As informações que circularam na imprensa chinesa de que as siderúrgicas da China lideradas pela Baosteel seguiram rumo à Cingapura para negociar com as três grandes mineradoras Rio Tinto, BHP Billiton e Vale o novo preço do minério de ferro para 2010, confirmaram as expectativas de analistas e consultores de que esse mercado está mais apertado a cada dia e mais favorável às produtoras.
Ivan Fadel, analista do Credit Suisse não acredita, porém, que as negociações de preço serão fechadas no curto prazo, pois os produtores de minério este ano não estão demonstrando pressa. Para alguns especialistas, a China vai ter que abrir mão do "China Price", ou seja, da estratégia traçada num seminário da Associação de Ferro e Aço (CISA), em outubro, que consiste em esperar as usinas japonesas fechar negociações de preço do no sistema de referência para contratos de longo prazo para depois, com base no valor acertado, pedir um desconto sob o argumento de que são os maiores consumidores de minério de ferro do mundo.
O fato de a Baosteel estar conduzindo as conversas com as mineradoras criam, porém, expectativas de que haverá mais flexibilidade nas negociações com as usinas chinesas do que em 2009, quando a CISA foi dura com as mineradoras e tentou quebrar sua resistência, buscando impor uma queda de preço de 40% no preço de referência. O fato pôs fim a qualquer acordo com os chineses, que tiveram de comprar a maior parte do minério consumido no mercado à vista. Até a Vale, defensora do 'benchmark' optou por vender parte de seu minério com desconto e no 'spot'.
Se essa opção for mantida este ano, as usinas chinesas, na avaliação de Fadel, não farão um bom negócio. Ontem, o preço do minério à vista na China bateu em US$ 120 a tonelada (incluindo frete de US$ 26 entre Brasil e China). Isso significa preço FOB de US$ 94 a tonelada, ante um preço de referência da Vale acertado em 2009 de US$ 56 a tonelada. Ou seja, o prêmio fica na fixa de 68% a 70%. Este ano, os chineses torcerão por esse sistema.
Para o analista do Credit Suisse, entretanto, o preço 'spot' na China mostra que o o de referência tem de ser bem maior do que o de 2009, levando em conta que, com a recuperação de mercados da Europa, Japão e Estados Unidos, não haverá a disponibilidade de minério para a China, o que ocorreu em 2009. Ou seja, a oferta de produto para os chineses será mais apertada. Mesmo assim, os preços de referência permanecerão abaixo do mercado à vista.
Para Fadel, conforme relatórios recentes, "os produtores de minério vão buscar recuperar o que foi perdido em 2009 por causa da crise, o que daria um aumento na faixa de 40% para o produto nos contratos de longo prazo". Numa conta preliminar, este percentual indica que o minério da Vale, cujo preço médio em 2009 ficou na faixa de US$ 56 a tonelada para os contratos de longo prazo, subiria para cerca de US$ 78 a tonelada no 'benchmark', ou seja, no preço de referência de contratos, sem frete.
Apesar da política monetária mais rígida aplicada pelo governo chinês, o Credit Suisse está otimista em relação a economia do país neste ano e prevê crescimento do PIB na faixa de 9,6%. Entretanto, isso não vai impedir que as exportações brasileiras de minério para a China cresçam mais do que o volume vendido em 2009, que correspondeu a 54% das exportações totais do produto. Isso, porque novas ofertas de minério por parte da Vale e de outras mineradoras não vão crescer muito. Há muitos projetos em andamento que só vão maturar por volta de 2012/2013. E o mercado de minério continuará a trabalhar com um nível de utilização de capacidade na faixa de 97%.
"Este percentual de uso da capacidade instalada deixa pouca folga para qualquer stress na produção", afirma Fadel.
Infomet / Valor
Publicação: 04/02/2010