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Ponte JK em Brasília: Ponte do Mosteiro
Terceira ponte do Lago Sul - Página 3

A escolha do partido formal-estrutural do projeto de arquitetura monumental

A forma de uma nova ponte surge principalmente da geometria ditada pelo equilíbrio das forças estruturais nela incidentes. Seu desenho também sempre refletirá o momento e o grau de evolução da engenharia estrutural, dos materiais e dos métodos construtivos acessíveis.

Contudo, estática e materiais não são condicionantes únicos nem devem constranger o arquiteto em seu trabalho, compelindo-o a produções rotineiras.

Outro item igualmente funcional vai concorrer para o exercício da criação da forma: a emoção. Por que suscitar emoções? Porque elas e por elas se depreende a beleza da criação humana, ou seja, da beleza que a humanidade pode criar e da beleza que é a própria obra do Criador maior.

No caso das pontes, muitos exemplos existem nos quais a beleza é demonstrada simples e soberbamente pelo manejo das proporções dos elementos estruturais, seu espaçamento, sua presença exaltada ou reduzida ou suas cores e tratamentos contrastantes.

Noutras, a emoção arquitetônica será gerada pelo jogo dos elementos estruturais buscando seu trabalho máximo, sua dinâmica formal oculta, seu arranjo como escultura utilitária, sem perda do sentido de seu equilíbrio físico original.
É este último o caso da TERCEIRA PONTE DO LAGO SUL.

Aqui a meta escultórica é fornecida pelos arcos e cabos que delimitam vagamente espaços internos e externos. Vãos simples e curtos, apoiados em pilares, foram aqui negados (FIG. 1), não só por não facilitar o cumprimento do edital no item ”monumentalidade e marco de articulação urbana” e no item passagem de navegação leve, como também pelos poucos pontos de sondagem recebidos. Pelo menos um vão deveria ser mais amplo. (FIG. 2)

Escolhido um vão generoso e análogo a outros na região, o modo de cruza-lo é ponderado: vigas retas, arcos ou treliças?

O arco surge como escolha estrutural lógica na passagem de vãos maiores, como há séculos. Vai também uma reminiscência de Brasília, onde a curvas e arcos mostram exemplares notáveis.

No nosso caso, escolhido o arco, ele poderia situar-se sob ou sobre o tabuleiro. (FIG. 3 e 4)

Com o arco sob o tabuleiro e com o vão aumentado, o nível da pista eleva-se a alturas maiores que o mínimo então exigido de 20m para navegação leve. Assim a figura 4 exibe o formato mais indicado entre as duas.

O tabuleiro com o vão escolhido pede mais apôio e assim, automaticamente, concebe-se que estais o suportarão a partir do arco.

Como centenas de pontes no mundo, arcos paralelos sustentantes podem situar-se:

Em par paralelo e simétrico. (FIG. 5)

Figura 5

Em par não paralelo. (FIG. 7 e 8)

 

Em exemplar único, central. (FIG. 9)

Destes tipos, belos exemplos de pontes já foram construídos com variantes segundo vãos e outros itens diferenciadores, em concreto ou em aço, como as famosas pontes ferroviárias do século passado. (FIG.10)

 

Quando usados com tirantes, como nas últimas décadas, os arcos estaiados assumem aspectos de lira, adicionando as linhas dos cabos ou estais de suspensão à estética do conjunto com magníficos e leves efeitos. (FIG. 11)

Ou como nas rodas de bicicleta. (FIG. 12)

O projeto da Terceira Ponte preferiu um posicionamento do arco de uso menos comum no mundo: o arco único em diagonal sobre o tabuleiro. (FIG. 13)

Este posicionamento inclui a redução dos pontos de apoio às superfícies revessas formadas pela teia de estais, quando estas se dividem apoiando pontos aparentemente assimétricos do tabuleiro. (FIG 14)
E para melhor proporção do conjunto com a distância de 1200m a cruzar, o elemento foi repetido três vezes, com a troca das posições de início e fim de cada arco e conseqüente incremento do dinamismo visual pretendido.

Agora são três arcos que aparentemente pulam sobre o tabuleiro em três movimentos.

A "emoção" aqui produzida traduz-se não por qualquer sensação de instabilidade, mas pelo dinamismo do conjunto que provoca seqüência visual inusitada enquanto os estais seguem o percurso transverso do arco-guia (FIG. 15) ou pelo movimento de sobe-e-desce dos arcos adicionados à mudança de seus rumos. (FIG. 16)




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