Fale conosco Anuncie Sobre o Met@lica Links Recomendados
OBRAS ARTIGOS TÉCNICOS MATERIAIS E PRODUTOS GUIA DE EMPRESAS TABELAS PROGRAME-SE NOTÍCIAS
A segurança na utilização da grua na construção do edifício
1. Introdução

Atualmente o volume de obras na construção civil vem aumentando significativamente, com a demanda por moradias impondo um forte ritmo de produção das construtoras com a verticalização das habitações nas grandes metrópoles. Com isso, tem-se exigido cada vez mais o uso de equipamentos eficientes e capazes de atender aos curtos prazos impostos à execução das obras.

Nesse contexto são necessários equipamentos que façam transporte vertical e transporte horizontal para movimentação de grandes cargas. O guindaste de torre, mais conhecido como grua, é um equipamento composto desses dois movimentos (vertical e horizontal), permite aumento de produtividade. Existem guindastes de torre com lança horizontal que dispõem de formas de movimentações específicas, classificadas em fixas ou estacionárias; ascensionais e móveis sobre trilhos.

Dados tirados da Wikipedia (2008) mostram que os primeiros guindastes foram inventados na Idade Antiga pelos gregos e eram movidos por homens e/ou animais de carga
(como os burros). Esses guindastes eram usados para construção de edifícios altos. Guindastes maiores foram desenvolvidos posteriormente, usando engrenagens movidas por tração humana, permitindo a elevação de cargas mais pesadas.

Os guindastes atuais, mais usados em Salvador, são de torre fixa chumbada numa base de concreto (Figura 01) e compostos por uma torre que sustenta uma treliça metálica (lança) horizontal, com cabos e polias que içam a carga através do gancho de levantamento. A treliça metálica possui movimento circular, nela o trole tem movimentações horizontais, esse movimento é obtido por meio de um sistema de cabos e polias localizado na parte inferior da lança (existe casos que é necessário instalar um limitador de giro). O mecanismo de suspensão oferece grande mobilidade para realizar as operações, porque o gancho pode ser erguido ou baixado em comprimentos distintos. O contrapeso é posicionado na contra-lança que se encontra na extremidade, cerca de três vezes menor que a lança, no sentido oposto. Algumas gruas possuem cabine de comando que pode estar localizada no conjunto superior. A capacidade de carga aumenta à medida que o trole (carrinho, localizado na parte inferior da lança), trabalha mais próximo da torre central.
Este equipamento pode atender às exigências de curto prazo, quando se faz um planejamento bem elaborado, com estudo de recebimentos e movimentações de cargas e materiais, além da disposição do canteiro de obra, através de critérios logísticos, para o aproveitamento máximo da grua. Quando esse planejamento não é feito, a utilização da grua pode perder seus benefícios, podendo inclusive chegar a ser desnecessária.

Quando se procura entender o funcionamento da grua, é fácil perceber a potencialidade de ocorrência de um acidente. Sua má utilização coloca em risco a segurança dos trabalhadores, riscos que ocorrem desde a instalação até a desmontagem, passando pela utilização e manutenção.

A divulgação de notícias sobre acidentes com grua, com a possibilidade de acidente fatal, foi o fator motivador para a realização do estudo. Buscou-se verificar as recomendações de normas para o uso desse tipo de equipamento e o grau de atendimento com relação aos aspectos de segurança.

Para avaliação da segurança no uso da grua foi elaborado um questionário, aplicado em obras na cidade de Salvador que utilizam o equipamento. O questionário obtém resposta fechada, “SIM”, “NÃO” e “N.A.”, com isso, foi possível entender a logística do canteiro na utilização da grua, com suas restrições e especificidade (detalhes). Existe também um campo para observações, no qual o entrevistado pode mostrar o ponto de vista com relação à grua sobre aspectos apontados. Em conjunto com a aplicação do questionário, foi obtido um acervo fotográfico e um mapeamento das obras com uso do GPS - Global Positioning System.

O questionário serviu para coletar informações e contribuir para um maior enriquecimento acerca dos perigos iminentes nas obras com grua. Além de detectar, quais os itens que não são cumpridos atualmente pelas obras de acordo com NR18 (BRASIL, 2008). Com o resultado da pesquisa, pôde-se comparar a falta de atendimento de itens da norma em algumas obras e outras que eram atendidas, e mostrar que é possível o cumprimento de quase todos os itens.
2. Método de pesquisa

2.1. Levantamento bibliográfico / conhecimento da norma

Esta primeira etapa consiste em levantar informações sobre os principais tipos de grua, dados referentes ao funcionamento da grua, características, modelos e movimentos executados pela mesma, recomendações e exigências do fabricante para montagem / desmontagem, operação e manutenção além, é claro, das normas brasileiras e legislação que regem o uso da grua. As informações foram extraídas de livros, revistas, artigos técnicos, trabalhos acadêmicos e principalmente de manuais.

Visa conhecimento do objeto em estudo e servirá de base para o desenvolvimento do instrumento de pesquisa (questionário) e posterior avaliação dos resultados obtidos. Merecendo enfoque na norma NR18, no item, 18.14 - Movimentação e transporte de materiais e pessoas; e o item 18.14.24 - Gruas; fazendo um comparativo com a realidade, onde serão coletados dados de obras entre setembro e novembro de 2008.

2.2. Levantamento de acidentes envolvendo grua

O objetivo para a realização do levantamento foi obter um maior conhecimento dos acidentes relacionados com a grua no mundo inteiro, através das principais fontes, notícias em internet, jornais e revistas, no período entre 1999 e 2008. Após obter um embasamento teórico sobre acidentes com grua, realizou-se a pesquisa de campo.

Atualmente no mercado de Salvador existem três empresas que fornecem grua como aluguel e/ou venda, mas algumas empresas construtoras já possuem seus próprios equipamentos.

Essa informação facilita a identificação, pois as gruas são distinguidas pela cor, modelo e acessórios, montando uma listagem das obras de múltiplos andares, para possíveis visitas e para aplicação do questionário.

2.3. Questionário

O instrumento de pesquisa foi elaborado com base na norma e recomendações de fabricantes (LIZMETAL, 2008) e (MANITOWOC, 2008). Um questionário com 64 questões fechadas, isto é, com resposta: “Sim”, “Não”, “Não se aplica”, a fim de que a asserção se referisse a um aspecto positivo que o item deveria possuir, permitiu o levantamento de informações que levem a apuração do cumprimento da norma.

A escolha da metodologia visa à facilidade de preenchimento do questionário. Algumas afirmações apresentadas possibilitam a verificação visual da conformidade ou não com a norma, dispensando assim consultas ao questionário inteiro, existindo campos para registros de observações quando necessário. O questionário é composto de três subitens: instalação, operação e manutenção, sendo aplicado ao engenheiro, mestre, operador, técnico de segurança ou estagiário, nas obras selecionadas.

Com a ajuda das empresas fornecedoras de grua, de profissionais do setor, além da observação visual, pôde-se listar as obras para a pesquisa, as quais foram contactadas e aplicado o questionário apenas naquelas em que se obteve permissão da empresa. Após a listagem das obras, foi realizado um agrupamento por localização a fim de facilitar a visita da pesquisadora.

Na aplicação do questionário foi fundamental o esclarecimento para as construtoras entrevistadas do objetivo da análise e do sigilo do nome da empresa.
No questionário, a primeira folha possui espaço para o preenchimento referente à caracterização da obra, características essas que não aparecerão no transcorrer do trabalho e visam apenas à organização da pesquisa. A identificação das obras foi realizada através de números algébricos, baseados na ordem de visita, facilitando para possíveis comentários.

2.4. Pesquisa de campo

A pesquisa de campo consiste na coleta de dados que possam servir de base para o estudo. A atividade principal nesta etapa é a aplicação do questionário, com itens relacionados com o uso da grua, visando assim evidenciar aspectos de segurança que servirão para análise futura. Ele foi aplicado em 15 obras de Salvador, entre os meses de setembro e novembro de 2008.

Nessa etapa foram também observados os seguintes pontos: a) quais as ações adotadas por parte das empresas para a prevenção de acidentes, mostrando as medidas de proteção para resguardar o trabalhador; b) a existência ou não de treinamentos; e c) a abordagem dos treinamentos.

2.4.1. Registro fotográfico

Para a apresentação dos resultados do diagnóstico foi obtido registro visual da situação encontrada, sendo utilizadas tanto filmagens quanto fotografias. O registro fotográfico é suficiente quando se observa a instalação da grua, como ancoragens, passagens e o estado em si do equipamento. Já a filmagem é mais usada quando o equipamento está em funcionamento, pois foram observadas movimentações de cargas sob pessoas e suspensão da carga com giro ao mesmo tempo.

Uma vez no canteiro é comum que o observador fique em dúvida sobre o que fotografar e, em consequência, deixe de registrar importantes aspectos. Para evitar este problema, foi elaborada uma listagem dos principais pontos que deveriam ser fotografados, escolhidos com base na importância para atendimento da segurança e recomendações. A listagem é composta por dez itens, quais sejam:

a) Ancoragem;
b) Passarela para torre;
c) Identificação dos limites de carga na lança;
d) Posicionamento da grua no canteiro;
e) Localização próxima de fios de alta tensão;
f) Lança;
g) Contra-peso;
h) Cabine (se houver);
i) Transporte de material;
j) Montagem/desmontagem.

Tanto as fotografias, quanto as filmagens, desempenham um papel fundamental como instrumento de apoio à argumentação, visto que apenas a lembrança e a recordação das visitas podem gerar erros, além do questionário. Já as fotos servem para enfatizar, usando-as o diagnóstico será mais verídico.
3. Referencial Teórico

Apresentam-se neste capítulo os principais aspectos sobre a utilização e funcionamento da grua. Para gruas fixas que são montadas sempre na área externa da obra, fixada em base de concreto, vantagens só podem existir com o uso adequado, através de estudos da logística do canteiro, programação da locação e desmontagem, além das interferências na fachada dos edifícios (LEAL, 2008).

Nas obras que fazem uso de gruas é fundamental a presença de documentação e conteúdo programático com assuntos para um treinamento dos operadores de grua e sinaleiro/amarrador de cargas observando:

• O que é uma grua.
• Como funciona uma grua.
• Montagem e instalação de gruas.
• Como operar uma grua.
• Como sinalizar operações com gruas.
• Como amarrar cargas
• Sistema de segurança
• Legislação e Normas Regulamentadoras – NR18, NR06, NR05 e NR17.
• Glossário com as principais palavras específicas de grua.

Na Norma Regulamentadora – NR 18 (BRASIL, 2008), o item, 18.14.3 estabelece que: “No transporte vertical e horizontal de concreto, argamassas ou outros materiais, é proibida a circulação ou permanência de pessoas sob a área de movimentação da carga, sendo a mesma isolada e sinalizada. (118.260-9 / I3)”. A falta de segurança é constante por conta da movimentação da grua, onde são possíveis os movimentos livres, horizontais e verticais, em todo o espaço térreo e aéreo e por conta da necessidade de trajetos diferentes em um curto espaço de tempo.

Na norma, este item não está direcionado para gruas, mas desde que a funcionalidade da mesma permite, deve ser atendido por esse equipamento também.

A utilização da grua deve atender aos requisitos da norma NR18 (BRASIL, 2008), especificamente ao item 18.14.24 Gruas, o qual aponta que o equipamento deve dispor obrigatoriamente dos itens de segurança, conforme apresentado no Quadro 01.

Além de itens obrigatórios que a grua deve dispor, existem normas e instruções de segurança que são disponibilizadas pelo fabricante do equipamento para a operação. Nessas instruções, geralmente, são explicados o funcionamento, a montagem e desmontagem das gruas. Gerolla (2008) apresenta “dicas” para trabalhar com gruas no canteiro sem comprometer a segurança dos trabalhadores e chama atenção para a necessidade de se estar reciclando o conhecimento para a utilização desse tipo de equipamento.
Segundo Sampaio (1998), a necessidade de conhecimento também existe para aplicação da NR18 e normas de segurança, contribuindo para um melhor planejamento no uso da grua.

Esse equipamento possui liberdade de movimentação em um raio de 30 a 40 metros com torres que podem chegar até 130 metros, por conta dessa liberdade, isolar determinados locais para movimentações de cargas, significa perder a eficiência do equipamento.

Na prática, as movimentações são ocasionais, isto é, são realizados transportes de acordo com a necessidade, para locais distintos, percorrendo diferentes trajetos no canteiro. Por exemplo: em um mesmo dia pode-se existir a necessidade de transportar aço para a laje do edifício, transportar argamassa para um determinado andar e ainda descarregar blocos paletizados.

Para atender ao subitem 18.14.3 da NR18, onde se lê: “é proibida a circulação ou permanência de pessoas sob a área de movimentação da carga, sendo a mesma isolada e sinalizada”, deve ser feita no momento da movimentação apenas. Isso se torna complicado quando se tem um canteiro muito grande, por conta de diversas movimentações diárias. Mas, essa norma é facilmente atendida em indústrias, por possuir itinerários fixos (rotas de transportes suspensos), tornando obrigatória a proteção devida nos locais de movimentações. Daí, a necessidade de uma programação da logística do canteiro em obras.

Além da difícil adaptação da norma na construção, é constante a necessidade do aprofundamento do conhecimento dos riscos que a grua oferece, o qual pode ser feito através de treinamentos para quem trabalha dentro da obra. Em especial com o operador, que deve ser qualificado para tal serviço, conhecendo o funcionamento, as limitações da utilização do equipamento, como a carga máxima na ponta, o comprimento da lança, limitações no giro da lança e condições de trabalho com a mesma.

Nas imagens da Figura 02 seguinte, pode-se observar áreas de prevenção de acidentes, como: passarela segura de acesso à torre, escada de marinheiro na torre e vias de circulação definidas, respectivamente; obedecendo as recomendações da legislação.
As interferências com o uso da grua na edificação devem ser objeto de análise técnica, por profissional habilitado, dentro do plano de cargas, com distâncias inferiores a três metros, como também sobre a área de cobertura da grua e interferência além do limite da obra. Por causa disso, o plano de cargas deve existir em obras que possuem o objeto em estudo.
4. Acidentes com uso de grua

Acidente é todo e qualquer evento não desejado e não planejado que resulta danos às pessoas, à propriedade ou que cause perda de produção. Já incidente é a possibilidade de causar um acidente, ambos são fatores que devem ser evitados a todo custo. Acidentes acontecem quando não há preocupação com a segurança, ou melhor, quando não é feita a segurança dos trabalhadores.

Para Pampalon (2008), os principais tipos de acidentes com vítima ocorridos nos últimos tempos foram com relação à montagem e operação da grua, acidentes com operário que cai da grua e também desabamento da própria grua. Algumas reportagens não esclarecem motivos de acidentes, mas em uma das reportagens do IOL Diário – 2008, um inquérito da agência Associated Press (AP) apurou que as normas internacionais para as operações com gruas variam de cidade para cidade e algumas não têm qualquer norma sobre a sua utilização e construção.

Isso mostra a falta de prevenção de acidentes e conhecimento desses equipamentos.
Na Figura 03, a imagem chocante de acidente fatal em São Paulo, apresentada na matéria “Corpos de operários mortos em acidente com grua são liberados em São Paulo”, do informativo Último Segundo, de 26 de junho de 2008.
Em São Paulo, outro acidente com a grua divulgado no jornal Folha de São Paulo de 29 de março de 2008, apresenta como causa o excesso de carga no transporte. A notícia mostra que um carrinho com aproximadamente 40 kg despencou de uma altura de 92 metros do prédio em obras na Avenida Paulista em 1999, atingindo uma estudante que passava pela calçada, fora da obra. O objeto era transportado irregularmente, desobedecendo às normas de segurança, pois o carrinho havia sido colocado sobre outros objetos, para economizar uma nova viagem de uma caçamba erguida pela grua. O marido da estudante será indenizado pela construtora e pela locadora da grua. A intenção da notícia apresentada pela Folha de S. Paulo é mostrar que, só depois de três anos, o marido receberá uma indenização pela morte da esposa, o qual avalia que os R$ 150 mil é uma quantia irrisória em relação ao poder aquisitivo da empresa. Apesar do foco da reportagem não ser a falta de segurança na utilização da grua, a imprudência na utilização e operação deste equipamento fica evidenciada.

Podem acontecer acidentes com a utilização da grua por causa de excesso de carga no transporte de materiais, em condições desfavoráveis (como ocorrências de ventos com velocidade superior a 42 km/h), utilização do equipamento sem verificar sua integridade física (condições de uso), implantação do equipamento próximo de cabos de alta tensão e, principalmente, por displicência dos responsáveis pela manutenção.

Acidentes como esses poderiam e podem ser evitados se as normas fossem obedecidas. A grua pode oferecer riscos de acidentes, o que às vezes não é percebido pela convivência com o equipamento e, com o costume, os riscos aumentam. Por isso, deve-se pensar em soluções em que o uso da grua tenha os riscos, minimizados, ou melhor, controlados. Com um planejamento bem elaborado do movimento da grua, com as devidas sinalizações nos percursos, previamente definidas, se pode evitar um dos tipos possíveis de acidentes: o de queda de materiais, como observado no Plano de Cargas (Anexo III – NR18).

Em alguns casos, o acidente pode ser relativo à queda – desabamento – da própria grua, como se pode ver na Figura 04 – foto 1, quando uma caiu na calçada atingindo um carro; na foto 2, em pleno centro de Nova York, a grua caiu matando duas pessoas e deixando um trabalhador gravemente ferido (AGÊNCIAS REUTERS, 2008). A última foto faz referência a um acidente em São Paulo, quando caíram as hastes da grua, matando quatro pessoas e deixando um ferido.
Clique para -> Página 2 -> Resultado para pesquisa de campo