Receitas e produção avançam com as melhoria de processos industriais

Em apenas seis anos, a Cem Construções triplicou seu faturamento, dobrou o número de funcionários e quadruplicou a área industrial, diversificando os produtos que fabrica para incluir, além de estruturas metálicas, caldeiras de grande porte. A metalúrgica atribui os avanços à sua adesão ao Programa de Certificação de Empresas (Procem) do Maranhão. Graças ao controle de qualidade dos processos industriais implantados a partir do programa, a Cem Construções, que antes só vendia para a Vale e Alumar no próprio Estado, hoje atende também os mercados do Piauí, Pará e Pernambuco.

"A produtividade cresceu mais de 12%, o que possibilitou recuperar em poucos meses o que gastamos com a qualificação", afirma Rubens Soares, proprietário da Cem. O que ele calcula que levará três anos para recuperar são os grandes investimentos feitos para a compra de modernos equipamentos e ampliação da área industrial. "Foram desembolsos motivados pela visão estratégica que adquirimos com os cursos e as reuniões com os grandes compradores. Agora, estamos preparados para acompanhar o crescimento do Estado, atender a refinaria e a siderúrgica que serão construídas", diz.

O balanço que o empresário faz da qualificação é tão positivo que, para melhorar a qualidade de seus insumos, a Cem começou, há anos, a convidar seus próprios fornecedores para o programa. "Avisamos que daríamos prioridade a quem aderisse e são poucos que não têm a certificação. Temos até fornecedores de fornecedores participando do programa e nosso atendimento melhorou muito com isso."

A empresa foi uma das primeiras certificadas pelo Procem do Maranhão, que começou há uma década por iniciativa da Vale. Entusiasmada com os resultados obtidos pelo Prodfor no Espírito Santo, a mineradora decidiu estender a experiência aos outros Estados onde atuava. Em parceria com a Alumar, Transpetro, Eletronorte e o governo do, deu início em 1999 ao Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF) do Maranhão, que, três anos depois, se transformou no Procem, ao incluir a certificação das empresas que passavam por uma auditoria. Em 2000, também em parceria com outras grandes compradoras, o PDF era lançado no Pará. Hoje, os PDF/Procem desses dois Estados mobilizam 21 grandes empresas compradoras.

Essas experiências trouxeram tão bons resultados em termos de redução de custos, qualidade e melhoria do relacionamento da empresa com a comunidade, que a Vale decidiu complementar os PDFs com outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento de fornecedores. Desde 2005, investe na capacitação em larga escala de profissionais para serem absorvidos pelas empresas locais e, em 2009, lançou o Inove, um programa que oferece linhas especiais de crédito para fornecedores e cursos on line para a sua capacitação nas mais modernas técnicas de gestão.

Em três anos, a empresa investiu R$ 22 milhões na instalação de cinco centros de educação profissional, realização de 98 cursos técnicos e concessão de 6,7 mil bolsas de estudo para a formação de pessoal a ser contratado por seus fornecedores locais. Desenvolvidos por Senai, Sebrae e IEL, esses cursos englobam desde funções técnicas nas áreas de carpintaria, informática, construção civil, administração e contabilidade até gestão. Mais de 80% do formados conseguiram emprego.

Além dos cursos presenciais, com o Inove, a mineradora fez parceria com a Harvard Business School para ofertar a pequenos e médios fornecedores atuais ou potenciais 37 cursos on-line focados em gestão de negócios, contratos, elaboração de projetos, planejamento estratégico, liderança e inovação. Cerca de 1.500 pessoas foram capacitadas pelo Inove. "Várias empresas locais puderam fornecer para a Vale pela primeira vez depois dessa capacitação", diz o gerente do Inove, Ricardo Luiz de Sousa.

O programa, que abrange todos os Estados onde a Vale atua, inclui ainda linhas de crédito mais ágeis e com taxas de juros menores para fornecedores locais, viabilizadas por parcerias com instituições financeiras como o Banco do Brasil e Bradesco. Com isso tudo, o volume de aquisições que a Vale fez junto às empresas locais paraenses passou de R$ 689 milhões, em 2005, para R$ 2,38 bilhões, em 2009.

"O Inove representa o compromisso da Vale com o desenvolvimento sustentável das regiões onde atua, por isso a prioridade no crédito é para fornecedores locais com índices crescentes de aquisições na região", explica o gerente do projeto, acrescentando que o objetivo é que as empresas não dependam só da Vale. Segundo ele, a mineradora estuda formas de estimular a participação desses fornecedores locais inclusive nos projetos que a empresa tem em perspectiva no exterior, em Moçambique, Oman, Colômbia e Peru.

Fonte:

Guia Oil&Gas
Publicação: 26/02/2010

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