A carência de mão-de-obra especializada é um dos desafios que a siderurgia brasileira terá de vencer para alcançar as metas propostas pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Governo Federal, entre elas a de posicionar o setor entre os cinco maiores produtores e exportadores mundiais.
“A perspectiva de expansão da siderurgia é muito grande, mas existe uma insuficiência enorme de recursos humanos para atender essa demanda”, comentou Américo Tristão Bernardes, professor doutor da Ufop e chefe do Centro de Capacitação do Inmetro, durante a mesa-redonda “Necessidades de recursos humanos e retenção de talentos da siderurgia”, no 41º Seminário de Aciaria – Internacional.
Ele lembrou que, como parte da solução desse problema, está sendo realizado o projeto Talentos para a Siderurgia, coordenado pela ABM e com a participação de vários instituições, inclusive o Inmetro, e empresas do setor. O referido projeto se propõe a construir um modelo de demanda, levantando as ocupações críticas, quais certificações correspondem na educação formal, como se expressam por área de produção e região geográfica e qual o volume da ocupação hoje.
Em seu estágio atual, já foram levantadas as ocupações críticas, quantificadas por região e mapeadas na estrutura educacional. Como exemplo, Américo citou o levantamento realizado na mesoregião do Espírito Santo que, no período de janeiro a junho de 2009, ocupou 2.134 profissionais de nível técnico médio, nas áreas de automação, elétrica, eletroeletrônica, eletromecânica, eletrônica, mecânica, mecatrônica, metalurgia, química e segurança patrimonial.
No momento, está sendo realizado levantamento das instituições para conhecer quais cursos são oferecidos em cada região. A próxima etapa do projeto é a aplicação de modelo matemático para quantificação de demandas futuras e ações junto à área educacional.
O Projeto Talentos para a Siderurgia é um desdobramento do Estudo Prospectivo do Setor Siderúrgico – EPSS, também coordenado pela ABM e que definiu o futuro pretendido para a siderurgia no horizonte de 2025, elencando várias medidas – entre elas resolver o problema da mão de obra – que se fazem necessárias para construir o futuro desejado. Afinado com a proposta da PDP, o projeto Talentos passou a integrar a política governamental.
Na outra vertente, do ensino superior, Américo também confirmou a existência de problemas, com a falta de engenheiros. Baseado em dados do IPEA e considerando um cenário de crescimento da economia brasileira de 7% ao ano, com a siderurgia brasileira apresentando crescimento médio de 8% ao ano e de 69% até 2015, seriam necessários 487.659 engenheiros e arquitetos para sustentar a demanda. Porém, para esse período, projeta-se somente 67.664 concluintes em cursos de engenharia, produção e construção no Brasil.
“Não estamos nem conseguindo professores doutores para lecionar em nossas faculdades. Isso significa um retrocesso de 20 anos”, disse Américo, para dar a dimensão do problema a ser enfrentado com a mão de obra.
ABM Brasil
Publicação: 31/05/2010