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Structural Glazing: Fachadas
Caracterizado pela colagem de vidros em caixilhos de alumínio, o sistema requer cuidados de projeto e instalação para bom desempenho e segurança
No final de 2003, a queda de painéis de vidro em algumas obras da capital paulista levantou polêmica sobre a questão da segurança do sistema com silicone estrutural ( structural glazing ) em edifícios. No Brasil há cerca de 15 anos, a tecnologia que pressupõe a colagem química de painéis de vidro em esquadrias de alumínio, por meios de silicone neutro requer mais do que cuidados na aplicação e o correto dimensionamento do material de colagem. Testes apropriados de adesão e compatibilidade de substratos são fundamentais para evitar patologias, como o deslocamento de painéis.

“ Não há normas da ABNT ( Associação Brasileira de Normas Técnicas) para o structural glazing “, afirma o engenheiro Nelson Firmino, da Aluparts, empresa especializada no projeto e execução de fachadas e esquadrias. Firmino explica que a alternativa adotada pelo setor é basear-se em normas internacionais como as da ASTM ( American Society Fo Testing Materials), ou da Iram (Instituto Argentino de Normalización). “ A resistência do sistema, no entanto, deve atender aos esforços previstos pela NBR 6123 e NBR 10821”, acrescenta. O engenheiro desaconselha a aplicação da tecnologia em subsolos(quando a água escorre pelas paredes) e em locais muito expostos a impurezas como pó.

Seguir à risca a recomendação dos fabricantes e tomar os devidos cuidados na aplicação são itens fundamentais para garantir a durabilidade, o bom funcionamento da fachada e, sobretudo, a segurança. Fitas adesivas e silicones, em geral, não apresentam bom nível de aderência em perfis de alumínio com acabamento superficial com pintura eletrostática. “Os perfis de alumínio anodizado são os mais indicados “, diz Firmino. Assim, quando a aderência é insuficiente, recomenda-se o uso do primer, promotor de adesão para superfícies de baixa energia superficial.
Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
O Desempenho e eficácia do silicone estrutural não dependem somente da correta aplicação, mas também dos testes de curto e longo prazo. “Os testes de envelhecimento acelerado, que avaliam a propriedade dos adesivos antes e depois do envelhecimento, são fundamentais para garantir a segurança do sistema”, explica o engenheiro Paulo Sérgio de Oliveira, gerente da divisão construção da Sika. Segundo Oliveira, o procedimento é extremamente importante já que, com o tempo, o módulo de deformação, capacidade de alongamento e aderência do silicone são afetados pela ação dos raios UV.
Dimensionamento

Se nas fachadas tipo pele de vidro a transferência de cargas do componente de vedação (vidros) ao caixilho acontece de forma mecânica, por meio de parafusos e perfis de alumínio, no structural glazing isso é feito pelo silicone estrutural. Para dimensionar a largura e espessura do cordão de colagem, são levadas em consideração informações como a dimensão dos painéis de vidro, a espessura, tipo de perfil e acabamento, cargas dinâmicas( como ação dos ventos) e o ângulo de inclinação da superfície de vidro.

Em alguns casos, para que o silicone estrutural seja aplicado, é necessário especificar o perfil com aba para eliminação da carga estática ou peso morto do vidro. A aplicação de primer em geral, usado para promover níveis satisfatórios de aderência entre materiais pode ser feita simplesmente para acelerar o processo de Cura, como acontece nos Estados Unidos.
Tempo de cura

O silicone estrutural requer um tempo específico para cura, que pode variar de um a oito dias. A engenharia Gislene Attilio Meyer, da Dow Corning do Brasil, explica que, por ser de cura neutra, o silicone estrutural não causa danos ao vidro laminado. O mesmo não acontece com o material de cura acética. “Esse material libera ácido acético que causa a delaminação do vidro”, alerta,

O tempo de cura silicone bicomponente acontece, invariavelmente, em um dia. O mesmo, no entanto, não pode ser dito do monocomponente, cujo processo da umidade do ar e da largura adotada para aplicação. “Nesse caso, a cura acontece de 1 a 2 mm(de profundidade) ao dia, conforme o produto especificado”, diz Gislene. Ela explica que a limpeza adequada das superfícies é fundamental para uma boa adesão entre os materiais. “ Assim, o silicone estará aderido ao substrato e não a sujeira”, completa.
Fita Adesiva

Sistema alternativo de colagem de vidros em esquadrias de alumínio, as fitas dupla-face de espuma acrílica não necessitam de cura. “Por isso, a fixação nas esquadrias pode ser feita imediatamente depois que a fita foi aplicada ao vidro”, explica o engenheiro Pedro Terzi. “ A fixação imediata elimina a necessidade de estocagem e acelera o cronograma”, completa Terzi.

Assim como no silicone, a aplicação de primer em perfis de alumínio com pintura eletrostática torna-se necessária para garantir níveis de adesão satisfatórios entre o produto e o substrato. A análise do perfil e do acabamento, tamanho dos painéis e localização do edifício (para cargas de vento) são itens que influenciam no dimensionamento da largura e quantidade de fita. Nesse sistema, esquadrias de alumínio com abas ou esperas são necessárias para evitar que o vidro tenha aumentada a segurança de montagem, eliminar a força peso sobre a fita já que o vidro fica apoiado na espera e diminuir a quantidade de fita necessária para colagem.
Queda de painéis de vidro causa polêmica

No dia 8 de dezembro, a Afeal ( Associação Nacional dos fabricantes de Esquadrias de Alumínio), emitiu uma notificação cartorial excluindo a multinacional francesa Rhodia do seu quadro associativo. A razão, segundo a Associação, foi a falta de comprometimento da empresa em assumir a responsabilidade por algumas obras em que ocorreu a queda de painéis de vidro. A causa dos acidentes que não resultaram em nenhuma vítima fatal foi a má adesão do silicone Rhodiastic 70 em esquadrias de alumínio pintado.

Segundo o presidente da Afeal, Lage Mourão Gozzi, a Rhodia, por meio de uma carta encaminhada á associação, já tinha se comprometido em realizar o recall ( ver seção de cartas, pág 8). “ A empresa, inclusive, já havia arcado com o custo de reparo de obras cujas fachadas precisaram ser totalmente refeitas, tal seu comprometimento” explica Gozzi.

Nos casos menos graves, adotou-se como solução provisória o presilhamento dos vidros nos caixilhos. “ A partir do momento em que o problema foi remediado, ou seja quando não havia mais o risco dos vidros caírem, a empresa nos virou as costas”, diz Gozzi, se referindo à notificação cartorial encaminhada pela Rhodia aos fabricantes, na qual se eximia de qualquer responsabilidade daquele momento em diante. No documento, a multinacional justifica sua decisão, afirmando que foi a falha na aplicação que causou o descolamento dos painéis, e não seu produto, que atende às normas internacionais do setor. Segundo a Rhodia, o silicone Rhodistic 70 atende às seguintes normas internacionais: Federal Specification TT S 001543-A, Sealing Compound, ASTM C-920 Standard Specification for elastomeric joint Sealant Type 5, grand NS, class 23 e Federal Specification TT-S-00230C, Sealing Compound, Elastomeric Type, Single Component(for caulking, sealing and glazing in buildings and other structures) type II, class A.)

Em comunicado à imprensa, afirma-se que “as falhas deveram à inobservância dos procedimentos corretos na confecção de alguns quadros estruturais de alumínio pintado, especificamente no que se diz respeito á limpeza prévia de esquadrias conforme as instruções na embalagem e ficha técnica do produto”. Acrescenta, ainda, que sempre “realiza testes de compatibilidade do produto com amostra das esquadrias fornecidas pelos serralheiros, segundo a norma ASTM C794/93”.

Em 2004, após os acidentes, a embalagem do Rhodistic 70 passou a ter a seguinte recomendação: “proibida a aplicação em perfis pintados”. Até o fechamento desta reportagem, a Afeal e a Rhodia continuaram a manter suas posições a respeito do caso.
Silicone
  • Colocação do corpo de apoio (espaçador) de acordo com a medida do perfil (sem contar a medida da junta do silicone estrutural)

  • Para limpeza, despejar o solvente recomendado em pano limpo (de preferência a gaze, que não solta fiapos), que deverá ser passado e substrator. Em seguida, passar pano seco para remoção do solvente e contaminantes. Para limpar adequadamente um substrato, podem ser necessárias várias limpezas. Esse procedimento é valido para a limpeza do vidro e do alumínio.

  • Na aplicação de selante, uma fita protetora deve ser usada para que o excesso de selante não entre em contato com as áreas adjacentes, sujando os substratos. Aplica-se o selante em operação contínua, pressionando o selante diante do bico aplicador para preencher adequadamente toda largura da junta.Tomar cuidado para preencher completamente a cavidade selante.

  • Espatular o selante antes da formação da primeira película. O espatulamento força o selante contra o espaçador e as superfícies da junta. Não utilizar nenhum líquido para ajudar no espatulamento, como água, detergente ou álcool. Esses materiais podem interferir na cura do selante e na adesão, além de causar problemas estéticos. Retirar a fita adesiva protetora antes que a película comece a se formar no selante( cerca de 15 minutinhos após a aplicação)

  • Manuseio: após a aplicação, carregar o painel na horizontal e colocar em gavetas( um quadro separado do outro) até que esteja totalmente curado. Não carregar o painel na vertical, nem colocar um painel diretamente sobre o outro, pois a força exercida poderá deslocar o selante ainda não curado

Fita Adesiva
  • Após a correta limpeza do vidro, a fita é aplicada no vidro com espátula. Deve-se evitar a formação de bolhas. Logo após a aplicação, deve-se pressionar a fita com um rolete de borracha. Em vidros laminados, a fita deverá ser aplicada do lado contrário a etiqueta de identificação do vidro.

  • É necessário aplicar silano no vidro e uma fina e uniforme camada de primer na esquadria. Depois da aplicação da fita, os painéis são erguidos com auxílio de ventosas até a fachada.

  • Os caixilhos poderão ser estocados ou montados na estrutura do prédio imediatamente após a colagem. Recomenda-se o uso de esquadrias de alumínio com aba para aumento de segurança e montagem.

  • A esquadria é fixada no contramarco de forma convencional
    Esquadria já instalada
Fonte: Revista Téchne
Autora: Valentina Figuerola
Data de publicação: 23/11/2010