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Estrutura Tensionada: Projeto Centro de Eventos
Trabalho de Graduação Interdisciplinar: Desenvolvimento de uma Estrutura de Cabos
Premiada durante as comemorações do cinqüentenário da Faculdade de Arquitetura Mackenzíe (1998) e integrante do projeto vencedor do concurso para revitalização do centro e Marina Pública de São Sebastião, litoral norte de São Paulo, a proposta do arquiteto Cláudio Thomas Reuss* mostra um estudo detalhado do sistema de estrutura tensionada para a construção de um centro de eventos. O projeto busca referências visuais e modos de funcionamento de mecanismos e peças utilizados em diversos equipamentos, com fins variados. Trata do conceito estrutural e de conceitos formais e de concepção de detalhes estruturais.
O Projeto
O centro de eventos proposto abrigará uma grande área livre e terá pé-direito relativamente alto, para possibilitar a montagem de aparato luminotécnico para shows e exposições. Mas, apesar de seu grande porte, não deverá interferir de modo drástico na paisagem do litoral, compatibilizando-se com as condições climáticas da região, críticas no que se refere à ação de fortes ventos.

A estrutura faz referência a estruturas orgânicas e de barcos, pois se baseia no conceito de uma espinha dorsal com costelas que a cruzam. Por se tratar de um sistema de cabos, apenas uma costela é rígida, compondo-se de um arco, que, com a ajuda de um pilar, o único que invade o espaço interno, sustenta toda a estrutura. As outras "costelas" são de cabos.

Essa estrutura de cabos tem a função de rígido controle formal da lona que faz a cobertura do espaço. O sistema se vale de um princípio muito similar ao estabelecido pelo tensi-grid, utilizado para fazer grandes panos-de-vidro, estruturados por cabos contrapostos.
Apesar de ser uma estrutura extremamente leve, é submetida a tensões que lhe conferem grande inércia como elasticidade, mais restrita pelas tensões, mas suficiente para absorver impactos e tensões criadas pelos ventos.

"Esse aspecto é interessante se compararmos a rapidez com que um material como o alumínio se fadiga, em relação a um cabo de aço", explica Cláudio Reuss. O processo ocorre quando esse material cria fissuras que trazem a oxidação ao interior da peça.

O alumínio se fadiga principalmente quando submetido a esforços de flexão e, para que isso não ocorra nas peças de fixação, estas, como no caso do tensi-grid, terão articulações livres em pontos estratégicos.
Resisitência à Carga de Ventos
Se a estrutura tem como condicionante vencer ventos, deve ser considerada como uma estrutura "viva', isto é, que se altera em forma para absorver as tensões geradas. Ela deve drapear em alguns momentos: quando ocorrem as rajadas de vento, deveria dar rápidas drapeadas e não entrar em ressonância com ventos fortes, o que faria com que se rompesse.

Em barcos a vela, isso é evitado com o aumento da tensão na vela, tornando-a mais reta. Trabalho que pode ser feito prétensionando a retranca e alterando então a flecha do mastro. Outra solução é "talear" a vela - hoje, as talas são utilizadas para protender o tecido, não sendo apenas encaixadas dentro do velame. São maiores que o tecido e, por sistema de cordas ou de fitas, tensiona-se o tecido sobre elas, tendo-se maior controle formal da vela.

Nesse sentido, dois cuidados foram tomados. A lona foi pré-tensionada em conjunto com a estrutura de cabos, para evitar a existência de áreas de pano não submetidas a tensões. E, valendo-se de princípio semelhante ao da tala que percorre a vela no mesmo sentido que o vento, foram previstas estruturas também de cabos contrapostos, classificadas como ternárias, que fazem anéis elípticos cruzando a espinha dorsal como todas as suas seções, percorrendo em sua maior extensão o mesmo caminho do vento.
Configuração
O projeto propõe uma estrutura principal, que pode ser montada independente do resto - e é sobre ela que serão penduradas as outras.

Ela é composta por um arco e um pilar inclinado, principais sustentações da estrutura.

Perpendicular ao arco, ocorre uma treliça de arcos de cabos contrapostos, pendurada no arco, através de um "pilar flutuante".

Este, na realidade, tem função semelhante a um espaçador, sendo utilizado para aumentar a seção útil dessa treliça, sem que o arco se torne desproporcional e muito alto, conseguindo, dessa maneira, resultado formal mais interessante.

A treliça é composta de quatro cabos, contrapostos dois a dois, e entre eles ocorre o plano de simetria de toda a estrutura.

Sobre essa estrutura são penduradas estruturas semelhantes à primeira, mas não compostas de quatro cabos e sim de apenas dois, contrapostos, na sua maioria perpendiculares ao plano de simetria.

Ao serem fixos a essas verticais da treliça principal, eles respeitam a inclinação delas e algumas vezes também sofrem variação de grau com o plano de simetria.

As verticais, portanto, estão sobre o eixo de interseção do plano dessa treliça com o plano de simetria.

Essas seções são classificadas como estruturas secundárias, sendo treliças de cabos "K'.

Por último, estão as estruturas ternárias, que têm função exclusiva de contraventamento e se configuram por anéis elípticos construídos segundo o mesmo modelo estrutural -, que se articulam a todas as seções da estrutura secundária e cruzam a treliça principal nos pontos de maior raio.

A lona ou tecido que faz a cobertura do espaço é instalada próxima à linha neutra da estrutura, para garantir pouca movimentação quando a estrutura for submetida a oscilações.
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