A primeira apresentação técnica, conduzida pelo consultor e diretor da Minitec – Minitecnologias, Sérgio W. G. Scherer, mostrou que o processo de metalização da carga dos altos-fornos (que consiste na substituição de parte do minério por ferro metálico utilizando carvão vegetal) pode ser uma solução técnica, econômica e ambientalmente viável,
"É uma tecnologia simples, que não exige mudanças no equipamento, e ainda possibilita diminuir o uso do carvão vegetal importado", frisou o engenheiro, exemplificando: "Considerando a produção de 20 milhões de t/ano de ferro gusa em altos-fornos a coque e um índice de metalização da carga de 10%, o aumento de produtividade será de 8% e a redução de 7% do termo redutor. Assim, a produção de 20 milhões de t/ano, passa a 21,6 milhões de t/ano de gusa".
Scherer também defendeu o uso do gusa verde nas aciarias LD/BOF, garantindo resultados positivos, como o aumento da produção de 22,24 millhões de t/ano de aço para 24,55 milhões de t/ano de aço. "Se for adotado um modelo de 80% de gusa líquido – 10% ou mais de gusa verde sólido e cerca de 10% de sucata, a carga metálica total será de 27 milhões de t/ano ou 24,55 milhões de t/ano de aço líquido".
O Brasil, segundo ele, tem um modelo siderúrgico único para mostrar ao mundo: como utilizar a energia renovável na produção do ferro gusa a coque e do aço, com tecnologia, equipamentos e mão de obra nacionais, gerando empregos e desenvolvimento sustentável.
Outra solução defendida no painel foi a injeção de finos de carvão vegetal nos AFs a coque. O diretor do Grupo Queiroz Galvão, Paulo Afonso de Faria Gomes, garantiu tratar-se de uma tecnologia vantajosa do ponto de vista econômico, social e ambiental.
"Para ter uma idéia, em 2010 devemos importar 4 milhões de toneladas dessa matéria-prima, que equivale a um custo aproximado de US$ 800 milhões", disse ele, lembrando que a biomassa pode ser extraída do eucalipto, bambu, capim elefante e outros resíduos florestais, e serem proveniente de árvores plantadas próximas às usinas.
Conforme explicou, pesquisas apontam que a superfície específica do fino de carvão vegetal é de 60 a 350 vezes maior que a do fino de carvão mineral, o que garante a alta reatividade do material. Apesar do poder calorífico ser menor (7.500 Kcal/Kg contra 5.500 Kcal/Kg), apresenta menos cinzas (2 a 12% diante dos 16 a 12% do fino de carvão mineral) e menos enxofre (0,30 a 0,90% contra 0,10 a 0,60%).
Para comprovar que o carvão vegetal de florestas plantadas é a solução para a produção de ferro gusa com o mais baixo impacto para o meio ambiente, Rodrigo K.Valladares, diretor Comercial da Viena Siderúrgica, apresentou alguns números: "Enquanto a biomassa absorve 890 kg de CO2 no processo de fotossíntese da floresta e libera 203 kg de oxigênio para produzir uma tonelada de ferro gusa, o carvão mineral absorve 990 kg de oxigênio em seu processo produtivo e libera 1.750 kg de CO2 na atmosfera".
O coordenador da comissão organizadora do 40º Seminário de Redução, o engenheiro José Henrique Noldin, explicou que as apresentações representam pontos de vista, baseadas em conhecimento, experiência, tecnologia e engenharia existentes no País e que a discussão não se esgota com os casos apresentados no painel. "São práticas já consagradas que podem ser reavaliadas e, adequadas para utilização pela siderurgia", frisou.
Encerrando as apresentações e os debates, o presidente do Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais), Paulino Cícero de Vasconcellos, ressaltou que ABM é o único espaço que o setor do gusa encontra dentro de órgãos e associações.
"Conclamo a todos para não perderem esse fórum e, sob a coordenação da ABM, unirmos forças com o governo e outras entidades ligadas ao segmento para criar um selo verde que certifique as boas práticas dos produtores independentes de gusa".
Paulino Cícero também sugeriu que, de forma obstinada, é preciso tentar sensibilizar o BNDES no sentido de abrir linhas de financiamento para as ações de reflorestamento, que hoje o setor as realiza totalmente com recursos próprios.
"O setor é responsável pelo maior volume de reflorestamento do País, mas até agora não obteve resposta às suas demandas de financiamento", reforçou.
Serviço de Imprensa da ABM
Publicação: 14/10/2010