Residência do Arquiteto Sérgio Parada

(clique para ampliá-la)Para um arquiteto projetar sua própria casa é um dilema, pois é aí que ele na realidade irá usufruir de todos os conceitos espaciais e arquitetônicos estabelecidos ao longo de sua trajetória profissional.

Esta é sempre a preocupação que observamos quando algum colega arquiteto elabora o projeto de sua própria casa, e o que me conduziu a melhor refletir a respeito desta questão.

A maturação de meu projeto veio com o tempo e não foi um processo sofrido, pelo contrário, foi de muito prazer. No dia a dia de meu escritório, junto com meus colaboradores, discutia, refletia e alterava sempre que necessário o desenho da arquitetura quando minhas dúvidas procediam.

(clique para ampliá-la)No entanto, uma coisa era certa: meus conceitos de como tratar os espaços de uma casa eram sempre os mesmos.

Minha formação de arquiteto estava ali exposta, desafiando-me, e o desenho de uma casa para o meu viver estava ali sendo traçado. Sempre quis uma casa caracterizada como um abrigo saudável e despido de pretensões, para que pudesse viver bem na minha privacidade, mas que pudesse também compartilhar desses espaços com as pessoas mais caras de minha vida: meus familiares e amigos.

Esta casa tinha que ser “eu”, e deveria, de uma forma transparente, sensibilizar a todos que nela estivessem para perceberem minha forma de ser, além, é claro, de proporcionar a emoção que uma obra de arquitetura deve por obrigação transmitir aos seus usuários.

(clique para ampliá-la)O meu pensamento projetual traduziu-se em um desenho fortemente marcado pelo modernismo, revisto obviamente em alguns pontos, e que abordou em sua concepção os seguintes aspectos:

Estrutura solta do solo, uma casa com pilotis, assim como foi pensada nossa cidade;

Liberdade no desenho, valorizando tanto os espaços internos como externos, caracterizados como fluídos e contínuos ;

Possibilidade da leitura total dos espaços de qualquer ponto do terreno;

Paisagem externa penetrando no interior dos espaços construídos;

(clique para ampliá-la)Arte contemporânea fazendo parte integrante da arquitetura através dos painéis de Athos Bulcão, grande mestre e contribuidor da arquitetura moderna brasileira, pessoa por quem tenho o maior respeito, carinho, amizade e gratidão;

Espaço externo tratado de forma muito simples e aberto, com pisos permeáveis e materiais adequados. Este desenho da paisagem sempre imaginei que a arquiteta Rosa Kliass o fizesse, porque além de amiga é uma profissional sensível que sempre agrega qualidade na minha arquitetura;

Assim como a luz natural sempre me inspirou no desenho e valorização dos espaços, o mesmo valor deveria ser dado com a iluminação artificial, de maneira que Silvia Caetano, amiga e conhecedora desta arte contribui comigo, enriquecendo minhas idéias;

O som também deveria ser partícipe dos espaços. A água da chuva que cai do telhado sobre as pedras de rio que protegem o terraço dão a nítida impressão de que ouvimos o som de uma cachoeira. Luz, som, textura e cor sempre fazem parte de minha composição arquitetônica;  

(clique para ampliá-la)O acesso a uma casa para mim tem um valor simbólico importante: mostrar com dignidade onde as pessoas entram no espaço privado é mostrar como você gosta de receber os amigos. Sob o mesmo enfoque deste pensamento, acho que o espaço público da rua também deverá ser valorizado e respeitado, integrando-o com a área privada sem, no entanto, perder a privacidade de que uma casa necessita. Não gosto do que geralmente é feito na arquitetura residencial em Brasília, onde as construções parecem estar debruçadas sobre a rua, sem o menor respeito a escala do espaço público.

Assim pensei minha casa, e utilizei-me daquilo que é mais primoroso e que a natureza nos oferece para o benefício e conforto ambiental de uma edificação.

(clique para ampliá-la)A luz natural abundante, mas controlada; a circulação do ar constante; a energia solar como fonte para o aquecimento da água; e a generosidade dos espaços. A tecnologia da estrutura empregada é do concreto e do aço, em cuja simbiose resultou numa concepção de um volume principal suspenso sobre quatro pilares.

A flexibilidade dos espaços, tanto para o de uso das pessoas, bem como os intersticiais para a passagem das redes de serviço, sempre foram adotados como princípio no conceito da edificação.

Os pilares envolvidos por capas metálicas removíveis para facilitar a manutenção das prumadas e as redes das instalações de água, esgoto, telefonia, elétrica e eletrônica passeando livremente no entreforro, definem uma concepção tecnológica simples e adequada.

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