A produção mundial de aço bruto somou 114 milhões de toneladas métricas em novembro, segundo dados da World Steel Association divulgados nesta segunda-feira (20). O montante é 5,1% maior do que o registrado em novembro do ano anterior – no acumulado do ano, a variação é positiva em 16,2%, puxada pela Ásia, onde a produção avançou 16,4% no período.
Na comparação mensal, contudo, a produção global teve uma queda de 2,8%. A associação destacou ainda que os números são 31,9% mais altos do que os vistos em novembro de 2008, mês em que a crise financeira começou a afetar a produção de aço bruto de forma mais clara.
O analista Rodrigo Ferraz, da Brascan, destacou a forte retração na produção brasileira de aço, que somou 2,6 milhões de toneladas métricas – uma redução de 11,2% em relação a outubro. Na base anual, a produção brasileira também caiu 2,8%.
Esses números, na visão do analista, são “mais condizentes com o cenário de curto prazo local - caracterizado por altos estoques e grande concorrência de importados”.
Na base anual, outros países mostraram queda na produção de aço bruto, com destaque para Taiwan (-12,1%). Na comparação mensal, Taiwan também liderou as quedas (-20,6%), acompanhada por Rússia (-3,2%) e países Europeus - excluindo a Alemanha – (-7,0%).
Ainda na Europa, a Espanha viu sua produção de aço bruto cair 19,8% em novembro em relação ao ano anterior. A queda, contudo, foi compensada pelos fortes avanços vistos na Itália (+19,3%) e na Alemanha (+8,0%) na mesma base de comparação.
A produção de aço bruto norte-americana também subiu – a alta em relação a novembro de 2009 foi de 13,0%. A China seguiu o mesmo caminho, registrando avanço de 4,8% na base anual, mas queda de 0,3% na comparação mensal. “[A queda em relação a outubro] mais uma vez nos surpreendeu negativamente, já que imaginávamos que o país restringisse sua atividade manufatureira, a fim de cumprir a meta de redução de consumo de energia para 2010”, explica Ferraz.
Também na Ásia, destaque para a Coreia do Sul, onde a produção mostrou alta de 16,4% na base anual.
A capacidade utilizada dos 66 países acompanhados pela World Steel Association em novembro ficou praticamente estável em 75,2%, variação negativa de 0,1 ponto percentual frente ao mês anterior. Na comparação anual, contudo, a queda foi de 0,8 p.p.
“O acompanhamento na produção de aço em todo mundo, além da evolução de preços é essencial para avaliarmos as perspectivas de médio prazo para o setor siderúrgico”, escreve o analista da Brascan, que ainda prevê “resultados ruins” para as siderúrgicas brasileiras nos próximos meses, com uma recuperação mais expressiva apenas no segundo trimestre de 2011.
Infomet / Infomoney
Publicação: 21/12/2010