos tivessem a idéia de estarem em um espaço dentro de outro, inserimos placas de policarbonato, que é um material refletor, no cume das paredes entre salas. Já a laje de teto do espaço onde as salas foram inseridas foi coberta com material absorvente", explica Gustavo Martins.

O arquiteto conta que o mesmo espírito intervencionista que ganhou forma com a mudança de parte do uso do conjunto de edifícios inspirou a programação visual adotada no interior da unidade. Com isso foi possível transferir um pouco da "linguagem digital" para dentro do prédio, fazendo do grafismo aplicado em paredes, teto e piso uma marca registrada da nova arquitetura.
Ficha Técnica

Local: Rio de Janeiro. RJ
Área de obra e retrofit: 6.000 m2
Ano de projeto: 2006
Ano da obra: 2008
Arquitetura: Ateliê Oficina de Arquitetos
Autoria: Ana Paul a Polizzo. Gustavo Martins e Marco Milazzo
Equipe: Raíssa Rocha. Luísa Gonçalves. Natália Mayer
Obras Civis: Technion Engenharia e Tecnologia
Gerenciamento de projetos e obras: Vieira Sampaio e LMC Engenharia
Estrutura da escada Metálica: Eng. Francisco Elvas

Fornecedores
Estrutura Metálica da escada: Technion Engenharia e Tecnologia
Painéis perfurados: Permetal
Drywall: Knauf
Painéis acústicos: Rockfibra

Reportagem: Jullana Nakamura
Fotos Fran Parente
Fonte: Revista AU – Arquitetura & Urbanismo – Outubro/2010
Data de publicação: 15/12/2010