A sensação ótica prossegue quando a ilusão sugerida de túnel aberto, na visão do observador posicionado no tabuleiro, soma-se à dinâmica da pista, também em trajeto curvo, evoluindo seu ponto de vista motorizado em relação aos arcos e à paisagem.
A estrutura torna-se então “móvel” e, ainda assim, perfeitamente estática.
A necessária visão abrangente do arquiteto previu a observação da e para a ponte. De seu interior para o belo panorama do Paranoá e seu entorno. De seu exterior próximo, vendo-a como monumento paisagístico complementando o cenário, ponto focal dos empreendimentos turísticos das margens do lago.
De seu exterior, a visão aérea será a do primeiro marco da cidade visto na orientação leste-oeste do aeroporto e o efeito como o da pedrinha saltitante, trajeto congelado em ritmo constante, jogada nas águas calmas do lago ou como o pulo seqüenciado sobre as pedras de um riacho.
Ela será, ao mesmo tempo, e conforme o ponto de vista, à distância e o humor do observador: monumental, sem ser impositiva, dinâmica sem gratuidades formais, lúdica sem ser ingênua e alegre sem ser irresponsável. É uma estrutura coerente, lógica e simétrica, perfeitamente adequada aos nossos tempos cibernéticos onde os pensamentos são liberados dos cálculos e os manuseiam em vôos mais amplos, como na natureza.
Como arquiteto devo fazer construções úteis, mas também tento fazê-las pleno de significado estético, principalmente quando consigo atingir os objetivos de meu cliente, em utilitarismo e marco referencial urbano, como é e será o caso da TERCEIRA PONTE DO LAGO SUL.

Empreendedor: Novacap, Governo do Distrito Federal
Localização: Ponte sobre o Lago Paranoá, Brasília, DF, ligando o Setor de Clubes ao Setor de Habitações Individuais Sul - SHIS
Definição do Projeto: Concurso Nacional de Estudos Preliminares de Arquitetura com 98 equipes concorrentes, 3 premiados e 4 menções honrosas em 04.12.98
Projeto de Arquitetura, partido estrutural, formal e de iluminação:
Arquiteto e urbanista: Alexandre Chan
Projeto de Engenharia e Cálculo:
Execução:
Projetos Executivos :
A Obra em números:
Comprimento: 1200 metros.
Raio de Curvatura: 3150 metros.
Largura do tabuleiro: 26,10 m com 2 pistas de 3 faixas cada + 2 passeios para pedestres.
Altura do tabuleiro: 18 metros acima do nível da água.
Custo estimado: R$ 78.900.000,00 (junho 2000)
Arcos: 3 arcos centrais, aço SAC-41, vãos 240,00m cada, com 2 pontos de apoio cada, travessias em diagonal sobre o tabuleiro, sustentação do mesmo por estais de aço presos aos arcos, altura máxima dos arcos 60,00m acima do nível da água, + diversos vãos complementares de 48,00m
Acessos: 5 vãos de 45 a 58 metros, sustentados por 10 apoios.
Peso: 12.067 toneladas
Estrutura Auxiliar: 1.309 toneladas
Peso total das camisas metálicas: 3.000 toneladas
Área do tabuleiro: 28.800 metros quadrados.
Volume de concreto: 38.900 m3
Gabarito de Navegação: 18 metros.
Rampa da ponte: 2,25% (ascendente para o vão central)
Profundidade do lago no local da obra: 23 metros
Pontes similares na América do Sul: Não há notícias de pontes com arcos e estais.
Paralelos em tecnologia: Em 1999, 2000 e 2001 no mundo surgiram diversos exemplares análogos, demonstrando a confluência das pesquisas, a melhoria dos aços empregados e a conveniência do tipo de sistema estrutural de arcos e estais inclusive em resultado plástico
Autor: Arquiteto Alexandre Chan