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Reforma dota duplex de sala ao ar livre

Projeto de interiores privilegiou soluções eficientes e de fácil manutenção, a despeito de modismos passageiros

Reforma dota duplex de sala ao ar livre

Naturais do interior do Estado, mas vivendo em São Paulo há algumas décadas, os moradores deste apartamento, já completamente imersos na rotina paulistana, sabiam exatamente o que pretendiam quando contataram o escritório de arquitetura Bernard Leroux, às vésperas de ganharem seu segundo bebê. “A princípio, eles queriam dispor de mais espaço para a família e de ambientes melhor articulados. Mas logo percebemos que eles tinham objetivos mais ousados”, lembra Leroux, que assistido pelo também arquiteto Hugo Sigaud, assina o projeto de interiores deste duplex, de 220 m², situado no bairro do Paraíso, com vista privilegiada para o Parque do Ibirapuera.

 

 

“Tivemos de mostrar para eles que para atingir tais objetivos era necessário ir mais fundo, investir em mudanças estruturais”, lembra o arquiteto, que, com pleno aval do casal, empreendeu uma reforma radical no imóvel. “Foram oito meses de obras, mas o retorno em termos de qualidade de vida foi realmente significativo. Hoje eles dispõem de uma área aberta, em uma região tomada por grandes edifícios”, considera Sigaud. “Não por acaso o deck é hoje o setor do apartamento mais frequentado pelos filhos do casal”, comenta o arquiteto. 

“O duplex era bem banhado de luz natural. Os dormitórios recebiam sol de manhã e a área social, à tarde. A implantação era boa, mas, ainda assim, tivemos de reposicionar praticamente todas as paredes e substituir a escada. De certa forma, alteramos todo o funcionamento do imóvel”, lembra Leroux. 

 

 

Assim, cada pavimento passou a obedecer a um programa específico. O inferior, onde se situa o núcleo nervoso da casa, foi organizado em três setores: o de descanso, compreendendo dormitórios e banhos; o de vivência, reunindo sala e cozinha, e, finalmente, o de serviço, composto por lavanderia e despensa. Dotado hoje de generosa área externa, o andar superior foi quase que inteiramente direcionado para o lazer da família. Exceção feita ao pequeno escritório que pode ser integrado, ou não, ao home theater, por meio de uma grande porta de correr.

Reservar todo um pavimento para receber os amigos e familiares para festas ao ar livre ou para longas sessões de cinema foi, no entanto, apenas uma das determinações do casal de proprietários ao autorizar a reforma. Com acesso independente, a ideia deles era fazer da área uma espécie de suíte expandida para receber hóspedes. No mais, segundo os arquitetos, tudo se resumiu a conceber espaços limpos e despojados, quase desprovidos de ornamentos, e nos quais a eficiência e a facilidade de manutenção fossem tomadas como regra, a despeito de modismos passageiros. 

“A ideia de integrar a cozinha à área de refeições, por exemplo, não foi adotada simplesmente para seguir a atual onda. É puro reflexo da rotina de nossos clientes, que precisam realizar suas refeições com agilidade, mas, de preferência, ao lado dos filhos”, conta Leroux, que observa ainda a preocupação do casal em harmonizar decoração e praticidade. “Eles concordaram no ato em adotar uma atmosfera mais urbana, feita com base em materiais duráveis e de fácil manutenção”, afirma ele. 

Assim, placas de porcelanato que reproduzem revestimentos cimentícios foram aplicadas, indistintamente, nas áreas de estar, cozinha e serviço, assim como outra variedade do material, desta vez sugerindo pedras, nos banheiros. “Sempre nos preocupamos com a atemporalidade dos nossos projetos. Ao contrário da decoração, compreendemos os revestimentos como elementos estáticos, nos quais não é possível a mobilidade. Por isso, optamos sempre por materiais sóbrios e em cores neutras, capazes de, por si só, colocarem o mobiliário em destaque”, explica Leroux. 

Formada por dois segmentos distintos, o primeiro feito de alvenaria, com três degraus em uma das extremidades e armário com portas deslizantes na outra; e, o segundo, por degraus suspensos, em balanço, chumbados à parede e revestidos com madeira de demolição, a escada que interliga os dois pavimentos acabou se tornando o principal elemento articulador do projeto. “Este corrimão no formato de barras acentua a transparência e a leveza do conjunto, permeando a luz que entra pelo andar superior”, detalha, satisfeito, o arquiteto.

 

 

 
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