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Ponte dos Remédios está abandonada
Última obra feita na estrutura, que perdeu nesta quarta cerca de 30 cm da calçada, foi em 1997

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A Ponte dos Remédios, interditada nesta quarta-feira após parte de sua estrutura desabar no Rio Tietê, está há 14 anos sem uma grande obra de manutenção.

Segundo a Siurb (Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras), em 1997 foram realizados consertos de emergência que incluíram a colocação de estruturas metálicas e de aço na base da ponte após ela apresentar uma rachadura de 15 centímetros na via.

Desde então só foram feitas vistorias esporádicas, mas sem grandes intervenções. Em nota, a secretaria se limitou a dizer que foram investidos "cerca de R$ 120 milhões em serviços de reparos, manutenção e reforço estrutural de 27 obras de arte da cidade de 2006 a 2011", sem especificar se a Ponte dos Remédios estava nesse cronograma e, se sim, o que foi feito.

Na madrugada desta quarta cerca de 30 metros da mureta lateral no sentido Lapa desabou. Ninguém ficou ferido. As causas ainda são desconhecidas. Durante o dia chegou-se a falar em desgaste natural, mas a Prefeitura afirmou à noite que "dentro de uma semana apresentará os resultados".

Uma empresa foi contratada em regime de emergência (sem licitação) para recompor o passeio e o gradil, escorar o restante da calçada, para proteger a estrutura, e demolir os trechos danificados.

Transtornos

Por causa da interdição, sete linhas de ônibus que atendem a região tiveram itinerários alterados (veja quadro ao lado). Segundo a SPTrans, não há previsão de retorno para o trajeto original, apesar da ponte ter sido liberada parcialmente nesta quarta à tarde.

Algumas rodovias tiveram pontos de parada na saída e chegada a São Paulo nesta quarta. O mesmo aconteceu na Marginal Tietê e nas ruas que dão acesso à Ponte dos Remédios.

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) determinou que o sentido Osasco funcionará com reversibilidade de faixas em horários definidos (veja mapa acima). A opção para o motorista que segue pelo sentido Lapa é usar as avenidas dos Remédios e Presidente Kennedy ou usar o retorno no km 15 da Castello Branco para sair depois da ponte. Quem vai no sentido Vila dos Remédios deve seguir pela pista local da Marginal Tietê no sentido Rodovia Ayrton Senna para retornar pela Ponte Atílio Fontana.

As linhas afetadas
8060/10 (Remédios-Terminal Lapa)

846M/10 (Vila Piauí-Terminal Lapa)

847J/10 (Vila Jaraguá-Ceagesp)

917H/10 (Terminal Pirituba- Metrô Vila Mariana)

958P/10 (Jardim Nardini-Itaim Bibi)

8003/10 (Remédios-Terminal Lapa)

8047/41 (Jaraguá-Metrô Vila Madalena)

O descuido da manutenção de pontes e viadutos em todo território nacional é um assunto que preocupa desde autoridades ao transeunte comum, leia a matéria que foi destaque no Jornal Nacional desta quinta- feira (24).

Pontes e viadutos pelo Brasil sofrem com a falta de manutenção

A queda de um corredor de pedestres na Ponte dos Remédios chamou a atenção para esse problema comum no Brasil.

A queda de um corredor de pedestres, nesta quarta-feira (23), na Ponte dos Remédios - que liga São Paulo a Osasco - chamou a atenção para um problema comum no Brasil: a falta de manutenção das pontes e viadutos.

Para uma cidade como São Paulo, que se desenvolveu ao longo de dois grandes rios, pontes e viadutos são caminhos obrigatórios para muita gente. Eles somam mais de 200 que sustentam milhares de veículos e de toneladas, 24 horas por dia.

Apesar da importância, a manutenção dessas vias se resume a remendos. É o que ocorre na Ponte dos Remédios, na Zona Oeste, onde 30 metros do corredor de pedestres caíram. Por sorte, foi de madrugada e em cima do rio.

Não precisa ser nenhum engenheiro para perceber os problemas de manutenção. Caminhões com altura acima do que é permitido insistem em passar, batem na estrutura e provocam estragos que não são reparados. Há marcas de infiltração de água e água da chuva, que muitas vezes vem misturada com gases ácidos que estão na poluição. Esse líquido cai sobre a ponte e começa a corroer justamente as juntas das estruturas.

Em 2007, a Prefeitura se comprometeu com o Ministério Público a fazer, em dez anos, 68 obras de manutenção. O prazo já está quase na metade e só 14 obras foram executadas.
"Uma série de licitações de projetos acabaram não vingando. Não tiveram sucesso e com isso acabou atrasando o cronograma", disse Elton Santafé Zacarias, secretário de Infraestrutura e obras de São Paulo.

O problema é comum pelo Brasil afora. A falta manutenção atinge os viadutos Ogunjá e Fonte Nova, em Salvador. As pontes do canal da Barra da Lagoa, em Florianópolis. O elevado do Joá e o viaduto da Mangueira, no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, o viaduto Leste. E em Brasília, a Ponte das Garças e do Bragueto.

Para José Roberto Bernasconi, do Sindicato de Arquitetura e Engenharia de São Paulo, uma obra bem feita e cuidada pode durar para sempre. "É uma falta de cultura nossa. Valoriza o administrador público e faz obras novas. Mas não se valoriza quem cuida bem do patrimônio existente."

Fonte:

Rede Bom Dia
Publicação: 24/11/2011

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