Memorial DescritivoO objetivo do trabalho é propor, através de espaços de uso coletivo, tanto públicos quanto privados, uma nova articulação na cidade. O projeto parte de uma compreensão e definição do lugar.
Santo Amaro, que já foi uma grande região comercial de São Paulo, abriga hoje um crescente mercado informal, desenfreado e desordenado que não sofre nenhum tipo de fiscalização por parte das autoridades.
Os comerciantes, maiores prejudicados, acumulam prejuízos ao insistirem em permanecer na região, foram aos poucos sendo acuados em seus estabelecimentos, não tendo nenhum espaço livre em suas portas.
Os moradores não têm como transitar normalmente nas ruas que abrigam maior número de barracas do que de transeuntes. 
O desenho físico das vias convergentes torna o Largo um ponto de passagem quase obrigatório para todos os veículos, principalmente para o transporte coletivo, o que ocasiona, um grande número de ônibus e pontos de parada, travessias difíceis e uma grande quantidade de pessoas pelas ruas.
Desse modo o projeto deverá resolver o fluxo de pedestres, criando-se um novo piso para o desenvolvimento de atividades ligadas ao espaço cívico, onde todos possam usufruir desse novo "lugar".
Ao mesmo tempo tem-se que resolver os conflitos existentes no viário, como a confluência da Avenida Padre José Maria com a Alameda Santo Amaro e a relação destas com o pedestre. Por isso, além de meramente corrigir ou recuperar, o problema a resolver é a criação de um espaço novo, que acolhe dessa forma diversas atividades que respondam às necessidades de hoje e do amanhã. O nó Largo 13 de Maio não tem mais escala para suportar a área de sua influência urbana.
A intenção deste projeto foi a de transferir ao antigo Largo a escala de uma nova Praça, agregando-lhe superfície, reconstruindo seus fluxos e propondo novos usos e novas edificações. O Largo transforma-se assim no adro que articula não apenas a antiga Igreja, mas também dá suporte ao novo edifício institucional – Subprefeitura e Museu – além de remodelar uma parcela urbana ampliada.
O novo Largo não se resume à superfície. Ele é uma construção em níveis que remodela a articulação viária em suas camadas inferiores, legando à sua laje de cobertura a função de Praça.
A Praça dá acesso à Igreja da Matriz, à região dos boxes destinados ao comércio informal e ainda ao local onde ficará o edifício proposto.
Sob a laje da Praça, ordenam-se o fluxo viário segundo as necessidades locais, a conexão com a estação do metrô (linha lilás), novas paradas de ônibus, cinemas, estacionamentos, áreas de convivência, serviços destinados à população como correios, livrarias, atendimento ao trabalhador, etc.. Grandes aberturas para ventilação e iluminação permitirão o contato visual com a Praça.
Sobre a nova Praça propõe-se um edifício multifuncional, que abrigará a Subprefeitura e o Museu de Santo Amaro. O edifício proposto não deve bloquear a vista da Igreja, já que essa representa uma história para a cidade e tem valor para a comunidade, desse modo, a proposta é de um edifício com um grande vão central que libere esse visual.
Apesar do desenho longitudinal, o edifício toca o solo em dois pontos apenas.
A EstruturaInternamente, para vencer o vão de 23 metros, utilizou-se vigas-caixão metálicas, que se conectam à treliça através dos nós. Estes são encarregados de distribuir os esforços ao longo da estrutura do edifício.
Por considerar as barras articuladas aos nós eles estarão submetidos a esforços de tração e compressão, determinados a partir das forças que eles transmitem às barras. Em segundo lugar, estes nós devem facilitar o processo construtivo da malha e por conseguinte absorver a inevitável dispersão na longitude das barras, a respeito dos valores teóricos das mesmas.
Para as treliças foram dimensionados tubos metálicos de seção redonda, o que permite redução do tamanho das peças em relação aos perfis "i" ou "h". Com isso, pode-se variar a espessura das peças para proporcionar um desenho igual na fachada, pois cada barra de aço tem um desempenho diferente no conjunto, o que resultaria em peças de diferentes espessuras.
A estrutura tem os nós de aço fundido que são soldadas ao tubo. Para facilitar a execução da solda na obra, foi pensado em pinos de fixação que encaixariam nos tubos e estes depois de posicionados seriam soldados aos nós, visando a facilidade e precisão da estrutura na obra (ver detalhe 3).
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Projeto premiado no Concurso Opera Prima 2004
Escola: Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo
Autor: Fernanda Kleemann Spinicci
Orientador: Professor Pedro Nosralla Jr.