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Urbanidade qualificatória aponta carências da periferia

Urbanidade qualificatória aponta carências da periferia

Um parque implantado ao longo de um curso de água - que se transformara em esgoto a céu aberto - é o elemento estruturador do conjunto de intervenções realizadas no parque novo santo amaro, bairro da zona sul da capital paulista, a partir de projeto do escritório vigliecca & associados. no perímetro da área de intervenção, enfileiram-se os edifícios habitacionais que atendem as 200 famílias que residiam ali antes, porém de forma bastante precária

Uma soma de coincidências positivas ocorreu quando da implantação do projeto de urbanização da área, denominada Parque Santo Amaro V, entre os anos de 2009 e 2012, na região sul da capital paulista, relata o arquiteto Héctor Vigliecca. “Construtora, prefeitura, comunidade e arquitetura uniram-se no sentido de conseguir um mesmo objetivo, o que é raro”, ele argumenta. Uma das metas do projeto era construir uma cidade menos hostil (ainda que só um fragmento dela) e o resultado final é alentador, tanto que o reconhecimento da sua qualidade tem ocorrido inclusive com premiações – o primeiro lugar na edição deste ano do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake Akzo Nobel é uma das mais recentes.

Não é, porém, motivo de satisfação para o arquiteto rever hoje a área da intervenção porque, passados alguns anos desde a sua ocupação, comenta Vigliecca, os edifícios transformaram-se quase que em um condomínio privado, isolados do parque linear, elemento central da proposta - o parque foi, de certa forma, “invadido” por um número de frequentadores tão acima do previsto que se tornou objeto de disputa e conflito entre os moradores e visitantes. É nesse sentido que o trabalho funciona como um “projeto denúncia”, reflete o arquiteto, ao expor o quanto regiões periféricas são carentes de áreas verdes e de espaços qualificados de lazer.

A área onde o escritório desenvolveu o projeto está contida entre as ruas Zâmbia, Coelho Louzada e Francisca Queirós. O terreno de mais de 5 hectares fica próximo da represa Guarapiranga, manancial que abastece parte da capital paulista. A região de implantação começou a ser habitada a partir da década de 1980 e possui uma topografia acidentada. No terreno, o fundo de vale foi ocupado por centenas de moradias autoconstruídas, muitas delas em área de risco, constatou a equipe do escritório ao conhecer o local da intervenção.

Como a maior parte da periferia, a região é carente de equipamentos públicos e predominam as ligações viárias descontínuas. Em texto explicativo sobre o trabalho, o escritório relata que “em vez de criar uma nova realidade para o local, o projeto se inseriu na paisagem urbana, valorizando seus recursos”.

O verde, que havia sido extinto devido à ocupação irregular, foi recuperado por meio de um parque linear - eixo central que estrutura o conjunto de intervenções. Ao longo do parque, pontos de atração, como playground, pista de skate e campo de futebol, além da presença do clube e da escola [preexistente], estimulam a circulação de moradores e o sentimento de identificação com o lugar”.

Os edifícios possuem de cinco a sete andares, comportam 200 unidades habitacionais de várias tipologias, como apartamentos dúplex de dois a três dormitórios, contam com opções de acessibilidade especial, e não funcionam como barreira ao fluxo de pedestres porque dispõem de circulação semipública. O córrego foi canalizado e uma rua foi projetada sobre ele. Para preservar a identidade dos moradores com o meio ambiente em que vivem, de grande riqueza hídrica, foram criados espelhos d’água ao longo do parque , sobre o córrego que foi canalizado no início da intervenção.

A intenção do escritório era que o projeto se tornasse referência para uma ação no território daquela região. Os edifícios habitacionais, assim, foram desenhados como elementos de articulação da topografia e do vale (as linhas d´água) com as conexões viárias do entorno, podendo ser implantados ao longo de toda a área urbanizada. Dessa forma, as construções liberaram faixas de proteção ambiental, dando também suporte às atividades comerciais e de serviços nelas implantadas, além de equacionar as articulações de cotas. “Uma estrutura-embrião, que pode ser entendida como gênese/matriz da ocupação de um território especial”, conceituam os autores.

De acordo com o escritório, todas as 200 famílias removidas foram relocadas nas novas habitações. “E é por elas que podemos reconhecer a estrutura pensada como partido: os percursos transversais ligam cotas e favorecem o pedestre, e o longitudinal reforça o parque proposto junto à linha d´água”, discorre o texto de apresentação.

Em meio aos edifícios, vários portais aumentam o número de acessos ao parque, diminuindo o isolamento do interior em relação ao seu entorno. É com o mesmo intuito que foram incluídas no projeto duas passarelas metálicas que conectam os dois lados da encosta.

Vigliecca & Associados

Criado em 1996, o escritório Vigliecca & Associados é constituído pelos arquitetos Héctor Vigliecca e Luciene Quel, sócios fundadores, e pelos associados Ronald Fiedler e Neli Shimizu. Destacam‑se em seu currículo projetos urbanos de grandes escalas e dezenas de premiações em concursos de arquitetura.

Ficha Técnica

Parque Novo Santo Amaro V - Programa Mananciais Local São Paulo (SP)

Início do projeto: 2009
Conclusão das obras: 2012
Área de intervenção: 5,4 ha
Unidades habitacionais novas: 200
Área construída: 18.710m²
Urbanismo e arquitetura:  Vigliecca & Associados - Héctor Vigliecca, Luciene Quel, Neli Shimizu, Ronald Fiedler Werner (autores); Thaísa Folgosi Fróes, Caroline Bertoldi, Kelly Bozzato, Aline Ollertz Silva, Pedro Ichimaru Bedendo, Mayara Rocha Christ (equipe); Paulo Eduardo de Arruda Serra, Luci Tomoko Maie (administração)
Cliente: Prefeitura do Município de São Paulo - Secretaria de Habitação (Elizabete França, superintendente)
Gerenciamento: Consórcio JNS Hagaplan
Infraestrutura: MC Engenharia
Consultoria de solos e fundações: Berfac
Estrutura: Camilo Engenharia (concreto); Projeto Alpha e Prometal (metálica)
Elétrica e instalações hidrossanitárias: Procion Engenharia
Construção: Consórcio Mananciais - Construbase Engeform
Fotos: Leonardo Finotti

CBCA

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