Análise: Produção brasileira de aço tem recuo de 15% no ano

A indústria do aço no Brasil vem patinando desde meados do ano. no início da semana, o anúncio da produção de setembro retratou a desaceleração da oferta no país que se vê desde junho. O Instituto Aço Brasil (IABr) informou que foram produzidas 2,8 milhões de toneladas no mês passado pelas usinas do país. É o terceiro mês consecutivo de queda e, se comparar com o melhor resultado do ano, em maio, que foi de 3,27 milhões de toneladas, verifica-se retração de quase 15%.

São apontados, entre diversos fatores para esse recuo, o aumento na entrada de bens fabricados com alto conteúdo de aço (mais de 20% no ano), a retomada das importações diretas de aço de junho em diante e a demanda mais fraca no mercado interno de aços planos. Esse material é usado na fabricação de autopeças e veículos, em bens eletrodomésticos, em máquinas e bens de capital, em embalagens e em parte das obras da construção civil.

Hoje, as usinas no Brasil já operam com 70% de ocupação de seu parque fabril, ao considerar a capacidade total instalada por ano: 48 milhões de toneladas de aço bruto. A produção de setembro mostra ritmo de 33,6 milhões de toneladas em base anualizada, já inferior ao volume dos últimos 12 meses.

O desempenho só não é mais desastroso porque as vendas internas de aços longos, usados em obras de infraestrutura, na construção imobiliária e em várias aplicações industriais mantiveram-se firmes até o momento. O volume de setembro foi 9% superior ao de um ano atrás, porém 3% menor que o de agosto.

Já nos aços planos, conforme os números do IABr, as 900 mil toneladas comercializadas pelas usinas no mês passado são praticamente iguais às de setembro de 2010 e representam queda de 16% comparadas a maio, melhor mês do ano com 1,064 milhão de toneladas.

Usiminas, Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) e ArcelorMittal Tubarão são as produtora no país de material plano acabado, como chapas e bobinas finas e chapas grossas.A Aperam faz aço plano inox. Nos aços longos comuns atuam Gerdau, ArcelorMittal, Votorantim e Sinobras. Apenas Gerdau faz aços longos especiais, aplicados no setor automotivo.

Em nove meses, até setembro, as siderúrgicas no país venderam 15,89 milhões de toneladas, apenas 0,9% a mais que no mesmo período de 2010. Em aços planos (8,6 milhões de toneladas) houve queda de 3,5%, enquanto nos produtos longos houve alta de 6,7% sobre o período anterior.

O consumo aparente no mercado brasileiro, soma de vendas internas de aço mais as importações, fechou com queda de quase 5% em setembro e de quase 6% no ano, quando alcançou 19 milhões de toneladas.

As importações de aço mostraram maior apetite a partir de junho, favorecidas por câmbio, benefícios fiscais estaduais e demanda em crise na Europa. Em setembro, somaram 240 mil toneladas de aço plano, 58 mil de longos e 45 mil de itens transformados. No ano, atingiram, respectivamente, 1,72 milhão, 747 mil e 360 mil toneladas.

Não se vê a mesma avalanche de desembarques do ano passado, quando o país importou, de janeiro a setembro, 4,35 milhões de toneladas dos três itens. Chegou a 399 mil toneladas em julho, mas recuou para 345 mil em setembro.

A principal porta de entrada continua sendo o porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, onde o governo concedeu redução no pagamento do ICMS a importadores que se instalassem no Estado.

Apesar do cenário ruim do mercado externo, com economias deprimidas na Europa e EUA e excesso de oferta de aço no mundo, as usinas no país conseguiram exportar 1,7 milhão de toneladas de aço plano laminado até setembro (alta de 22%) e 910 mil de aços longos (mais 10,5%).

No negócio de semi-acabados (placas e tarugos), elas embarcaram 5,08 milhões de toneladas, com acréscimo de 56%. Nesse caso, a usina da CSA, do grupo ThyssenKrupp, no Rio, distorce a base de comparação, pois tudo que faz é destinado a suas laminadoras na Europa e EUA. Gerdau é o grande exportador de tarugos, além de placas, produtos fabricados na Açominas.

Por conta da crise global de 2008/2009, um alto-forno da ArcelorMittal Tubarão ainda se mantinha apagado até o fim de setembro. A empresa planejava religá-lo neste mês para substituir a produção de seu maior alto-forno, na usina de Serra (ES) que seria paralisado para uma reforma que duraria quatro mês.

Fonte:

Infomet / Valor
Publicação: 21/10/2011

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