A recuperação da demanda por aço no mercado brasileiro e internacional está motivando algumas empresas a encaminhar seus projetos de construção de usinas siderúrgicas no País, o que deve aumentar significativamente a capacidade produtiva nacional no longo prazo.
Além dos projetos de siderúrgicas da mineradora Vale em parceria com investidores estrangeiros, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou recentemente que está procurando sócios do exterior para tocar seus projetos de siderurgiaEm 2010, outro projeto que pode começar a sair do papel é a construção de uma usina de placas da Usiminas, em Santana do Paraíso (MG), com capacidade para produzir 5 milhões de toneladas de aço por ano. A companhia deve estudar o assunto no final do primeiro semestre de 2010 ou no início do segundo semestre. O plano havia sido aprovado em julho de 2008, quando o mercado estava aquecido, mas foi suspenso em julho deste ano devido à queda da demanda mundial.
No caso da Vale, o único projeto de siderurgia que encontrou parceiro foi o da CSA, com a alemã ThyssenKrupp, mas a mineradora ainda busca com quem partilhar outros três projetos: no Ceará, no Pará e no Espírito Santo, com capacidade total de 10 milhões de toneladas. Estes projetos agregarão ao Brasil uma produção de aço equivalente à do Reino Unido e a três vezes a produção na Argentina. Recentemente, o presidente da Vale, Roger Agnelli, confirmou que o empresário Lakshimi Mittal, controlador e presidente mundial da ArcelorMittal, o maior grupo siderúrgico do mundo, manifestou interesse em participar de um novo projeto siderúrgico no Brasil.
Segundo ele, Espírito Santo pode abrigar este projeto, mas ainda não há nada fechado. A usina, na localidade capixaba de Ubu, seria a mesma que chegou a ter parceria negociada com a Baosteel, a maior siderúrgica da China, que desistiu do projeto em janeiro deste ano, no período mais agudo da queda de demanda por aço. O projeto com a Baosteel estava orçado em US$ 5,5 bilhões, para produção de 5 milhões de toneladas de placas para exportação.
O projeto da CSN prevê a construção de duas usinas em Congonhas (MG) e Itaguaí (RJ) com capacidade para produzir 9 milhões de toneladas de aço. O objetivo da companhia é garantir demanda para o minério de ferro produzido em suas minas Casa de Pedra e Namisa, seguindo os moldes da mineradora Vale.
Apesar da meta de longo prazo, os projetos trarão um expressivo aumento de capacidade ao Brasil, que atualmente tem capacidade anual para produzir 41,8 milhões de toneladas de aço, enquanto a demanda de 2009 será de 18,7 milhões de toneladas. Em
Juntos, os planos de Vale, Usiminas e CSN agregariam ao País uma capacidade de 24 milhões de toneladas, volume maior do que toda a demanda nacional pelo insumo. O projeto da Votorantim com o empresário Grendene não teve o volume divulgado, mas inicialmente fará apenas a laminação do aço produzido pela Votorantim Siderurgia, em Resende (RJ), que possui capacidade de produção de 1 milhão de toneladas de tarugos.
Grande parte da produção destes projetos será voltada para a exportação de placas de aço, mas o mercado internacional também enfrenta excesso de oferta. Em todo o mundo, a capacidade de produção de aço é de 1,8 bilhão de toneladas, enquanto o consumo será de 1,1 bilhão no ano, gerando um excedente de 700 milhões de toneladas de aço, segundo dados divulgados pela Gerdau no 2º Encontro Nacional da Siderurgia, promovido pelo Instituto Aço Brasil (IABr). Isso indica que, apesar da confiança no longo prazo, os projetos de siderurgia enfrentarão forte competitividade diante do grande volume de aço produzido em todo o mundo.
Infomet / Agência Estado
Publicação:24/11/2009