Muito se tem falado sobre o futuro da Usiminas ultimamente. São diversas as análises e também os “achismos”. Vez por outra, estes comentários surgem, são alimentados, se reproduzem e se interpolam, afastando-se cada vez mais da realidade. Nesses momentos, devemos nos ater ao que é mais importante e isento: os fatos.
A Usiminas possui – segundos os dados mais atuais, relativos ao 1º trimestre do ano – aproximadamente R$ 6 bilhões em caixa e um perfil de vencimento de dívida considerado confortável. Esta condição financeira é capaz de dar lastro à sua capacidade empreendedora. A Usiminas foi a terceira empresa privada brasileira que mais investiu em 2010 (R$ 3,2 bilhões) e planeja investir nesse ano mais R$ 2,6 bilhões.
Desse valor previsto para 2011, aproximadamente R$ 1 bilhão no Vale do Aço. E investimentos não são feitos ao acaso, sem um planejamento de futuro e de geração de valor. O caminho mais natural é que quem investe em uma empresa hoje queira colher os frutos desse investimento no futuro.
Nossos principais controladores, grupos empresariais de sólida presença no Brasil e exterior, decidiram renovar o Acordo de Acionistas até 2031, “(...) com o objetivo de demonstrar aos demais colaboradores da Companhia e ao mercado a estabilidade do grupo de controle e, consequentemente, assegurar o contínuo crescimento e desenvolvimento da companhia”, segundo comunicado oficial ao mercado, divulgado em 18 de fevereiro deste ano. Além disso, o Acordo prevê que caso um dos acionistas manifeste interesse em vender sua participação na composição acionária da empresa, os demais exercem o direito de preferência. Este é outro fato.
A Usiminas está preste a completar 50 anos de operações. Isso mesmo, meio século testemunhando a evolução deste País, tendo o Vale do Aço como o seu berço. É hoje o maior e mais moderno complexo siderúrgico de aços planos da América Latina, presente em oito estados do Brasil. Uma empresa só chega a este grau de perenidade suportada por um projeto de longo prazo, onde se insere uma sólida parceria com a Nippon Steel Corporation. Desde a implantação da Usiminas, nossos acionistas japoneses se tornaram um importante vetor de investimentos e orientação estratégica para o crescimento da empresa, além de supri-la com maquinário e know how tecnológico.
Ao longo dos anos, foram criados diversos grupos de assistência técnica dedicados à busca por soluções para melhorar resultados operacionais, novos processos, qualidade e produtividade. Hoje, a Usiminas/Nippon se encontra na sétima TA (assistência tecnológica), que tem como uma das metas executar de forma rápida e segura a estratégia de investimentos da empresa.
Essa parceria intensificou-se nos últimos meses com aquilo que realmente importa: fatos. Um deles é o recente lançamento do Sincron, aço especial de alto conteúdo tecnológico para atendimento às demandas do pré-sal, que começou a ser produzido em 2011, mediante transferência de tecnologia da Nippon Steel. A exclusiva tecnologia CLC - Continuous on Line Control – foi, pela primeira vez na história, transferida dos domínios das usinas japonesas da Nippon para outra planta siderúrgica no mundo. O investimento da Usiminas foi de mais de R$ 500 milhões.
Outro fato, ainda mais recente: a expansão da Unigal, joint venture entre a Usiminas (70% de participação) e a Nippon Steel (30% de participação), responsável por processar aço galvanizado por imersão a quente. A nova linha, inaugurada no último dia 18 de maio, eleva a capacidade de produção anual de aço galvanizado por imersão a quente em 550 mil toneladas. Com isso, a empresa passa a atingir volume total superior a 1 milhão de toneladas para atender aos segmentos automotivo, de linha branca, construção civil e distribuição. O investimento da Usiminas foi de cerca de R$ 914 milhões.
Repito, estes dois exemplos são fatos e sinalizam bem mais do que projetos siderúrgicos. Sinalizam futuro, desenvolvimento para a Usiminas e, consequentemente, para comunidade. Apenas o CLC e a Unigal expressam R$ 1,5 bilhão em investimentos concluídos nos últimos meses – em Ipatinga, registre-se. Além destes, a conclusão da Coqueria 3 e a modernização da aciaria, com um novo desgaseificador.
Ou seja, com responsabilidade, estamos modernizando a Usiminas e tornando-a mais eficiente. De forma complementar, avançamos em uma estratégia de verticalização da cadeia produtiva. Queremos tornar nossas operações e nossa estrutura de custos mais competitivas e sermos, nos próximos anos, autossuficientes em alguns insumos, como minério e energia.
Em nossa unidade de mineração, os investimentos totais para os próximos quatro anos são estimados em mais de R$ 4 bilhões, o que elevará a capacidade de produção de 7 para 29 milhões de toneladas de minério de ferro em 2015. E entre alternativas analisadas para otimizar o consumo atual de energia elétrica estão: redução do consumo via melhoria contínua e pequenos investimentos; tecnologias e processos de otimização do mix de combustíveis; tecnologias de geração de energia a partir dos processos de produção (cogeração) e eventual participação em ativos de energia.
Portanto, quando vemos investimentos sendo feitos em mineração, por exemplo, não devemos analisá-los separadamente. Se a empresa realiza investimentos em minério é para vê-los reduzir os custos de produção do aço e, consequentemente, gerar melhores resultados. E o aço, ressalte-se: é o foco do nosso negócio. Hoje, não faz mais sentido falarmos apenas em aumento de capacidade produtiva e, sim, em aumento da competitividade. Ontem, o paradigma era preço = custo + margem. Mas os fundamentos da siderurgia brasileira mudaram. Hoje, o paradigma é margem = preço – custo. Eis alguns fatos influenciam a siderurgia brasileira atualmente:
- Motivado pela valorização do Real, as importações de aço e de aço contido em produtos somaram, em 2010, o equivalente à capacidade de produção de duas usinas de Ipatinga. Em 2011, embora em menor intensidade, o fenômeno continua.
- O custo de produção da média da usinas brasileiras dobrou de 2001 para cá. O custo de uma bobina a quente, por exemplo, encarece no Brasil 50% devido à carga de tributos sobre produção e vendas.
- Para se construir uma usina integrada (placas + laminação) no Brasil, gasta-se US$ 1,8 mil/tonelada. Na India, US$ 1 mil/tonelada e, na China, a metade disso.
A conclusão a que chegamos é que nosso País ainda enfrenta problemas de competitividade que não contribuem para tornar o ambiente de negócios atrativo. O consumo de aço no País está em 137 kg/por habitante. Na China, é o triplo. A participação do setor industrial – que é quem consome o aço – no PIB brasileiro corresponde ao mesmo patamar da década 50. Muitos são os desafios macros do País:
As empresas precisam, necessariamente, prestar atenção não só nos seus próprios processos como também nos dos seus clientes, estabelecendo com eles uma sinergia para identificar e eliminar as ineficiências ao longo de toda a cadeia produtiva. A Usiminas é uma empresa como qualquer outra.
Depende da saúde de seus clientes (e da saúde dos clientes de seus clientes). A indústria automotiva brasileira, por exemplo, encerrou o primeiro semestre deste ano com um saldo negativo entre suas importações e exportações de 140 mil veículos. O volume é 350% maior que o registrado nos seis primeiros meses de 2010, quando o número de importados havia superado as exportações em 40 mil unidades.
Já segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a importação de bens de capital somou US$ 8,9 bilhões entre janeiro e abril, 32,5% a mais do que no mesmo período de 2010, elevando o déficit do setor a recordes US$ 5,5 bilhões este ano. Ambos os setores, estão entre os mais representativos para a indústria de aços planos, o negócio da Usiminas.
Devemos nos unir em prol da resolução de problemas que há muito afetam o País. Não podemos esperar que o Poder Público faça tudo, e nem que as empresas o façam. A agenda da competitividade deve ser um compromisso de todos. É para isso que a sociedade civil organizada, a classe política e empresarial deveria endereçar suas preocupações. Pois é esse o terreno onde eles podem influenciar e agir de forma verdadeiramente construtiva em prol da empresa, de seus trabalhadores e da comunidade. O segredo para os melhores frutos está em cuidar das folhas, dos galhos, do caule. Mas está, acima de tudo, em cuidar das raízes.
A Usiminas está fazendo a sua parte, investindo com responsabilidade, atacando (e assumindo) seus problemas com transparência e foco. E está fazendo isso preservando a sua vocação social, que há quase 50 anos lhe é assinatura. Continuamos a valorizar os fornecedores locais do Vale do Aço. Só no ano passado, por exemplo, a Usiminas comprou R$ 1,5 bilhão na região, impulsionando o desenvolvimento econômico local, especialmente o pólo metal-mecânico.
Queremos, portanto, caminhar de mãos dadas. Recentemente, nossa Fundação São Francisco Xavier anunciou a ampliação e aquisição de novos equipamentos para o Hospital Márcio Cunha; um plano de R$ 34 milhões. A Usiminas não pode ser o único vetor de crescimento para o Vale do Aço. No entanto, contribuiremos naquilo que estiver ao nosso alcance para fomentar o desenvolvimento das comunidades onde estamos inseridos.
Em conclusão, caro leitor: sim, a Usiminas vive um período de desafios, com resultados e mercado depreciados. Mas como em todo desafio, há espaço para as oportunidades, para rever modelos de negócio e avançar. Precisamos formular uma agenda conjunta, focada naquilo que compete a cada um defender, agir, mobilizar.
Nesse sentido, é auspiciosa a lembrança de uma das frases mais conhecidas da história, dita pelo ex-presidente americano, John Kennedy, há 50 anos: “Não perguntem o que o País pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu País”. É por isso que quando me perguntam qual é o futuro da Usiminas, eu respondo: TRABALHO, pelo menos para aqueles que verdadeiramente a querem bem.
Infomet / Diário do Aço
Publicação: 13/07/2011