A redução dos preços e dos embarques de minério de ferro para a China pode sinalizar uma manobra do país, maior comprador mundial do produto, para se preparar para uma negociação antecipada dos contratos para 2010.
Mas o preço para a entrega imediata ainda está cerca de 30% acima dos contratos de 2009 (levando em conta ajustes no frete), o que, junto com a recuperação econômica global, deixa as mineradoras em boa posição para negociar os novos contratos, um processo que costuma ser tenso e prolongado.A demora em resolver os termos dos contratos de 2009 - os quais, ao menos formalmente, ainda estão em discussão, mas na prática mantêm os 33% de redução obtidos por siderúrgicas sul-coreanas e japonesas - implica uma substancial perda no poder de barganha do principal negociador, a Associação de Ferro e Aço da China (CISA, na sigla em inglês), já que a demanda voltou a crescer, e a expansão econômica da China continua forte.
"Todo mundo pensou que a CISA estava sendo mais inteligente do que realmente foi", disse uma fonte da Austrália ligada ao setor. "Eles deveriam ter resolvido (os contratos) no começo do ano, antes que as coisas se recuperassem. E acho que aprenderam a lição."
O comércio naval do minério de ferro movimenta mais de US$ 80 bilhões por ano e é dominado, no lado da oferta, pela brasileira Vale e por duas mineradoras anglo-australianas, a Rio Tinto e a BHP Billiton, e, no lado da demanda, pela China.
O preço do minério de ferro para embarque imediato caiu 6,5% desde o final de novembro, quando atingiu seu maior valor em três meses. Mas ainda assim analistas preveem que as mineradoras conseguirão um aumento entre 10% e 30% para o ano que vem, já que a recuperação econômica eleva a demanda por aço, produto do qual o ferro é matéria-prima.O preço do minério de ferro na China recuou nesta semana de US$ 104,60 para US$ 98,10, segundo dados do Índice do Aço.
"Uma recuperação do mercado para entrega imediata não é surpreendente, mas esses preços ainda representam uma elevação de 30% numa base com o frete equalizado. Os estoques nos portos chineses estão declinando, e isso pode ter criado alguma fraqueza", disse o analista-sênior de commodities da ANZ, Mark Pervan.
"Acho que a CISA quer resolver logo, e essa pode ser a razão também pela qual o mercado está perdendo força - os chineses podem estar tentando exercer pressão sobre os preços agora para obter um acordo mais favorável", completou.As siderúrgicas chinesas podem estar reduzindo suas compras imediatas, preferindo depender dos seus estoques, como parte de um esquema para fortalecer o poder de barganha da China.
Entre 11 de setembro e 20 de novembro, últimos dados disponíveis, o estoque de minério nos portos chineses, que era de 68,87 milhões de t, caiu 5 milhões de t, o que significa cerca de 5% de consumo mensal.Paralelamente, diminuiu também o número de navios levando minério para a China. No caso da Austrália, foi uma redução de 56 para 26 embarcações entre outubro e novembro, segundo a empresa especializada AXSMarine.
No caso do Brasil, outro grande fornecedor de minério de ferro para a China, a ASX captura apenas parte do movimento, mas seus dados indicam que também houve uma redução nos embarques depois de uma alta em setembro.Terra
Publicação: 11/12/2009