A retomada da produção de importantes setores da economia do Estado, como mineração, siderurgia e cimento, alavancou o desempenho das indústrias que fabricam caldeiras no município de Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Em algumas empresas, o incremento dos negócios no primeiro quadrimestre chegou a 30% na comparação com o mesmo período de 2009.
A Mecbrun Indústria e Comércio Ltda, que além do segmento de caldeiraria, também atua nos setores de locação de máquinas e caminhões, usinagem, montagens industriais e fabricação e recuperação de peças, apresentou um aumento da ordem de 10% nos negócios de janeiro a abril frente o mesmo intervalo do ano passado.
De acordo com a diretoria da empresa, desde março a produção tem aumentado gradativamente. A indústria cimenteira é responsável por 60% do que é produzido. Entre os principais clientes estão a Holcim e a Camargo Corrêa. Diante disso, as expectativas para o acumulado do ano são positivas. A diretoria aposta em um aumento de até 40% no faturamento em relação a 2009. Caso seja confirmado, os negócios retornarão aos patamares pré-crise.
Para proporcionar o crescimento e aumentar a produção, a Mecbrum está investindo na expansão da fábrica e na renovação dos maquinários. Conforme a empresa, cerca de R$ 600 mil, provenientes de capital próprio, serão investidos na ampliação do parque fabril em 5 mil metros de área construída. Hoje, o parque possui 3 mil metros de área construída.
Com 13 anos de atuação, a Mecbrun conta hoje com 34 funcionários. Cerca de 60% do que é produzido fica em Minas Gerais. Na Causimec Indústria e Comércio Ltda, especializada na produção e manutenção de caldeiras, foi registrado um incremento de 30% nos negócios efetuados nos primeiros quatro meses deste ano, na comparação com igual período de 2009. Os principais clientes da empresa são as cimenteiras e mineradoras, que respondem, juntas, por 60% da demanda.
Cautela - Há 23 anos no mercado, A Tec Liga Indústria e Comércio Ltda, manteve o faturamento estável durante os quatro primeiros meses de 2010. Segundo o gerente Administrativo da empresa, Marcos Porciuncula de Morais, as empresas estão cautelosas em relação aos investimentos. No entanto, a previsão é de que os negócios melhorem a partir do segundo semestre.
"Nossos negócios foram prejudicados desde outubro do ano passado devido os reflexos da crise financeira mundial. Nossos clientes não estão fazendo investimentos de grande porte. No entanto, não podemos reclamar, pois a produção do primeiro quadrimestre ficou no mesmo patamar do ano passado", disse.
Conforme Morais, a expectativa para o acumulado do exercício é de um crescimento da ordem de 15% dos negócios na comparação com o ano passado. "Esperamos sair da estabilidade e conseguir aumentar o faturamento ao longo do segundo semestre. As empresas estão, aos poucos, voltando a investir. Além disso, vamos aproveitar a oportunidade para conquistar novos clientes", informou.
A indústria atende ao setor cimenteiro, que responde por 50% da demanda, além de mineradoras e cal. Os clientes estão espalhados em diversos estados brasileiros. De acordo com Morais, 50% da produção fica no território mineiro. Já a Multimec Indústria e Comércio apresentou queda de 40% nos negócios nos primeiros quatro meses de 2010 frente a igual período do ano passado. Segundo o socioproprietário Antônio Hilário Gonçalves, a empresa ainda é afetada pelos reflexos da crise. Em virtude do desaquecimento, ele não acredita em uma recuperação até o final do exercício. Segundo ele, a empresa já está adotando uma série de estratégias para amenizar a retração, que deve chegar a 35% no acumulado do exercício frente a 2009. "Estamos tentando reverter o quadro, melhorando a qualidade e reduzindo, cada vez mais, os preços dos produtos", afirmou.
Outra estratégia, segundo Gonçalves, tem sido ampliar os mercados de atuação. "Minas Gerais ainda é nosso principal Estado consumidor. No entanto, a demanda caiu nos últimos anos. Agora, estamos ampliando as vendas para outros estados, como Brasília, Rio de Janeiro e Espírito Santo", disse.
Mesmo com a retração do mercado, o proprietário informou que a empresa manterá o investimento de R$ 1 milhão. O aporte, que será feito com capital próprio, visa aumentar em 30% da área física da empresa, que hoje possui 4 mil metros quadrados. Ao todo, a área é de 7 mil metros quadrados.
Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 11/05/2010