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1º sistema de armazenamento de energia solar inicia operação em Uberlândia

Equipamento veio da China e permitirá elevada capacidade de armazenamento à instalação.

A Cemig e a Alsol Energia Renováveis iniciaram na última sexta-feira (15) a operação do primeiro sistema de armazenamento de energia em larga escala junto a uma usina fotovoltaica, com potência máxima de 1,26 MVA e capacidade de armazenamento de 1,36 MWh, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A previsão é de que os primeiros testes na rede elétrica sejam feitos nesta semana.

O equipamento é parte de um projeto de pesquisa e desenvolvimento com um investimento total de R$ 22,7 milhões – R$ 17,5 milhões aplicados pela Cemig e R$ 5,2 milhões pela Alsol, empresa acelerada pelo grupo Algar, que é a idealizadora e executora do projeto.

De acordo com Alécio de Melo Oliveira, gestor do projeto da usina solar com armazenamento de energia pela Cemig, “esse sistema foi adquirido da empresa chinesa BYD e sua tecnologia é íon-lítio, que proporciona maior capacidade de armazenamento”, afirma.

Próximos passos

Nos próximos meses, outros dois sistemas de armazenamento com baterias de chumbo ácido, totalizando 225 kWh de energia, serão instalados na usina. Esses equipamentos, fornecidos pela empresa brasileira PHB, possuem inversores modificados e sistemas de comutação que permitirão definir qual melhor estratégia de injeção de energia na rede em situações específicas, se proveniente da usina fotovoltaica ou das baterias do sistema de armazenamento.

A usina fotovoltaica de 400kWp (quilowatt-pico) combinada com os diferentes sistemas de armazenamento de energia totalizará uma capacidade de 1,58 MWh, com potencial de geração de aproximadamente 640 mil kWh/ano, energia suficiente para atender pelo menos 350 residências, com consumo médio de 150 kWh/mês, por um ano.

A usina está localizada na sede da Alsol no bairro Distrito Industrial, em Uberlândia (MG), e foi inaugurada no ano passado com 300 kW. Desde então, a Alsol aumentou 33% a potência do sistema, chegando a 400kW.

Gustavo Malagoli, presidente da empresa e coordenador do projeto, afirma que esta é uma fase essencial para o desenvolvimento do projeto. “Agora vamos colocar em funcionamento, em grande escala, o armazenamento que já estávamos testando em protótipo. O sucesso dessa ligação será um marco para a o setor energético no país e, consequentemente, para os consumidores”, explica. A energia gerada nesta usina será utilizada por várias empresas da região.

Primeira no Brasil

Atualmente, as usinas fotovoltaicas em funcionamento no Brasil fornecem energia para a rede apenas durante o dia, suspendendo o fornecimento no momento em que o sistema é mais demandado.

Com essa nova configuração, essa lógica é invertida, já que ela permite o armazenamento ao longo do dia com a presença do sol e, a partir das 18 horas, considerado o horário de ponta, é possível injetar na rede 1 MW por uma hora e meia. Outro exemplo, seria injetar 0,79 MW por duas horas ou 0,53 MW durante três horas.

De acordo com o superintendente de Tecnologia, Inovação e Eficiência Energética da Cemig, Carlos Renato França Maciel, o projeto representa a constante busca da Cemig por inovação e traz avanços ao setor elétrico.

“Uma das finalidades da usina é o desenvolvimento de um novo modelo de negócio, a partir de plantas híbridas que combinam geração fotovoltaica e sistemas de armazenamentos junto a unidades consumidoras, o que garante a qualidade da distribuição de energia, especialmente em horários de maior demanda”, explica.

Ainda segundo Maciel, “a qualidade da energia entregue será melhorada, aumentando a rentabilidade da empresa, já que menos desligamentos devem ocorrer. Há também a expectativa de redução de perdas em alimentadores e transformadores durante o horário de pico, o que influencia a qualidade do serviço”, aponta.

O projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) foi proposto pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em abril do ano passado. A execução é de responsabilidade da Alsol, em conjunto com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

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