Portal Met@lica: Sua atuação como arquiteto se restringe à construção em aço ou você também trabalha com concreto?
Sérgio Parada:O arquiteto por sua formação deve conhecer e trabalhar com todos os materiais disponíveis. A escolha do sistema estrutural a ser adotado num determinado projeto depende da abordagem conceitual que eu faço a respeito do edifício que vou projetar, sou seja, vai depender do local onde estará inserida a obra e das restrições e qualificações técnicas existentes, entre outras variáveis.
PM: Qual o expertise da sua atuação como arquiteto? Possui foco em projetos específico, tais como terminais aeroportuários?
Tenho convicção que o ofício da arquitetura é generalista. Particularmente não creio em especialização do arquiteto. Um arquiteto, no meu ponto de vista, de posse de um programa arquitetônico, terá que projetar o edifício dando todas as soluções necessárias para o seu pleno uso. No meu caso, muitas pessoas pensam que sou “especialista em aeroportos”, mas isso não é uma verdade, este é mais um dos temas que tenho desenvolvido no decorrer de minha vida profissional.
PM: Quais as principais deficiências em termos de infraestrutura aeroportuária, viária e de mobilidade urbana no Brasil para receber eventos como a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016?
Acho complexo responder isso tudo. A única coisa que posso afirmar é que nós brasileiros precisaremos, sem dúvida nenhuma, de um planejamento bem feito de todas essas obras, que são muitas. Se não pensarmos em todas as etapas deste processo, desde a concepção dos projetos até a execução das obras, com eficiência e qualidade, poderemos ter surpresas desagradáveis, e, como sempre, resultar em maiores custos ou mesmo na baixa qualidade das obras.
PM: Quais seriam as suas participações/contribuições nestas obras de infraestrutura?
Não recebi nenhum convite para participar de alguma equipe que está desenvolvendo estes trabalhos, mas é lógico que gostaria muito de também estar envolvido neste processo. No entanto, o que eu posso dizer, então, é que minha participação será como de um cidadão brasileiro que torce para que tudo dê muito certo, e que desta forma consigamos construir toda essa infraestrutura necessária para a boa realização destes dois grandes eventos do esporte mundial.
PM: Dentre as cidades-sede da Copa 2014, quais os aeroportos que passarão por reformas?
Não conheço os planos da Infraero a este respeito, mas sem dúvida nenhuma, acho que a maioria dos Terminais de Passageiros das cidades sede da Copa 2014 exigirá algum tipo de intervenção, seja por questões de capacidade, assim como de segurança. Tenho consciência que nossos terminais brasileiros precisarão de modernização urgente.
PM: Quanto aos projetos Aeroportuários desenvolvidos por você, qual lhe trouxe maior desafio e por quê?
São dois: sem dúvida o de Brasília, e o projeto que fomos vencedores para o Terminal de Passageiros do Aeroporto de Wuxi, na China. O de Brasília porque implementamos um novo pensamento sobre aquilo que classificamos como espaço para um terminal de passageiros no Brasil. Já em 1990, pensávamos num edifício adaptado às nossas características climatológicas assim como num terminal que cresceria organicamente, o que infelizmente não aconteceu, porque nosso projeto era para estar totalmente concluído no início desta década, e até a presente data continua inacabado e incompleto. O terminal de Wuxi, por sua vez, também foi um grande desafio, porque concorremos com grandes nomes da arquitetura mundial no concurso fechado de arquitetura. Posso afirmar também que propor um edifício com um novo conceito para um país tão distante do nosso com uma cultura completamente diferente é um grande desafio.
PM: E como se caracteriza um edifício adaptado às nossas características climatológicas?
Todos os edifícios devem respeitar e se adaptar ao meio onde será construído. Um edifício deverá se apropriar daquilo que a natureza nos oferce, ou seja, sem destruí-la poderemos perfeitamente aproveitar os recursos de luz e calor do sol, também precisamos muitas vezes proteger o edifício da insolação direta, poderemos aproveitar a circulação do ar, reaproveitar a água, enfim, uma infinidade de recursos que o edifício contemporâneo deve levar em consideração sempre ao que foi projetado.
PM: A que se deve o fato de o projeto do aeroporto de Brasília não ter sido concluído?
Sem dúvida nenhuma à falta de planejamento da empresa que administra os aeroportos no Brasil, a Infraero. O que está acontecendo com o projeto do terminal de passageiros do aeroporto de Brasília é ilegal e antiético. Como uma empresa pública incentiva ou promove uma situação em que outros profissionais mexem no seu trabalho? Onde está o nosso código de ética?
PM: Qual foi o principal desafio na construção do Edifício Garagem do Aeroporto Internacional de Congonhas, em São Paulo? Qual foi o conceito arquitetônico utilizado nesta reforma? Serão necessárias novas reformas neste aeroporto para os eventos da Copa e Olimpíada?
O Edifício Garagem é de nossa autoria, o Terminal de Passageiros não. Em 1996, chegamos a desenvolver um Plano de Massa para toda a área do terminal, mas o plano não foi seguido pela Infraero. Então, não posso dizer nada quanto ao Terminal de Passageiros de Congonhas, agora, quanto ao Edifício Garagem, precisará urgentemente ser construído o módulo “B”, que complementa este primeiro já em operação, duplicando desta forma o número de vagas para automóveis. A pressão para mais estacionamento será cada vez maior, ainda mais em nossas cidades onde o transporte de massa não atende as demandas, o que é uma pena.
PM: Quais as suas considerações quanto aos projetos em aço previstos para a Copa de 2014 e conseqüentemente para as Olimpíadas 2016?
Não resta a menor dúvida que a utilização do aço nestes projetos será uma exigência. Digo isso porque com a tecnologia do aço poderemos otimizar o tempo de obra assim como atender as exigências técnicas para criar grandes espaços com vãos generosos. Não conheço com profundidade as propostas que hoje já existem, mas seguramente esta tecnologia está presente.