Com o cenário de crise internacional, a retomada da produção, explica ela, será puxada pelo mercado interno. "Temos um cenário de crescimento baixo para a economia mundial, o que faz com que haja alguma melhora marginal em estoque", diz Grezzana. "A expansão de 5% está respaldada, principalmente, no bom desempenho do mercado doméstico."
A construção civil deve encabeçar a lista de maiores compradores das siderúrgicas neste ano. Segundo a Tendências, o setor deve ter demanda 4,5% maior em 2012, em relação ao ano anterior. A indústria automobilística aparece em seguida, com crescimento de 3,7% na produção de veículos e de 3,8%na fabricação de autopeças.
Apesar da alta deste ano, a produção de aço vem em movimento de desaquecimento. Em 2011, a produção total deve ter crescimento de 6,4% frente a 2010, para 35 milhões de toneladas. "2010 foi um ano de crescimento muito forte. É natural que, com o desenvolvimento do setor, tenhamos um efeito convergência, com taxas de crescimento cada vez menores."
De acordo com os números da Tendências, no segundo semestre do ano, a produção das siderúrgicas teve redução de 1 milhão de toneladas, para 8,3 milhões de toneladas produzidas. A baixa pode ser explicada por um ajuste de estoque no período. A retomada da produção começa no segundo trimestre deste ano, com pico de produção previsto para o período entre os meses de julho e setembro, quando a produção trimestral deve ser de 10,2 milhões de toneladas de aço.
Se 2012 marca a retomada da produção de aço, as siderúrgicas deverão ter céu de brigadeiro no médio prazo. A agenda positiva para a economia brasileira - com a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, bem como a projeção de investimentos em infraestrutura - deve fazer com que o cenário entre 2013 e 2016 fique ainda mais positivo para as companhias do setor.
A Tendências projeta crescimento médio de 9,1% ao ano na produção nacional de aço bruto, com aumento concentrado, principalmente, em 2014, ano da Copa do Mundo.
Além dos eventos esportivos, a produção deve ser beneficiada pelo aumento de investimento promovido pelas siderúrgicas.
Entre os projetos está a Unigal, nova linha de produção de aço galvanizado por imersão da Usinimas, inaugurada em maio, com capacidade de produção de 500 mil toneladas. A Gerdau deverá inaugurar neste ano uma fábrica em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, voltada para a construção civil. A Açominas, por sua vez, tem um projeto em Ouro Branco (MG) para a produção de chapas grossas e bobinas laminadas a quente.
"Há ainda uma série de outros projetos com previsão de entrada em operação nos próximos anos, de forma que a produção nacional de aço deve ser impulsionada nos próximos cinco anos", diz Stefânia Grezzana.
O cenário otimista para as siderúrgicas está fundamentado no mercado interno. A demanda gerada por setores como construção civil, indústria automobilística e máquinas e equipamentos será o pilar fundamental para a retomada da produção. A crise internacional, por outro lado, trará um freio nas exportações de aço das siderúrgicas.
As exportações de produtos siderúrgicos devem chegar a 10,7 milhões de toneladas em 2012, um leve crescimento de 1,6% frente ao observado no ano anterior. O número mostra um forte desaquecimento frente ao observado em 2011, quando as exportações devem registrar crescimento de 17,8%.
InfoMet/Ig
Publicação: 06/01/2012