Na hora de fazer um telhado, o dono da obra não precisa saber distinguir uma cumeeira de um rincão, mas deve ter informações para avaliar se o projeto em execução é o mais adequado à casa, loja ou galpão em construção. Alguns elementos básicos definem a inclinação, a resistência e a aparência do telhado, como a estrutura de sustentação, a escolha das telhas e da equipe responsável pelo trabalho.
Com mais de 20 anos de experiência no ramo, o construtor João Vicente da Silva ressalta que a construção do telhado, a parte mais vulnerável da obra, não permite improviso. "Não dá certo substituir telhas e madeiras por marcas inferiores, muito menos contratar gente sem experiência".
Uma das primeiras decisões a serem tomadas no projeto do telhado é se ele será sustentado por estrutura de aço ou madeira. O construtor lembra que as estruturas metálicas custam, em média, 15% mais do que as de madeira. "Mas, enquanto um telhado com estrutura de madeira tem duração média de 15 anos, com o uso de metal ele aguenta até 40 anos, mesmo com muita chuva".
O tempo necessário para construir um telhado de madeira é maior, pois grande parte do trabalho é manual e usa ferramentas simples, como serra, serrote, enxó e furadeira. "Enquanto a cobertura de espaço de 200 metros quadrados pode levar até três semanas para ser feita por quatro operários, se for usada estrutura de madeira, para o suporte de aço, a mesma obra pode ser feita em 10 dias, por três pessoas", compara Silva.
Se, na estrutura de madeira, a qualidade do serviço de carpintaria é fundamental para um bom resultado, quem optar pela estrutura metálica para sustentar o telhado terá de contratar equipe experiente e equipada com máquina de solda, lixadeira, serra de policorte e compressor.
Quando a opção pela estrutura de aço é descartada, cabe ao dono da obra e profissionais escolher a madeira apropriada. Silva diz que as mais resistentes no mercado são a paraju, cumaru e angelim-vermelho. "A madeira de lei, como o jatobá e a castanheira, por exemplo, é frágil para o telhado. A peroba branca e vermelha e o ipê são resistentes, mas estão em extinção. O pinho branco não tem resistência alguma, mas ainda tem gente que se arrisca".
Com muitas espécies de madeira em extinção, o construtor vê com bons olhos a ampliação do mercado de estruturas de metal. "Como falta madeira e há muito minério no Brasil, tomara que essa seja mesmo a tendência no mercado de construção". Indiferentes à durabilidade, ao custo ou praticidade, na hora de construir a casa para morar, muitos mineiros ainda não abrem mão do telhado aparente, com estrutura de madeira, que, na verdade, são apenas variações do bom e velho estilo colonial.
A arquiteta Alícia Rodrigues diz que muitas vezes a sondagem para elaboração do projeto arquitetônico deixa clara a preferência do cliente por essa tradição. "Exceto para as construções contemporâneas, o que muitas pessoas querem é o telhado com estrutura de madeira".
No Bairro Ermelinda, em Belo Horizonte, o policial Roberto Rodrigues de Souza construiu um bom telhado mineiro com 90% da madeira reaproveitada de construções em demolição. A peroba-de-campos, que já desapareceu dos depósitos das madeireiras do país, agora sustenta a cobertura da área de lazer da família. "Tive a oportunidade de fazer um telhado diferente, reaproveitando material antigo, e o resultado foi interessante, tanto do ponto de vista econômico quanto da aparência final da obra".
Infomet / Estado de Minas
Publicação: 20/01/2009