Com o aquecimento da construção civil, é comum encontrar pessoas reclamando da escassez de mão de obra qualificada no setor. E, pela antiga lei de oferta e procura, quando esses profissionais são encontrados, geralmente o custo é alto. É justamente para driblar essa dificuldade que a construção civil emprega – e aceita - cada vez mais materiais pré-engenhados. Segundo estimativas de especialistas no setor, essa é uma tendência crescente e, ao utilizar determinadas técnicas como a compra de armações prontas e casas pré-moldadas, mais de 50% da mão de obra pode ser cortada.
É o que aponta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes. De acordo com ele, o uso de armações e estruturas já prontas diminui em cerca de metade a mão de obra que seria utilizada nos canteiros de construção.
“É uma tendência que cresce bastante, principalmente em obras de grande porte. A pessoa traz o projeto, a empresa já faz a armação indicada e entrega já pronta. É só o trabalho de colocar em pé”, explica.
Antes, o aço era levado ao canteiro e lá era cortado e montado. As empresas de armações já fazem esse trabalho.
O arquiteto Daniel Belloni Zucaro é proprietário de uma dessas empresas. Ele explica que já são 22 prédios construídos dessa maneira em Bauru e mais quatro em andamento.
“Os construtores enxergam a facilidade em fazer esse tipo de serviço. Além de reduzir a mão de obra, existe toda a agilidade no processo. Fazemos toda a estrutura do pilar, viga, baldrame e depois entregamos tudo pronto. A mão de obra necessária é mínima quando já se tem essas armações”, aponta.
Daniel Zucaro afirma que a utilização não depende do tamanho da obra, sendo que várias residências em Bauru já são feitas com essas armações compradas “sob medida”.
Justamente pelo aquecimento do setor, o presidente do sindicato, Cláudio da Silva Gomes, não acredita que o fato possa gerar desemprego e aponta que o custo acaba valendo a pena. “Comprar uma armação já pronta é mais caro. Entretanto, pode-se diminuir cerca de 50% o uso da mão de obra. Em relação aos custos, isso se torna compensador”, completa.
Outro exemplo de técnicas utilizadas para suprir a carência de mão de obra são as casas pré-moldadas. O engenheiro de uma construtora especializada nesse tipo de edificações, Francisco Parreira, explica que o sistema é semelhante a montar “Lego”.
“Ao invés de colocar tijolo por tijolo no canteiro de obras, o construtor compra a placa de alvenaria já pronta. Essas placas são levadas ao canteiro de obras e montadas como se fosse Lego. O trabalho é muito mais prático”, conta.
O sistema construtivo já foi empregado em várias cidades da região, alguns condomínios em Bauru e, segundo o engenheiro, pode substituir a mão de obra em cerca de 60% em uma construção. Todavia, ele explica que compensa somente em obras com grande número de unidades, como o de condomínios.
“Fazemos a forma que será utilizada naquelas casas que irão ter todas o mesmo tamanho. Então, utilizamos a mesma forma em várias unidades. Não é interessante pré-moldar uma residência individual. Com essas placas já prontas, além de reduzir a mão de obra, compensa também pela agilidade. Podemos levantar uma casa em um dia”, completa o engenheiro.
E não é somente a “era do pré-engenhado” que começa a mudar o perfil da construção civil. Pelo mesmo motivo de carência e valorização da mão de obra, outras tendências começam a aparecer nos canteiros.
“Vemos que existem muitas máquinas de reboco e de chapisco que diminuem a utilização do número de trabalhadores. Já existem até mesmo máquinas laser para nivelar o piso e outras que fazem a amarração das armações”, informa o diretor da Regional de Bauru SindusCon, Renato Parreira.
Infomet / JCNet
Publicação: 30/06/2011