Os reajustes nos preços do aço que estão sendo negociados pelas usinas siderúrgicas com os clientes poderão levar a indústria de bens de capital a importar o insumo, conforme informações do diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Veneroso.
De acordo com Veneroso, algumas empresas do setor poderão passar a importar o aço para manter a competitividade dos produtos brasileiros, principalmente no mercado externo. Segundo ele, a desvalorização do dólar frente ao real trouxe perdas para o setor, que perdeu a competitividade. "Se houver o aumento no preço da matéria-prima não será possível repassar os custos para os clientes", afirmou.
Além disso, ele lembrou que a indústria de bens de capital ainda está recuperando os prejuízos contabilizados em virtude da crise financeira global. O setor foi um dos mais atingidos pela queda na demanda, e o cenário negativo resultou no cancelamento ou postergação de diversos investimentos previstos.
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas) confirmou nesta semana que está negociando com os clientes industriais reajustes nos preços que poderão ficar entre 7,5% e 10%, processo que deverá ser finalizado em 2010. O grupo já havia aumentado os valores de comercialização para as distribuidoras.
Entre as empresas que já reajustaram os preços dos planos para as distribuidoras, além da Usiminas, estão a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e ArcelorMittal Brasil S/A. As usinas reduziram os valores no início do ano para manter a demanda em meio à crise financeira.
Automotiva - Já a indústria automotiva poderá não realizar importações de aço, mesmo com o aumento, conforme o diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA), Luiz Carlos Melo. "As montadoras e as usinas negociarão até chegar a um ponto comum", disse. Conforme ele, poderá haver pressão por parte do setor automotivo no sentido de que a indústria irá optar pelas importações. "Mas este movimento não deverá ocorrer", afirmou.
De acordo com Melo, as importações não compensaria para as montadoras. O setor necessita de grandes quantidades de aço em curto prazo, o que não seria antendido pelos importadores, segundo ele.
Os preços dos veículos também não serão afetados de forma significativa em virtude do reajuste das usinas. "O maior impacto no início do próximo ano será a volta da alíquota integral do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)", afirmou.
O consultor da SLW Consultora, Pedro Galdi, afirmou que poderá haver importações por parte de alguns setores. "O preço do aço importado é menor", afirmou. Mas ele ressaltou que a dificuldade em relação ao conhecimento antecipado sobre a qualidade do produto é um entrave.
Impactos - Apesar da opção pelas importações não ser unanimidade, este não é considerado pelos consumidores e especialistas como o melhor momento para o reajuste do aço. A elevação nos custos em um momento de recuperação após a crise financeira internacional terá impactos negativos.
De acordo com o diretor superintendente da Sae Towers Brasil Torres de Transmissão Ltda, instalada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Vagner Facin de Araújo, o aumento deveria ser realizado em longo prazo. "Esta movimentação é inoportuna", afirmou.
Apesar disso, conforme ele, a empresa não cogita a importação do produto. "Manteremos as compras no mercado brasileiro", afirmou. A Sae Towers é especializada na construção de estruturas para linhas de transmissão de energia elétrica e subestações.
Já os reajustes de aços longos deverão ocorrer somente em 2010, mesmo com a continuidade do aquecimento da construção civil, conforme especialistas. A principal produtor do país, o grupo Gerdau, já anunciou que não fará correções na tabela previstas para este ano.
Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 17/11/2009