Fale conosco Anuncie Sobre o Met@lica Links Recomendados
OBRAS ARTIGOS TÉCNICOS MATERIAIS E PRODUTOS GUIA DE EMPRESAS TABELAS PROGRAME-SE NOTÍCIAS
Edifício Garagem do Aeroporto de Congonhas
Feito de estrutura metálica, o material proporcionou interferência mínima no entorno da construção
Como uma solução para o déficit de garagens da cidade de São Paulo, nasceu o projeto do Edifício Garagem do Aeroporto de Congonhas.
Inaugurado em 2006, o prédio refletiu drasticamente na melhora do trânsito da região, consagrando-se como um verdadeiro “agregador de funções”.
Questão de necessidade
As recordações de quem viveu São Paulo antes da existência do edifício garagem são marcadas, com unanimidade, pela sensação de caos. “Era uma confusão”, relembra Urandy Maschio, engenheiro responsável pela obra.

O desgaste era tanto para quem passava pela região, como para quem precisava estacionar próximo ao Aeroporto de Congonhas. Isso porque havia um farol na Avenida Washington Luís que interrompia o tráfego na região para dar acesso ao estacionamento do aeroporto.

Com a obra, foi criada uma passagem subterrânea ligando a avenida ao estacionamento, desafogando o trânsito do local. Além disso, o complexo que antes oferecia apenas 1.200 vagas, sendo todas descobertas, hoje oferece 3.400, com 2.550 cobertas.
A representatividade e eficiência da obra podem ser comprovadas a partir de uma estimativa da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET): a cada hora passam pelo local cerca de 1800 veículos com destino ao aeroporto.
Solução de cinco andares
O edifício garagem do Aeroporto de Congonhas é composto por cinco pavimentos, sendo três deles subterrâneos. Com 60 mil metros quadrados, a obra foi predominantemente construída com estrutura metálica. A opção levou em conta, mais uma vez, a superioridade do aço em relação aos demais materiais nos quesitos velocidade, limpeza e organização da obra. Tais características eram de absoluta relevância, já que o aeroporto e o estacionamento já existente mantiveram-se em funcionamento durante toda a execução do projeto.

A obra teve início no primeiro semestre de 2004, sendo concluída em janeiro de 2006. O projeto é de autoria do arquiteto Sérgio Parada, profissional envolvido em diversas obras aeroportuárias no Brasil e no mundo, e de mais seis arquitetos co-autores: Suyene Arakaki, Rodrigo Marar, Marcelo Sávio, Igor Campos, Carlos Weidle e Rodrigo Biavati.
Agilidade em primeiro lugar

Como é característica de obras com estrutura metálica, o canteiro foi de montagem, e a entrega dos elementos sob a logística just-in-time, ou seja, entregava-se o material e este já era encaminhado para a montagem, o que permitiu a redução da área de estoque e do tempo de operação.

Além disso, a estrutura metálica rendeu à obra vigas esbeltas com vãos maiores, o que garantiu um melhor aproveitamento da área construída. O aço empregado foi o do tipo patinável, também conhecido como aço corten ou pelas marcas Cosacor ou Niocor. Esse tipo de material tem como característica principal reduzir a velocidade do ataque dos agentes corrosivos presentes no meio ambiente, já que, sob certas condições ambientais de exposição aos agentes corrosivos, este tipo de aço pode desenvolver uma película de óxido de cor avermelhada aderente e protetora, a pátina.

Quando usado o concreto, este vinha em forma de lajes alveolar pré-fabricadas, também com o intuito de agilizar o processo, e reduzir ao máximo o volume de concreto a ser moldado no local. Com material modelado in loco foram construídas apenas as paredes periféricas e as edificações da praça, sendo que tal modelagem se deu a partir de formas metálicas desenvolvidas especificamente para a ocasião.

A opção por estruturas pré-fabricadas tanto em aço como em concreto permitiu uma interferência mínima no redor.

Outra preocupação ao desenvolver o projeto, foi quanto à geometria do prédio. “Estabelecemos o conceito de respeito à paisagem local; optamos por um desenho que não desse um caráter de uma edificação industrial, mas sim com uma arquitetura que respeitasse o espaço urbano”, explica Sérgio Parada. O projeto, segundo o arquiteto, foi pensado juntamente com a equipe de execução da obra, e o desafio era justamente este: o design do prédio. “A ideia era um edifício de garagem com uma forma livre, com curvas, quando o racional para este tipo de obra seria um edifício geometricamente mais rígido. Por fim, a forma que ele adquiriu foi resultante do terreno, da geometria existente e do respeito ao terminal ali construído, na década de 50 do século passado”, comenta.

O resultado é um edifício que concilia o aproveitamento de características naturais com tecnologia de ponta: nos dois andares superiores foram instaladas venezianas metálicas voltadas à via de circulação e elementos vazados de concreto e vidro na parede oposta, fatores que propiciam desfrutar de iluminação e ventilação naturais. Já a tecnologia empregada é mérito da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária). Possíveis odores de combustível ou fumaça são extintos por um sistema de exaustão que mantém os três pisos subterrâneos bem ventilados. Além disso, como reforço, há nove ventiladores instalados dentro de poços que sugam o ar e o expulsam por um escape no piso térreo.

Além da tecnologia, a organização se faz presente: cada pavimento é marcado por uma cor diferente, dividido em dois lados - par e ímpar - e toda a comunicação visual instalada no prédio é regida por normas internacionais.
Muito mais do que guardar carros

O Edifício Garagem do Aeroporto de Congonhas foi concebido para ir além de abrigar carros. Em sua cobertura o prédio oferece uma área de lazer: a grande praça. A praça pública e urbanizada recebe um piso de granito suspenso por um cilindro de plástico. Este sistema de pisos elevados foi proposto para facilitar o sistema de drenagem: é possível executar os caimentos para levar as águas pluviais aos locais de captação. A elevação traz outras vantagens: diminui o peso da laje no prédio e também facilita a manutenção da rede elétrica.
Poderia ser mais...

Em sua concepção inicial, o Edifício Garagem do Aeroporto de Congonhas tinha como objetivo oferecer 5 mil vagas, a pedido da própria Infraero. A proposta dos autores do projeto era construir em etapas. O módulo atual construído corresponde a 50% da capacidade final, informou o arquiteto-autor, Sérgio Parada. “Quando desenhamos o primeiro módulo, o segundo sempre foi pensado como uma expansão deste primeiro, ampliando todos os espaços, não só para estacionamento de veículos, como aqueles destinados a outras funções, juntamente com a grande praça”.

A necessidade de ampliação já é vista como urgência. Não só pelo fato de o Brasil receber a Copa do Mundo em 2014, mas também pelo próprio crescimento desorganizado que caracteriza a cidade de São Paulo, em que o transporte de massa não atende a demanda populacional.
Segundo explicou Urandy Maschio, engenheiro responsável pela obra, o projeto previa a construção do anexo apenas quando o fluxo atingisse um volume de 60% da capacidade do estacionamento, o que hoje já vem acontecendo. “Em média são três mil carros que passam por aqui por dia, e há dias da semana que o estacionamento fica lotado”, comenta.

A expansão ainda não tem data para começar: “estamos em negociação com a Infraero”, explica Maschio. Atualmente, de acordo com Parada, há somente estudos preliminares que, inclusive, mostram a integração entre os edifícios e a exploração do espaço superior caracterizado pela praça. Mais do que uma garagem para carros, a construção deveria oferecer outras infraestruturas: “o prédio é um agregador de funções, que apesar de seu uso principal, respeita o espaço urbano, tem um desenho sofisticado e principalmente entrega aos usuários do aeroporto um belo espaço da praça a qual foi projetada para ter vida através de usos com restaurante, bar/café e salas vip, funções estas ainda não implementadas, infelizmente”, lamenta o arquiteto.
E o sentimento de “deixou a desejar” vai muito mais além. O prédio, quando concebido, tinha entre suas prioridades oferecer conforto e segurança aos usuários. Mas devido a não-conclusão do projeto inicial, isso nem sempre acontece. O uso da garagem extrapola a capacidade do edifício em certos momentos; reflexo ainda do déficit de vagas. “Quando tenho oportunidade de percorrer o edifício, é possível ver carros parados nas rampas e em locais onde antes nunca previstos como estacionamento. Acho que temos que preservar espaços livres mesmo internamente ao edifício, é uma questão de segurança. Seguramente, nos dias de hoje, o prédio vem sofrendo uma pressão pela grande quantidade de veículos que necessitam de estacionamento”.
Muito mais do que guardar carros

O Edifício Garagem do Aeroporto de Congonhas foi concebido para ir além de abrigar carros. Em sua cobertura o prédio oferece uma área de lazer: a grande praça. A praça pública e urbanizada recebe um piso de granito suspenso por um cilindro de plástico. Este sistema de pisos elevados foi proposto para facilitar o sistema de drenagem: é possível executar os caimentos para levar as águas pluviais aos locais de captação. A elevação traz outras vantagens: diminui o peso da laje no prédio e também facilita a manutenção da rede elétrica.
Uma questão paulistana

Infelizmente, a questão do déficit de garagens é mais um dos problemas que a cidade de São Paulo enfrenta. Segundo o Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark), a cidade dispõe de 1 milhão de vagas pagas, distribuídas por cerca de 9 000 estacionamentos. O número é alto, mas não sacia a necessidade de vagas
Incompleto, mas premiado

Apesar de incompleto, o Edifício Garagem do Aeroporto de Congonhas é uma obra premiada. Já recebeu duas consagrações: como o melhor na categoria “Predial Comercial” no 4º Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa e o prêmio Master nessa mesma premiação, em 2007. “É um edifício à altura da cidade de são Paulo”, orgulha-se o engenheiro Urandy.

Quanto a ser um edifício à altura da cidade de São Paulo, não resta dúvidas. Resta saber até quando. Relembrando Sérgio Parada: “ainda falta o outro edifício adjacente ao atual, o qual dará a continuidade espacial na praça já criada”. Resta agora esperar a construção da segunda parte do Edifício e, quem sabe, mais premiações.
Ficha Técnica

Local: São Paulo – SP
Data de conclusão: Janeiro de 2006
Tempo de construção: 20 meses
Área de construção: 60.337 m²
Vagas cobertas: 2.550
Vagas sem cobertura: 850
Projeto Arquitetônico: Sérgio Parada Arquitetos Associados
Equipe: Sergio Roberto Parada (autor), Suyene Arakaki, Rodrigo Marar, Marcelo Sávio, Igor Campos, Carlos Weidle (coautores), Rodrigo M. Biavati, Roberto Caril, Veridiana Goulart, Lívia Silveira, Marina Pavoni, Carlos Fábio e Ana Carolina Gallo (colaboradores)
Projeto paisagístico: Luciano Fiaschi e Rosa Grena Kliass
Projeto Luminotécnico: Esther Stiller
Projeto estrutural: Carlos Eduardo Maffei
Construtora: Camargo Corrêa
Engenheiros Responsáveis técnicos pela obra: Marcelo Bisordi e Urandy Maschio
Estrutura em concreto e fundações: Cados E.M. - Maffei Engenharia
Instalações elétricas: HCB Engenharia e Projetos
Instalações Hidráulicas: CH Engenharia
Bombeiros: Prisma Sistema de Combate a Incêndio
Elevadores: Thyssenkrupp
Ar-condicionado: Vetor Consultoria e Projetos
Impermeabilização: Proassp Assessoria e Projetos
Fabricação e montagem da estrutura metálica: Usiminas Mecânica
Volume de aço: 1.485 t.
Aço empregado: aço patinável de maior resistência à corrosão atmosférica
Ano de publicação: 2006